A Boeing concordou em vender sua unidade de navegação Jeppesen e ativos relacionados por US$ 10,6 bilhões (cerca de R$ 62 bilhões) em dinheiro para a Thoma Bravo, um dos maiores investidores do mundo com foco em software, garantindo recursos que a fabricante de aviões poderá usar para reduzir sua dívida.
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O acordo também inclui as empresas ForeFlight, AerData e OzRunways da Boeing, segundo comunicado divulgado nesta terça-feira. Sob a propriedade da Thoma Bravo, a Boeing continuará acessando os dados necessários para serviços de manutenção, reparo e diagnóstico.
A Jeppesen, que fornece planos de voo interativos, é lucrativa e possui uma ampla base de clientes, desde companhias aéreas até pilotos amadores. A empresa, adquirida pela Boeing em 2000 por US$ 1,5 bilhão (R$ 8,8 bilhões), é um dos ativos não essenciais que a fabricante de aviões está buscando vender para reduzir sua dívida de US$ 58 bilhões (cerca de R$ 340 bilhões) e se recuperar de uma série de falhas estratégicas.
As ações da Boeing, que divulgará seus resultados na quarta-feira, subiram 2,45% nas negociações pré-mercado nos Estados Unidos.
O acordo representa o maior movimento até agora do CEO da Boeing, Kelly Ortberg, para enxugar o portfólio da empresa e concentrar-se em suas operações principais: fabricação de aviões comerciais e militares. Ortberg afirmou que pretende fazer uma redução seletiva dos negócios da Boeing, e não cortes drásticos.
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Com os outros ativos incluídos, a venda teve um valor maior do que o inicialmente previsto. O ForeFlight, um aplicativo de navegação aérea, é amplamente utilizado por pilotos amadores. A Boeing o comprou em 2019. O OzRunways é um aplicativo que ajuda pilotos a acompanhar os volumosos NOTAMs, ou avisos da Administração Federal de Aviação (FAA) dos EUA.
A Thoma Bravo superou outras firmas de private equity interessadas na Jeppesen. Em janeiro, a Bloomberg informou que os interessados incluíam Advent, Blackstone, Carlyle Group, Veritas Capital e Warburg Pincus.
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A unidade também atraiu o interesse de empresas como Honeywell International, TransDigm Group, RTX Corp. e GE Aerospace, além das firmas Carlyle Group e Warburg Pincus, segundo informou a Bloomberg News.
