A trágica queda do voo AI171 da Air India, que matou 260 pessoas no mês passado — entre passageiros, tripulantes e pessoas em solo — “não parece ter sido causada por falha mecânica ou ativação acidental dos controles de combustível da aeronave”, segundo declarou nesta quinta-feira o administrador da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), Bryan Bedford.
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— Podemos dizer com alto grau de confiança que não parece haver um problema mecânico com a unidade de controle de combustível da Boeing — afirmou Bedford a jornalistas, durante um evento aeronáutico em Wisconsin.
A investigação, conduzida pelas autoridades indianas com apoio da FAA, da Boeing e da Junta Nacional de Segurança no Transporte dos EUA (NTSB), tem se concentrado nos interruptores de controle de combustível do Boeing 787 envolvido no acidente. Segundo Bedford, os técnicos da FAA removeram as unidades para testes e fizeram inspeções diretamente em outras aeronaves.
— Sentimo-nos muito confortáveis em afirmar que não se trata de uma falha por manipulação inadvertida dos controles de combustível — completou.
De acordo com o relatório preliminar do Agência Indiana de Investigação de Acidentes Aéreos, divulgado no início de julho, os dois interruptores de combustível foram desativados com intervalo de cerca de um segundo, segundos após a decolagem, provocando a perda total de potência dos motores. A aeronave colidiu com o refeitório de uma faculdade de medicina e explodiu em chamas, deixando apenas um sobrevivente entre as 242 pessoas a bordo e matando ainda 19 pessoas no solo.
A gravação da cabine revelou um diálogo tenso nos instantes finais: um dos pilotos pergunta ao outro por que cortou o combustível, diz o relatório. O outro responde que não o fez. Dados do gravador de voo mostram que cerca de 10 segundos depois da interrupção do combustível, os comandos foram religados, mas já era tarde demais para recuperar altitude
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Os interruptores de combustível são protegidos por um mecanismo de trava, que exige que o piloto puxe o botão antes de movê-lo para as posições “RUN” (ligado) ou “CUTOFF” (desligado). Especialistas em segurança aérea afirmam que é improvável que esses dispositivos tenham sido acionados por acidente, já que demandam movimentos deliberados.
— Em aeronaves como o 787, você não pode desligar o combustível com um simples toque — explicou o especialista Shawn Pruchnicki, da Universidade Estadual de Ohio ao New York TimesPilotos experientes e dúvidas sobre erro humano
Pilotos experientes e dúvidas sobre erro humano
Os pilotos do voo AI171 tinham ampla experiência: o comandante Sumeet Sabharwal acumulava mais de 15 mil horas de voo, e o copiloto Clive Kunder, 3.400. A investigação busca entender se houve algum erro humano, falha de comunicação ou mesmo possibilidade de mau funcionamento não detectado.
A FAA já havia emitido em 2018 um alerta recomendando a inspeção dos mecanismos de trava dos interruptores em aeronaves da Boeing, incluindo o 787. Segundo a Air India, o sistema foi inspecionado e trocado em 2023, sem qualquer registro de defeitos.
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Na última terça-feira, a companhia informou ter concluído inspeções preventivas em todas as suas aeronaves dos modelos 787 e 737, sem identificar problemas.
— É preciso levantar o botão sobre uma trava mecânica. Há salvaguardas para evitar acionamentos acidentais.