A plataforma Empreender Clima, uma ferramenta inédita lançada durante a COP30, promete estimular o empreendedorismo climático no Brasil e ampliar o acesso de pequenas e médias empresas ao financiamento voltado à economia verde e de baixo carbono. Disponível gratuitamente via internet, o site oferece trilhas de capacitação e uma ferramenta de pré-enquadramento focada especificamente em facilitar o acesso ao crédito.
Os pequenos negócios enfrentam diversas barreiras, como a baixa disponibilidade de crédito, o desconhecimento das opções de financiamento verde e a dificuldade de organizar as informações exigidas pelos bancos. A ferramenta de pré-enquadramento foi desenvolvida justamente para auxiliar esses empreendedores a apresentarem seus projetos aos bancos e às cooperativas de crédito.
Esse problema acabou sendo acentuado por uma melhora no cenário de crédito brasileiro. Administrados pelo BNDES, os recursos do Fundo Clima – que financia empreendimentos que tenham como objetivo a mitigação das mudanças climáticas – vêm crescendo exponencialmente, e as aprovações de financiamento devem chegar a mais de R$ 12 bilhões até 2026.
— É fundamental que o BNDES crie mecanismos para facilitar que o recurso chegue aos pequenos empreendimentos que têm como base a atuação ambiental ou mesmo negócios já tradicionais, mas que estejam adaptando sua operação a práticas sustentáveis, e isso já é uma realidade para muitas médias e pequenas empresas, que precisam então de apoio financeiro para impulsionar essa atuação sustentável — analisa Maria Fernanda Coelho, diretora de Crédito Digital para MPMEs e Gestão do Fundo do Rio Doce do BNDES.
— O Empreender Clima reforça o compromisso do BNDES com os pequenos e médios negócios. Nos primeiros nove meses do ano, 67% do crédito que injetamos na economia chegou às MPMEs. Agora, queremos ampliar o acesso ao financiamento climático. A plataforma mostra que a economia verde não é um nicho, mas uma agenda que já faz parte do cotidiano de quem empreende no Brasil — afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
A plataforma resultou de uma parceria com o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), com o Sebrae e com a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) para buscar uma solução multidisciplinar diante da complexidade dos problemas que impediam o pequeno negócio de acessar oportunidades de financiamento verde.
O sistema, desenvolvido para ser intuitivo, conduz o usuário por perguntas objetivas que ajudam a identificar a melhor linha de financiamento. Ao final, o usuário recebe automaticamente um projeto de pré-enquadramento, pronto para ser apresentado à rede de mais de 80 bancos e cooperativas credenciados ao BNDES. A análise financeira — como situação fiscal e capacidade de execução — é feita posteriormente pela instituição de crédito escolhida pelo empreendedor.
Além do crédito, a capacitação
O Fundo Clima contempla uma ampla gama de iniciativas, incluindo desenvolvimento urbano sustentável, indústria verde, transporte de baixas emissões, transição energética, conservação de florestas nativas e gestão de recursos hídricos. Além das condições de crédito mais acessíveis, a plataforma pretende capacitar o empreendedor a gerenciar melhor seu negócio e a mensurar indicadores de impacto climático. Segundo o Sebrae, os cursos são voltados para práticas sustentáveis, economia circular, gestão de resíduos, eficiência energética.
Os treinamentos ocorrem na modalidade à distância, gratuitamente, e com conteúdo adaptado para diferentes perfis de empreendedores.
— O Sebrae apoiará o uso da plataforma por meio do Pró-Catadores, atuante na gestão de resíduos sólidos. O projeto já está rodando em 18 estados brasileiros e tem como meta atender 6.770 catadores e 333 cooperativas — afirma o presidente da entidade, Décio Lima.
A plataforma é orientada ao empreendedorismo climático de maneira geral. Neste primeiro momento, de recente lançamento, o pré-enquadramento está habilitado para os projetos de coleta seletiva e tratamento e destinação de resíduos sólidos.
O Empreender Clima se estrutura em quatro eixos. Veja quais são:
- Mapa do Ecossistema do Empreendedorismo Climático, que identifica atores, demandas e tendências do mercado verde;
- União de programas de treinamento voltados a inovação, tecnologias limpas e gestão sustentável, por meio de cursos EAD específicos para negócios climáticos;
- Oferta de informações claras sobre instrumentos financeiros, conectando empreendedores às linhas de crédito disponíveis; e
- Pré-enquadramento, o diferencial que promete aproximar os pequenos negócios do crescente volume de recursos.

