O ator americano Robert Redford morreu nesta terça-feira, aos 89 anos, em sua casa no estado de Utah. O anúncio foi feito por Cindi Berger, diretora-executiva da Rogers & Cowan PMK. Segundo o comunicado, o ator e diretor partiu durante o sono, “no lugar que amava, cercado por aqueles que amava”. A causa não foi informada. Mais que astro de Hollywood ou vencedor do Oscar, Redford marcou sua trajetória como alguém que, mesmo rejeitando o rótulo de ativista, atuou em frentes decisivas, do cinema ao meio ambiente.
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Discreto na vida pessoal, Redford cultivava a rotina em seu rancho em Utah. Foi ali que se aproximou das causas ambientais, assumindo papel central em campanhas contra rodovias e usinas poluentes. Sempre rejeitou ser chamado de ativista, mas seu engajamento fez dele uma voz respeitada na defesa da natureza e no debate público americano.
Galã dos anos 1970, Redford estrelou clássicos como Butch Cassidy (1969), Golpe de Mestre (1973), Três Dias do Condor (1975) e Todos os Homens do Presidente (1976), este último um símbolo da denúncia jornalística sobre o escândalo de Watergate. Contracenou com Jane Fonda, Barbra Streisand e Meryl Streep, consolidando-se como símbolo romântico de uma geração.
Em 1981, fundou o Instituto Sundance, e três anos depois assumiu um pequeno festival em Utah. Sob sua liderança, o evento se transformou na maior vitrine mundial do cinema independente, responsável por projetar Quentin Tarantino, Steven Soderbergh, Darren Aronofsky e Ava DuVernay.
Redford, porém, nunca deixou de criticar a invasão do mercado sobre o festival: “Quero que os marqueteiros oportunistas — as marcas de vodca, os brindes e as Paris Hiltons da vida — desapareçam para sempre. Eles não têm nada a ver com o que acontece aqui!”, disse em 2012.
Redford foi casado duas vezes: primeiro com Lola Van Wagenen, mãe de seus quatro filhos, e depois com a artista alemã Sibylle Szaggars. Sofreu tragédias pessoais, como a morte precoce de um filho e, mais recentemente, a de Jamie Redford, vítima de câncer em 2020.
Na direção, estreou com Gente como a Gente (1980), que ganhou quatro Oscars, incluindo melhor filme e direção. Seguiu com obras como Nada é para Sempre (1992) e Quiz Show — A Verdade dos Bastidores (1994), também indicado ao Oscar.
Entre seus últimos trabalhos, estão All Is Lost (2013), Our Souls at Night (2017), ao lado de Jane Fonda, e The Old Man and the Gun (2018), quando anunciou sua aposentadoria após quase seis décadas de carreira.