No ano em que a clássica caneta Bic Cristal completa 75 anos, a fabricante francesa BIC responde com inovação para se manter no topo. Um dos focos é ganhar market share no segmento de produtos para colorir, que hoje representa 12% do portfólio no país.
Rodrigo Iasi, que assumiu este ano o comando do marketing da Bic Brasil e Argentina, tem como um dos desafios fisgar os jovens das gerações Z e Alpha, público mais atraído pela papelaria.
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O movimento vem na esteira da tendência que tem impulsionado as vendas no setor de papelaria: a febre dos livros de colorir. Um dos fenômenos do momento são os Bobbie Goods, que viralizaram no TikTok e só no Brasil já venderam 1 milhão de exemplares em apenas quatro meses.
O segmento de papelaria representa 30% do faturamento local, peso similar ao de outras duas categorias da fabricante: linhas de isqueiros e lâminas.
A estratégia combina investimentos em marketing, inovação no portfólio e expansão dos canais de venda. O foco será na linha de colorir da Bic Kids, relançada na última volta às aulas. As apostas vão desde os clássicos lápis de cor, que ganharam mais cores e estão mais macios, até as canetinhas hidrográficas.
— Essas gerações valorizam a criatividade e a autoexpressão. Queremos acompanhar essa jornada desde cedo, oferecendo produtos que estimulem a imaginação, com a qualidade e custo-benefício que só a Bic pode oferecer — afirma Iasi.
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Com o Brasil ocupando a segunda maior operação global do grupo, a francesa tem planos de ampliar a produção local. A meta é trazer maquinário para começar a produzir na fábrica de Manaus, até 2027, as linhas de canetas e marcadores de maior valor agregado, como a Bic 4 Cores e as canetas hidrográficas, revela Iasi ao GLOBO.
Os lápis de cor premium da linha Bic Kids, por exemplo, são produzidos no Vietnã e importados para cá. Segundo o executivo, a internalização da produção vai permitir redução de custos, maior agilidade logística e oferta de produtos mais acessíveis ao consumidor. Outros produtos importados ainda estão em estudo.
Hoje, 85% da produção da fábrica local é voltada para o mercado interno. Os outros 15% são destinados à América Latina, com destaque para a Argentina, onde a operação vem ganhando tração com a chegada do novo gerente de negócios, Marco Moccia.
Nos últimos cinco anos, a Bic investiu R$ 150 milhões na fábrica em Manaus e prevê novos aportes. Globalmente, a multinacional francesa fechou 2024 com vendas brutas de quase € 2,2 bilhões.
O reconhecimento recente no Cannes Lions, uma espécie de “Oscar do marketing e da propaganda”, dá impulso aos próximos passos da marca no Brasil. Na campanha criada pela agência VLM, um braço robótico guiado por inteligência artificial (IA) reescreveu o clássico “Romeu e Julieta” com uma única Bic Cristal Dura+.
Foram 212 páginas em 20 dias, e ainda sobrou tinta. O projeto ganhou um Leão de Prata em Design e um Bronze em Industry Craft. A obra foi doada ao Royal Shakespeare Company, na Inglaterra, e também ao Real Gabinete Português de Leitura, no Rio.