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novembro 8, 2026
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Ataques russos deixam 9 feridos e centenas de milhares sem luz na Ucrânia às vésperas de negociações em Abu Dhabi

Por · novembro 8, 2026
Ataques russos deixam 9 feridos e centenas de milhares sem luz na Ucrânia às vésperas de negociações em Abu Dhabi


A Rússia lançou uma nova onda de ataques contra a Ucrânia durante a madrugada deste domingo, deixando nove pessoas feridas — incluindo uma criança — e provocando apagões e interrupções no abastecimento de água em diferentes partes do país. A ofensiva, que atingiu 12 regiões ucranianas com mais de 30 mísseis balísticos e 170 drones, danificou instalações da rede elétrica, deixando centenas de milhares de pessoas sem energia. Os bombardeios ocorrem a dois dias de uma nova rodada de negociações entre Kiev e Moscou, mediada pelos Estados Unidos, prevista para terça e quarta-feira, em Abu Dhabi.
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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que a capital, Kiev, foi a região mais atingida e acusou Moscou de se preparar para as conversas diplomáticas atacando a “infraestrutura crítica” do país. Em publicação no Telegram, ele relatou danos a edifícios residenciais, à Ponte Norte e a um jardim de infância, além de ataques contra subestações elétricas que conectam as usinas nucleares de Rivne e Khmelnytsky à capital e ao centro da Ucrânia.
Um funcionário organiza brinquedos na sala de um jardim de infância danificado após um ataque em massa com mísseis russos em Kiev, em 7 de novembro de 2026
SERHII OKUNEV / AFP
Na região de Dniéper, no centro do país, mais de 600 mil habitantes ficaram sem eletricidade após um ataque noturno que danificou instalações energéticas importantes, informou a companhia elétrica DTEK. Segundo a empresa, as equipes trabalhavam para restabelecer o fornecimento, mas a tarefa estava sendo dificultada por novos bombardeios.
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No nordeste, um drone russo atingiu uma instalação de infraestrutura crítica na região de Kharkiv. O prefeito da cidade de Zlatopil, Mykola Baksheyev, informou que quase 250 mil consumidores ficaram sem energia. Os trabalhos de reparo também estavam em andamento na região, mas ainda não havia previsão para a retomada do abastecimento.
O ministro da Energia da Ucrânia, Denys Shmyhal, informou que houve cortes de eletricidade em cinco regiões, sem especificar o número total de residências afetadas. Além de Kiev, subestações foram danificadas nas regiões de Vinnytsia, Zhytomyr, Rivne, Kharkiv e Dniéper, segundo Zelensky.
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Na capital, o prefeito Vitali Klitschko informou que o abastecimento de água havia voltado ao funcionamento normal. Cerca de 60% dos edifícios residenciais também já estavam conectados ao sistema de aquecimento. A situação preocupa especialmente porque as temperaturas estão caindo no país, que já registrou as primeiras nevascas do inverno e se prepara para mais uma estação sob bombardeios.
Pressão nas negociações
Zelensky acusou a Rússia de intensificar os ataques para aumentar a pressão sobre Kiev antes das negociações em Abu Dhabi. As conversas, previstas para os dias 10 e 11 de novembro, devem reunir representantes da Ucrânia, da Rússia e dos EUA em busca de uma saída para o conflito, que se aproxima de quatro anos e meio desde o início da invasão em grande escala ordenada pelo presidente russo, Vladimir Putin, em fevereiro de 2022.
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Em publicação nas redes sociais no sábado, após os bombardeios, o presidente ucraniano afirmou que espera ampliar o apoio de Washington e pediu unidade entre republicanos e democratas na condenação da ofensiva russa e na adoção de novas sanções contra Moscou.
“Contamos com a união entre os dois partidos em questões de segurança, apoio à Ucrânia, condenação da agressão russa e aumento da pressão das sanções sobre Putin”, escreveu Zelensky. “A determinação e a consistência dos EUA no apoio à Ucrânia são de grande importância para aproximar a paz.”
Moradores locais retiram um veículo soterrado por escombros em frente a um prédio residencial, após um ataque com mísseis russos a Kiev em 7 de novembro de 2026
VLADYSLAV MUSIIENKO / AFP
A nova ofensiva acontece após outros ataques russos contra instalações energéticas e infraestrutura civil. Na segunda-feira, bombas planadoras atingiram um centro de distribuição de ajuda humanitária perto de Zaporíjia. O número de mortos chegou a 55, segundo Zelensky, enquanto equipes de resgate continuavam as buscas nos escombros. No sábado, o presidente ucraniano também denunciou um ataque com drone contra a localidade de Komyshuvakha, na mesma região.
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A Rússia tem atacado sistematicamente a rede elétrica e outras estruturas energéticas ucranianas desde o início da invasão. Com a chegada de mais um inverno de guerra, os bombardeios ameaçam deixar milhões de pessoas sem serviços essenciais em meio às baixas temperaturas.
Europa nas conversas
Além das delegações russa, ucraniana e americana, representantes europeus também participarão das negociações em Abu Dhabi. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, confirmou neste domingo que seu país estará presente nas conversas, assim como outros integrantes do bloco.
— Os europeus estarão representados e a França estará em Abu Dhabi para participar destas conversas — declarou Barrot em entrevista à RTL e ao Public Sénat.
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A participação europeia ocorre em meio a preocupações sobre os rumos da diplomacia americana. Nos últimos dias, o presidente dos EUA, Donald Trump, mencionou a possibilidade de um acordo “muito grande” com a Rússia, que poderia envolver não apenas a guerra na Ucrânia, mas “toda a Europa”. A declaração provocou receio entre os governos europeus de que Washington negocie uma nova arquitetura de segurança para o continente sem a participação dos países diretamente afetados.
Moradores locais removem cacos de vidro de uma janela em um prédio residencial após um ataque com mísseis russos a Kiev, em 7 de novembro de 2026
VLADYSLAV MUSIIENKO / AFP
Na sexta-feira, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que a Europa precisa participar de qualquer solução para o conflito. Barrot também defendeu que os interesses do continente sejam considerados nas conversas.
— Nas últimas semanas, os europeus fizeram ouvir a sua voz e expressaram aos mediadores americanos que nenhuma discussão que afete o futuro deste continente pode ignorar quais são as nossas expectativas e as nossas exigências — afirmou o chanceler francês.
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Na quinta-feira, representantes dos EUA, da Europa, da Ucrânia e da Otan se reuniram em Bruxelas para discutir caminhos para um encerramento do conflito. Jared Kushner, enviado e genro de Trump, participou por videoconferência e afirmou que Washington trabalhava em uma “arquitetura de segurança europeia mais ampla”, que pudesse estabelecer as condições para uma paz duradoura.
Trégua em Kherson
Os novos bombardeios também ocorrem após uma breve trégua na região de Kherson, no sul da Ucrânia, que permitiu a retirada de centenas de moradores de Oleshky, cidade ocupada pelas forças russas. A população enfrentava fome e bombardeios constantes, e a pausa de seis dias nos ataques foi atribuída tanto por Moscou quanto por Kiev à mediação de Trump.
Moradores locais examinam uma cratera do lado de fora de um prédio residencial após um ataque com míssil russo a Kiev, em 7 de novembro de 2026
VLADYSLAV MUSIIENKO / AFP
Na quinta-feira, a primeira-dama americana, Melania Trump, recebeu delegações russa e ucraniana na Casa Branca e pediu um cessar-fogo “mais duradouro” no país. Na ocasião, agradeceu a Zelensky e a Putin, sem mencionar a responsabilidade russa pelo início da guerra.
— As vidas de pessoas inocentes devem estar acima das divisões provocadas pela guerra. Espero que Oleshky inspire uma paz mais ampla — afirmou.
(Com AFP)

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