Bebidas energéticas em excesso podem colocar o coração, sobretudo de jovens, em risco. A conclusão está em uma nova pesquisa que será apresentada no encontro da Associação Americana do Coração (AHA, na sigla em inglês), realizada até segunda-feira (9).
Segundo dados compilados pelo estudo, eventos cardiovasculares graves associados a esses produtos, incluindo infarto e parada cardíaca, apareceram de forma desproporcionalmente frequente em notificações à FDA, agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA.
Os relatos de parada cardíaca foram cerca de 11 vezes mais frequentes em associação com produtos que contêm cafeína e estimulantes do que com produtos sem esses ingredientes.
As notificações envolvendo bebidas energéticas e suplementos com cafeína tinham probabilidade cerca de 4,5 vezes maior de incluir relatos de infarto e quatro vezes maior de mencionar arritmias ventriculares (alterações no ritmo cardíaco nas câmaras inferiores do coração, responsáveis pelo bombeamento do sangue) ou palpitações.
Cerca de 45% das notificações que relacionavam produtos com cafeína e estimulantes a eventos cardiovasculares envolviam adultos de 18 a 34 anos.
As vendas de bebidas energéticas com cafeína mais do que dobraram na última década, ultrapassando US$ 20 bilhões em 2024. Profissionais de saúde têm descrito casos de arritmias (alterações no ritmo cardíaco) e morte súbita cardíaca em pessoas que consumiram esses produtos. Muitas delas eram jovens adultos sem fatores de risco conhecidos para doenças cardíacas.
De acordo com um documento científico da AHA publicado em 2026, o consumo de até 400 mg de cafeína por dia (o equivalente a até cinco xícaras de 240 ml de café preto tradicional) é geralmente considerado seguro para a maioria dos adultos. Porém, algumas bebidas energéticas contêm até três vezes mais cafeína por mililitro que o café coado, enquanto determinados suplementos pré-treino apresentam concentrações superiores a 12 vezes.
Na pesquisa, os pesquisadores analisaram dados de um banco de notificações de segurança do governo americano para comparar relatos de reações adversas associados a produtos que contêm cafeína e outros estimulantes com aqueles relacionados a alimentos e suplementos alimentares regulamentados pela FDA, como refrigerantes, bebidas substitutas de refeições, barras de proteína, vitaminas e smoothies. Foram incluídas notificações referentes a pessoas com 13 anos ou mais, registradas entre 2017 e 2025.
Os pesquisadores ainda não compreendem completamente por que a associação entre produtos com cafeína e estimulantes e eventos cardíacos foi tão frequente entre adultos jovens. Esse padrão de notificações nessa faixa etária pode refletir a frequência com que esses produtos são consumidos; as circunstâncias ou a maneira como as pessoas costumam utilizá-los (por exemplo, antes de exercícios físicos intensos ou em combinação com álcool ou drogas); e/ou a existência de problemas cardíacos ainda não diagnosticados.
As notificações classificadas como relacionadas a produtos com cafeína e estimulantes incluíam aqueles com os seguintes tipos de ingredientes: cafeína, metilxantinas (teobromina, guaraná, erva-mate e extratos de chá verde ou café) e substâncias simpatomiméticas (sinefrina, ioimbina, efedra, DMAA e higenamina).
Bebidas energéticas podem colocar o coração em risco, especialmente entre jovens; entenda
