A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) publicou nota oficial criticando a ausência do presidente Lula no lançamento do Plano Safra 2026/2027, principal programa de financiamento do agronegócio, que prevê R$ 525,1 bilhões destinados à agricultura empresarial. No comunicado, a FPA pontua que “a postura (do presidente) reforça uma tentativa equivocada do governo de dividir o agro brasileitro”. O documento também abarca desaprovações ao Plano, e diz que “analisou a ineficiência do Plano Safra 2026/2027 com preocupação”.
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O presidente Lula estava na cúpula do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, durante o lançamento do Plano, mas o presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), e o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, estavam presentes no evento. Esta foi a primeira vez que Lula não participa do lançamento do programa.
Na nota oficial divulgada no Instagram, a FPA, maior bancada do Congresso Nacional, com 342 parlamentares, destaca que “reconhece o esforço do governo para reduzir juros. No entanto, a medida é insuficiente diante da situação de endividamento do setor, da restrição de crédito enfrentada por produtores e da queda dos recursos equalizados”.
O comunicado destaca, ainda, que “o mais preocupante é o gesto político do presidente”, ao afirmar que não participaria do evento, mas “reservando presença apenas ao anúncio da agricultura familiar”.
Em vídeo publicado no Instagram da FPA, o deputado federal e presidente da FPA, Pedro Lupion (Republicanos), pontua que “o presidente da república fez questão de dizer que não participaria do lançamento do Plano Safra. Ele escolheu deixar claro, publicamente, como enxerga uma parte essencial do agro brasileiro”.
Lupion também não compareceu à cerimônia de lançamento do Plano, juntamente com outras representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária. Procurados pelo GLOBO, a assessoria da entidade informou que não houve convite. Já o Ministério da Agricultura pontuou que os convites foram encaminhados diretamente aos parlamentares, incluindo o deputado.
A FPA, que se opõe ao Executivo, também não esteve presente no lançamento do Plano Safra 2025/2026 e alegou não ter sido convidada ao evento, o que foi negado pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República na época. Posteriormente, os parlamentares afirmaram que o convite foi feito, mas decidiram não comparecer.
Divulgado nesta terça-feira (30), no Palácio do Planalto, o Plano Safra 2026/2027 destina R$ 525,1 bilhões à agricultura empresarial, que reúne médios e grandes produtores rurais. O montante representa acréscimo de R$ 9 bilhões em relação aos R$ 516,2 bilhões anunciados no ciclo anterior.
Do valor previsto, R$ 384,9 bilhões serão direcionados às operações de custeio e comercialização, para cobrir despesas como aquisição de insumos, condução das lavouras e manutenção dos rebanhos.E R$ 140,2 bilhões serão encaminhados a investimentos em modernização produtiva, armazenagem, irrigação, inovação tecnológica e renovação de máquinas e equipamentos.
*Estagiária sob supervisão de Cibelle Brito

