Acostumadas a dividirem a vida desde o berço — no esporte, no trabalho e na rotina —, as gêmeas Bia e Branca Feres atravessam, juntas, um dos períodos mais desafiadores de suas trajetórias. A perda recente da mãe, que lutou contra um câncer por um ano e meio, coincidiu com uma fase intensa da maternidade, com os filhos ainda pequenos.
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Ao GLOBO, elas falam sobre como têm encontrado força no amor, na cumplicidade e nas lembranças que construíram para atravessar o luto, os desafios do dia a dia e a missão de seguir em frente.
— A gente pensa que vai estar preparada, mas nunca está. Foram meses muito difíceis, mas também muito intensos, em que a gente pôde viver tudo, falar tudo e criar memórias — compartilha Branca, que cuidou da mãe de perto, no Rio. — Meu corpo agora está demonstrando alguns sinais de ansiedade, mas estou me cuidando. Minha filha, de dois anos, pergunta da avó, e eu digo que ela foi morar no céu, de onde sempre vai mandar M&M e bananada.
Bia viveu parte desse processo de longe, em São Paulo, entre idas e vindas para acompanhar o tratamento da mãe e, ao mesmo tempo, cuidar dos próprios filhos. — Tento buscar força na maior fortaleza que conheci: minha mãe. Uma mulher que ficou órfã muito jovem, se formou em medicina e lutou muito para ser mãe. Ela está no céu, mas me guia todos os dias — emociona-se.
O amor que ressignifica tudo
Se a maternidade já é, por si só, uma experiência transformadora, atravessá-la em meio a uma despedida tão dolorosa fez com que as duas ressignificassem ainda mais o papel de serem mães.
— Eu passei a enxergar como somos importantes na vida dos nossos filhos. Como é importante estar presente, ser amorosa, criar laços fortes — pontua Bia. — Nossa mãe foi essa figura de fortaleza, e isso me inspira a ser essa base para os meus filhos.
Branca acrescenta: — A gente percebe a fragilidade da vida. E entende que não dá para deixar nada para depois. É preciso falar, viver, amar, criar memórias. Porque é isso que fica.
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A maternidade sincronizada como maior conquista
Acostumadas ao trabalho em equipe, Bia e Branca também dividem os desafios e as delícias da maternidade. Seus filhos — Isaac e Serena, de Bia, e Nicole e Manuela, de Branca — cresceram juntos, desenvolvendo uma conexão que reflete a própria relação das mães.
— É o maior sonho da minha vida realizado. Mais até do que competir nas Olimpíadas. Ter a maternidade sincronizada com a minha irmã foi nosso maior acerto — afirma Bia.
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Branca concorda: — A melhor coisa do mundo é ter minha irmã ao meu lado. Nossos filhos são como irmãos. Família, união, é o que nos mantém fortes.
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A vida toda ligada ao movimento e ao corpo — primeiro pela natação artística, depois pela atuação como influenciadoras — fez com que a dupla tivesse uma relação muito consciente com a própria imagem. Ainda assim, não estão imunes às pressões que tantas mulheres sentem, especialmente no pós-parto.
— As pessoas acham que, por termos sido atletas olímpicas, precisamos estar sempre com o corpo incrível. Mas eu não me cobro mais. Nosso foco hoje é na saúde mental, na nossa paz e nos nossos filhos — diz Branca.
Bia reforça: — Eu me acho maravilhosa. Sou uma mulher de 37 anos, mãe de dois, com hábitos saudáveis. A flacidez na barriga? Tudo bem. O corpo mudou, e está tudo certo. Hoje, minha vaidade tem mais a ver com saúde e bem-estar do que com estética.
Saúde além da estética
Se antes o corpo era ferramenta de performance, hoje ele é cuidado como morada. A prioridade virou manter uma rotina que dê conta da maternidade, do trabalho e, quando possível, do autocuidado.
— A corrida foi fundamental para mim durante o tratamento da minha mãe. Era onde eu botava pra fora todas as emoções — conta Branca. — Eu separo uma ou duas horas por dia para me movimentar. Faço o que gosto, sem pressão. E, só na rotina com os filhos, já é muita atividade — brinca Bia.
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Ao refletirem sobre padrões, redes sociais e aceitação, as gêmeas fazem questão de reforçar uma mensagem que carregam tanto para si quanto para quem as acompanha.
— Quando a gente está bem consigo mesma, tem muito mais amor para dar — resume Branca. Bia completa: — Quem se compara, não é feliz. Cuide da sua saúde, do seu corpo, da sua mente. E encontre uma atividade que te faça bem. Isso é o mais importante.
