Há mais de quatro décadas, a Bienal do Livro Rio contribui para impulsionar o universo literário no país. Ano após ano, o número de visitantes vem crescendo — na edição deste ano, bateu recorde, chegando a 740 mil, 23% a mais que na temporada anterior. Porém, com toda a movimentação em torno do evento, o impacto vai além do setor de livros e beneficia a economia do Rio como um todo. De acordo com um estudo do Ibmec, a 22ª edição, entre os dias 13 e 22 de junho, movimentou R$ 1,18 bilhão no estado, o equivalente a 0,10% do PIB fluminense.
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A pesquisa mostra que o comércio foi o mais aquecido no período, com um incremento de R$ 553 milhões, seguido pelos segmentos de hospedagem (R$ 200 milhões) e alimentação (R$ 163 milhões). Também foram beneficiadas as áreas de cultura, com movimentação de R$ 137 milhões, e de transporte, com R$ 126 milhões.
— A Bienal é uma programação que atrai cada vez mais o público jovem, e 81% têm até 34 anos. São pessoas ávidas pela leitura, que vão até lá para comprar os livros que desejam. Boa parte mora no estado, mas há um destaque interessante entre os que vivem fora do município do Rio. Entre eles, 76% afirmaram que a Bienal foi o principal motivo para visitarem a cidade, o que podemos chamar de turistas literários. Consequentemente, todo esse movimento impacta a economia dentro e fora dos pavilhões, desde a venda de livros até o aquecimento no mercado hoteleiro da cidade — analisa Samuel Barros, reitor do Ibmec Rio de Janeiro e coordenador técnico da pesquisa.
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O estudo apontou ainda que, entre os visitantes de fora do município, 62% disseram que certamente retornariam à cidade nos próximos 12 meses, devido à boa experiência que tiveram. Os pesquisadores entrevistaram 2.897 pessoas durante o evento. O intervalo de confiança médio do estudo é de 95%.
Com o conceito inédito de Book Park, a Bienal do Livro Rio transformou o Riocentro num imenso parque literário, onde as histórias ganharam vida por meio de ativações culturais, experiências imersivas e programação interativa para todas as idades. Foram mais de 700 expositores participantes e 6,8 milhões de livros vendidos. Segundo o levantamento, a estimativa é que os gastos diretamente associados ao evento tenham sido de R$ 589 milhões. Valor próximo à estimativa que a Prefeitura do Rio divulgou (R$ 535,4 milhões) na tarde do último dia do festival.
— A pesquisa revela que a Bienal do Livro Rio, que já estava entre os quatro maiores eventos do Rio, é não só um Patrimônio Cultural Imaterial da cidade, mas um importante ativo de desenvolvimento econômico, social e cultural do estado do Rio de Janeiro. Os eventos, tanto os de público final quanto os técnico-científicos e de negócios, são uma espécie de molas propulsoras da economia, capazes de impulsionar diretamente diversos setores — destaca Milena Palumbo, CEO da GL events na América Latina, realizadora do evento, ao lado do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).
Este ano, o Rio foi considerado a Capital Mundial do Livro, status concedido pela Unesco. O título come ou a vigorar no dia 23 de abril. As cidades que recebem a chancela se comprometem a promover o livro e a leitura para todos os grupos sociais e faixas etárias, dentro e fora do país, e a organizar um calendário de atividades durante o período de vigência da qualificação, que dura 12 meses. E a Bienal do Livro foi uma das principais atrações da programação.