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novembro 2, 2026
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Binance registra quase US$ 5 bi em retiradas após ataque hacker

Por · novembro 2, 2026
Trump diz que EUA investigam se ataque hacker à Binance foi obra da Coreia do Norte


A Binance registrou US$ 4,7 bilhões em saídas líquidas desde a retomada dos saques, após sofrer um ataque hacker histórico. O montante representa cerca de 3% do total de ativos sob gestão da corretora, segundo um porta-voz da empresa.
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Os números mudaram desde que a Binance restabeleceu a possibilidade de os clientes retirarem seus recursos, mas os impactos ainda parecem relativamente limitados. Segundo o porta-voz, os saques permaneceram dentro das expectativas da corretora, enquanto os depósitos vêm “aumentando de forma constante”.
Operadores e formadores de mercado têm demonstrado uma avaliação semelhante e se surpreenderam com a rapidez com que a Binance conseguiu conter o roubo cibernético de proporções inéditas, atribuído à Coreia do Norte. O ataque provocou a retirada de US$ 6,3 bilhões em ativos em questão de instantes. Executivos da corretora trabalharam em conjunto com parceiros do setor e órgãos governamentais para congelar as operações e investigar o caso.
A Binance restabeleceu o acesso dos clientes antes do previsto neste domingo e tem usado uma combinação de recursos próprios, incluindo lucros, fundos de emergência e de seguro, para ressarcir os clientes.
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A forma como a Binance absorveu o impacto até agora é “absolutamente impressionante”, afirmou Karl-Martin Ahrend, cofundador da Areta, consultoria especializada em ativos digitais. Segundo ele, algumas saídas de recursos e ajustes nas carteiras dos investidores são “absolutamente esperados”, mas não devem provocar efeitos no longo prazo.
O mercado de ativos digitais como um todo permaneceu relativamente estável após o incidente. O Bitcoin, principal referência do setor, teve pouca variação e era negociado em torno de US$ 77.830 na manhã desta segunda-feira, durante o horário comercial em Nova York.
Saídas representam pequena parcela
A confiança dos investidores na Binance se deve, em parte, à avaliação de que o balanço da corretora é robusto o suficiente para suportar um ataque hacker dessa dimensão.
Nesta segunda-feira, a Binance detinha US$ 157 bilhões em ativos, segundo um porta-voz da empresa, com base em estimativas internas que consideram o impacto do ataque, os saques realizados posteriormente e as oscilações de preços. Nem todos os saques necessariamente partiram de clientes, já que a Binance também vem transferindo ativos entre carteiras, como afirmou anteriormente a cofundadora e CEO da empresa, Yi He.
Embora as saídas líquidas de US$ 4,7 bilhões representem um valor elevado, elas ainda correspondem a uma pequena parcela do alcance total da Binance, afirmaram especialistas. Da mesma forma, os US$ 6,3 bilhões roubados podem parecer administráveis quando considerados no contexto das operações da corretora.
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A receita bruta anual da Binance parece ficar entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões, com base nas taxas e nos volumes divulgados pela empresa, além de declarações de executivos, afirmou Joshua Lim, co-head da área de mercados da FalconX.
— Embora essa perda prejudique a reputação do setor, acreditamos que a Binance tem força financeira para retomar suas operações normalmente — disse.
Além disso, por ser o maior centro de liquidez do mundo, a Binance continua sendo uma plataforma na qual as contrapartes dizem ter poucas alternativas além de seguir negociando.
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Julia Zhou, presidente e cofundadora da Caladan, empresa que atua como formadora de mercado de criptomoedas, citou o segundo maior ataque hacker da história do setor para contextualizar o episódio. No ano passado, a Bybit perdeu cerca de US$ 1,5 bilhão em um ataque que o FBI associou à Coreia do Norte, assim como fez no caso da Binance. O episódio foi seguido por uma onda de saques, mas as retiradas acabaram se estabilizando.
— Do ponto de vista da formação de mercado, também acompanhamos os fluxos líquidos, se os depósitos voltam, como se comportam a liquidez das negociações e a profundidade do mercado, além de verificar se os recursos estão migrando para outras plataformas — afirmou Zhou. — No fim das contas, o teste mais importante é saber se a Binance conseguirá manter condições normais de negociação.
Avanço dos ataques cibernéticos
O mercado de criptomoedas como um todo enfrenta um aumento dos crimes cibernéticos neste ano, impulsionado, em parte, pela crescente sofisticação e maior disponibilidade de ferramentas de inteligência artificial (IA). O grupo norte-coreano conhecido como “TraderTraitor”, responsabilizado pelo FBI pelo ataque à Binance, pode ser apenas mais um exemplo disso.
A sequência de ataques hacker expôs vulnerabilidades em plataformas populares de criptomoedas e até mesmo em carteiras de hardware, por muito tempo consideradas a forma mais segura de armazenar tokens. Na prática, esses recursos não são tão seguros quanto os clientes imaginavam.
Em setembro, milhões de dólares foram retirados da Bitget depois que hackers roubaram mais de US$ 100 milhões em bitcoins de carteiras protegidas por dispositivos físicos da Coinkite. Adulterações envolvendo dispositivos semelhantes da Ledger também provocaram perdas de milhões de dólares.
O investidor comum em criptomoedas “pode se sentir um pouco sem saída”, afirmou Nick Smart, diretor de inteligência da plataforma de análise de criptoativos Crystal Intelligence. No entanto, “a Binance continua sendo a principal corretora do mercado, apesar das saídas de recursos. Portanto, mesmo que a plataforma esteja abalada, está longe de ter perdido sua posição”.

Binance registra quase US$ 5 bi em retiradas após ataque hacker