Uma auditoria contratada pelo governo do Rio para investigar a gestão da Caixa de Assistência dos Empregados da Cedae (Cedae Saúde) identificou indícios de desvios superiores a R$ 400 milhões e revelou que o ex-governador Cláudio Castro (PL) utilizou o plano de saúde da entidade sem ser funcionário da companhia e acumulou uma dívida de aproximadamente R$ 140 mil. Segundo a atual administração, Castro foi cadastrado como empregado da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), embora nunca tenha trabalhado na empresa, e teve despesas médicas custeadas pelo benefício sem que houvesse descontos em seus pagamentos. A investigação também apontou que quatro empresas ligadas ao ex-presidente da entidade Eric Frederik Gualberto receberam R$ 95 milhões durante sua gestão.
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Segundo o levantamento, o ex-governador utilizou o plano por 547 dias, entre 1º de fevereiro de 2025 e 1º de agosto de 2026. A esposa e os dois filhos dele também foram incluídos como dependentes. De acordo com a atual direção da Cedae Saúde, o benefício foi cancelado em agosto, depois de cerca de um ano e meio de inadimplência. Castro foi notificado a quitar o débito, que, segundo a cobrança recebida por ele, chega a aproximadamente R$ 141 mil.
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Em nota, o ex-governador afirmou que nunca solicitou adesão ao plano de saúde. Segundo ele, à época, a diretoria da Cedae informou que tinha direito ao benefício e lhe entregou a carteirinha para utilização.
“Durante todo o período, nunca recebeu boleto, cobrança mensal ou qualquer notificação de débito”, diz a nota, ao relatar que Castro só tomou conhecimento da dívida há cerca de uma semana, quando recebeu pelos Correios a primeira cobrança, no valor aproximado de R$ 141 mil.
O governador do Rio, Cláudio Castro, em pronunciamento no qual renunciou ao cargo
Marcelo Theobald/Agência O Globo/23-3-2026
O ex-governador informou ainda que pagará o valor cobrado e ressaltou que jamais se recusou a quitar qualquer obrigação. Também afirmou que o plano já havia sido cancelado sem comunicação prévia.
A auditoria analisou um período de dez anos e, segundo a atual administração, não identificou registros de outros governadores que tenham utilizado o benefício nas mesmas condições.
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Offshore nas Ilhas Virgens Britânicas
O caso envolvendo Castro foi identificado durante uma auditoria conduzida pela Grant Thornton, com acompanhamento do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e da Cedae. O levantamento apontou possíveis irregularidades nos pagamentos por serviços e suspeitas de favorecimento de empresas ligadas à antiga administração da entidade. O relatório será encaminhado ao Ministério Público, que poderá aprofundar a apuração e avaliar a adoção de medidas judiciais.
Entre os principais achados está o pagamento de R$ 95 milhões, durante a gestão de Eric Frederik Gualberto, a quatro empresas que fazem parte de uma offshore ligada ao então presidente da Cedae Saúde nas Ilhas Virgens Britânicas. De acordo com o governo estadual, os dados recuperados pelos auditores indicam possíveis favorecimentos a empresas relacionadas à antiga direção.
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Caso veio à tona após exoneração ex-presidente da Cedae
A investigação começou após a exoneração de Gualberto, em 23 de junho de 2026. Quando assumiu, a nova diretoria constatou que arquivos com nomes de fornecedores e registros da contabilidade referentes ao período de dezembro de 2023 a abril de 2026 haviam sido apagados. Os auditores, no entanto, conseguiram recuperar os dados e analisá-los, identificando movimentações consideradas suspeitas.
Fachada da sede da Cedae
Brenno Carvalho / Agência O Globo / Arquivo
A apuração também colocou sob questionamento o volume de recursos transferidos mensalmente pela Diretoria Financeira e de Relações com Investidores da antiga gestão da Cedae para o funcionamento da entidade. Segundo a atual administração, os repasses destinados ao custeio da Cedae Saúde eram muito superiores ao necessário para manter as atividades.
Na gestão anterior, os valores transferidos giravam em torno de R$ 20 milhões por mês. Atualmente, o montante está na faixa de R$ 6 milhões mensais, uma redução de aproximadamente 70%. A diferença reforçou os questionamentos sobre a gestão financeira e a destinação dos recursos da entidade.
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Criada em 1988, a Cedae Saúde administra a assistência médica de funcionários ativos, dependentes, aposentados e pensionistas da companhia. Ao todo, são cerca de 17 mil beneficiários. A entidade também presta serviços de saúde ocupacional e segurança do trabalho, distribui medicamentos de uso contínuo e realiza exames periódicos e admissionais.
A auditoria foi realizada no contexto do Decreto 50.254/26, assinado pelo governador em exercício, o desembargador Ricardo Couto, que determinou a revisão de contratos firmados por secretarias, autarquias e empresas públicas estaduais.
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Auditoria do governo aponta rombo de R$ 400 milhões na Cedae Saúde e revela dívida de R$ 140 mil de Cláudio Castro com plano hospitalar
