O atirador que matou um policial e outras três pessoas em um prédio de luxo de Nova York carregava um bilhete que fornece pistas sobre sua possível motivação, revelaram fontes da polícia local ao jornal New York Post. O suspeito, identificado como Shane Tamura, de 27 anos, levava consigo uma nota “de várias páginas” em que culpava o futebol americano por sua aparente luta contra a encefalopatia traumática crônica (ETC), uma doença neurodegenerativa.
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Fontes policiais disseram ao NY Post que o bilhete foi encontrado depois de o homem abrir fogo e atirar contra si mesmo no edifício da Park Avenue, que abriga empresas e escritórios da NFL, a principal liga de futebol americano. Tamura também pediu na nota que seu cérebro fosse examinado. Ele atuou como segurança num cassino de Las Vegas depois de despontar como jogador de futebol americano nos tempos de colégio.
Tamura se formou na Golden Valley High em 2016. Antes disso, seu antigo treinador disse ao Los Angeles Times que esperava “grandes feitos” do running back.
— Parecia que o céu era o limite, e depois não foi mais — ponderou o ex-colega de classe Caleb Clarke à NBC News.
A NFL tem escritórios do quinto ao oitavo andar do arranha-céu da Park Avenue. A polícia reportou nesta terça-feira que Tamura começou a atirar na recepção e depois pegou o elevador até o 33º andar. Uma das vítimas era um funcionário da NFL, que ficou “gravemente ferida” no ataque, conforme o comissário da liga, Roger Goodell, disse a outros empregados.
A motivação do atirador está sob investigação. O suspeito tinha um “histórico documentado de [problemas] de saúde mental”, segundo as autoridades.
A polícia compartilhou uma foto do suposto atirador entrando no prédio, carregando uma arma longa – provavelmente um rifle de assalto M4, de acordo com a comissária de polícia. Acredita-se que ele tenha morrido de um ferimento autoinfligido.
Ainda segundo a CNN, Shane Tamura teria viajado pelo país antes de chegar a Nova York. O veículo de Tamura passou pelo Colorado em 26 de julho, segundo Jessica Tisch.
Tamura, que era de Las Vegas, viajou por Nebraska e Iowa em 27 de julho e depois foi visto em Columbia, Nova Jersey, às 16h24 de segunda-feira. O veículo entrou na cidade de Nova York logo em seguida, disse Tisch, informando, também, que Tamura tinha licença para portar arma no estado de Nevada.
O tiroteio ocorreu por volta das 18h locais (19h em Brasília) dentro de um prédio comercial em Midtown Manhattan. Às 18h10, dezenas de policiais já haviam invadido a área, de acordo com uma testemunha.
Segundo contou a comissária de polícia Jessica Tisch, em coletiva de imprensa, um vídeo de vigilância mostra um homem entrando no saguão da 345 Park Avenue, na 52nd Street, em Manhattan e imediatamente abrindo fogo contra um policial da polícia de Nova York e outros. O atirador, então, foi até o hall do elevador, onde atirou em um segurança.
Em seguida, o atirador subiu ao 33º andar, onde atirou em outra pessoa antes de atirar em si mesmo no peito, disse a comissária, lembrando, ainda, que o suspeito deixou uma mulher passar ilesa: – Depois de atirar em várias pessoas ao entrar no prédio, o atirador pediu um elevador. Uma mulher saiu do elevador e ele permitiu que ela passasse por ele ilesa – disse Tisch.
Outras empresas com escritórios no prédio incluem a National Football League (NFL), a empresa de contabilidade e consultoria financeira KPMG e a imobiliária Rudin Management. Membros da equipe da NFL estavam abrigados, aguardando autorização da polícia para sair.
Por volta das 19h, as pessoas começaram a sair do prédio em pequenos grupos com as mãos levantadas, disse a testemunha. Pouco tempo depois, com helicópteros da polícia sobrevoando o local, um grupo maior deixou o prédio.
Alguns correram o mais rápido que puderam. Outros caminharam, aparentemente imperturbáveis com o que acontecia ao redor. Prédios próximos, que também haviam sido isolados, também começaram a esvaziar, com muitas pessoas saindo com as mãos levantadas, provavelmente para mostrar que não estavam armadas.
Um funcionário da Blackstone que trabalha no 31º andar, abaixo de onde ocorreu o ataque a tiros, disse que os funcionários ouviram um forte estrondo e um baque vindo de cima. Eles ignoraram o ocorrido até receberem um e-mail notificando-os sobre um atirador no prédio.
Em um e-mail de acompanhamento, o funcionário disse que eles foram instruídos a evacuar o prédio, mas que naquele momento os policiais estavam levando as pessoas para o andar de baixo, um andar de cada vez, nos elevadores.