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Os EUA iniciaram a campanha em setembro, mirando embarcações no Caribe e no Pacífico Leste. Especialistas vêm alertando que os ataques podem equivaler a “execuções extrajudiciais”, mesmo quando direcionados a suspeitos de narcotráfico.
De acordo com o secretário do Departamento de Guerra, Pete Hegseth — que publicou imagens aéreas do ataque na rede social X — a operação ocorreu em águas internacionais e teve como alvo “uma embarcação operada por uma Organização Terrorista Designada”. O vídeo mostra o barco navegando antes de explodir em chamas.
“Três narcoterroristas do sexo masculino que estavam a bordo morreram”, afirmou Hegseth, sem fornecer mais detalhes.
Com o episódio mais recente, Washington contabiliza a destruição de pelo menos 18 embarcações desde o início da campanha — 17 barcos e um semissubmersível. Até agora, porém, o governo americano não apresentou evidências de que os alvos eram traficantes ou representavam ameaça direta ao país.
“Aos narcoterroristas que ameaçam nossa pátria: se querem continuar vivos, parem de traficar drogas. Se continuarem traficando drogas mortais, nós os mataremos”, declarou Hegseth.
A administração do presidente Donald Trump reforçou sua presença militar na América Latina com o argumento de combater o tráfico. Foram enviados seis navios ao Caribe, além de caças F-35 para Porto Rico. O grupo de ataque do porta-aviões USS Gerald R. Ford também foi deslocado para a região.
As Forças Armadas americanas realizaram ainda demonstrações de força próximas à Venezuela, sobrevoando o mar do Caribe perto da costa do país em pelo menos quatro ocasiões desde meados de outubro.
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, acusou Trump de tentar derrubar seu governo. O líder chavista, denunciado por Washington por envolvimento no tráfico, insiste que não há cultivos de drogas em território venezuelano.
A Casa Branca informou ao Congresso que os EUA estão envolvidos em um “conflito armado” com cartéis latino-americanos. Trump passou a classificar essas organizações como “grupos terroristas”, buscando reforçar a justificativa para os ataques.
Governos locais e familiares de vítimas afirmam que muitos dos mortos eram civis, sobretudo pescadores.
O alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, criticou a atuação americana e afirmou que as mortes ocorreram “em circunstâncias que não encontram justificativa no direito internacional”.

