O Ibovespa voltou a marcar um novo recorde de fechamento nesta sexta-feira, embalado por pesquisas eleitorais que mostram chances maiores de perspectiva de alternância de poder. O índice ultrapassou pela primeira vez os 208 mil pontos e encerrou a semana em valorização preliminar de 8%, no maior avanço semanal desde fevereiro.
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Segundo a primeira pesquisa Datafolha para o segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL) tem 52% dos votos válidos, enquanto Lula (PT) tem 48%.
Já o dólar encerrou em baixa de 0,8%, cotado a R$ 4,98. Dos R$ 5,21 na sexta-feira passada, a moeda americana desvalorizou 4,4% na semana, a maior desvalorização semanal desde a semana seguinte ao primeiro turno das eleições presidenciais de 2022.
Todo esse movimento de apetite a risco nos indicadores é centrado na expectativa de ajuste fiscal. Hoje, a trajetória crescente da dívida pública faz com que o governo precise oferecer rendimentos cada vez mais atraentes para conseguir honrar seus compromissos. Se houver uma revisão em seus gastos, a tendência é que esses juros diminuam. E a alternância no poder é lida pelo mercado como mais propositiva em realizar tal ajuste.
Nesta sexta-feira, a valorização foi puxada, novamente, pela alta de papéis voltadas à economia doméstica. As ações da Renner e Magazine Luiza subiam, respectivamente, 11% e 20% momentos antes do encerramento das negociações. Os bancos também valorizavam, contribuindo com o ímpeto do Ibovespa: o BTG avançava 4,3% e o Itaú subia 2,2%.
— A Bolsa estava muito barata e tinha-se muita pouca alocação de Bolsa brasil. Dado todo o cenário de juros muito altos, muita aversão a risco, quase ninguém tinha Bolsa. E, quando houve o cenário com Flavio à frente, o mercado ajustou as posições. Isso permitiu um movimento tão grande na segunda-feira e há tendência desse movimento continuar — afirmou Jerson Zanlorenzi, chefe da mesa de ações do BTG Pactual.
Na semana, Magazine Luiza, Renner, Cyrela e C&A, exemplos de empresas que se beneficiam de um cenário de juros menores, valorizaram mais de 15%.
Na leitura da consultoria inglesa Capital Economics, “a maior parte das notícias positivas já parece estar precificada nos mercados de câmbio e de ações”. Para a casa, “a manutenção da alta dos mercados financeiros brasileiros e novas quedas nos rendimentos dos títulos, porém, exigirão medidas fiscais concretas”. Os detalhes, no entanto, “continuam preocupantemente escassos”.
O chefe da mesa do BTG afirma que o movimento recente se reflete apenas à perspectiva de alternância, mas que os próximos passos podem representar novos movimentos de valorização:
— Se tivermos desfecho com vitória da oposição, e aí o anúncio de equipe e, depois, as reformas, podemos ter um movimento ainda maior. A resposta atual está longe de ser o movimento todo — afirma ele, que vê o avanço da direita no Congresso como um ponto que pode contribuir com o andamento de medidas mais rígidas no controle dos gastos públicos.
Juros e dólar caem
Os juros futuros encerraram a semana em forte recuo. De sexta-feira passada para hoje, a Taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 recuou quase um ponto percentual perto das 17h, enquanto para janeiro de 2030 cedeu 1,6 ponto percentual.
Tanto a perspectiva de ajuste quanto do pé no freio do impulso fiscal fazem a curva “queimar” os prêmios embutidos nas taxas, avalia Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset.
— Com uma eventual troca de governo, você teria uma trajetória para a dívida pública um pouco menos danosa e passa a ter a ideia que o impulso fiscal será ainda menor. Essa desaceleração deve tirar um pouco sobre a pressão da dinâmica de inflação — afirma ela. O movimento, como consequência, enseja juros menores.
Nesta sexta-feira, o mercado passou a embutir a estimativa de que a Taxa Selic alcance os 11,75% no fim do ano que vem, o que representa uma redução de dois pontos percentuais em pouco mais de um ano. Hoje, a taxa básica de juros do país está em 13,75%.
Marianna também endossa a falta de clareza do programa do candidato à direita, mas diz que o movimento de recuo nos juros e no câmbio reflete apenas a expectativa.
— Quem é o programa, quem são as pessoas na Fazenda, no Planejamento. Isso tudo ainda está em aberto, é preciso entender quem é a equipe e qual é o programa. Isso só vai acontecer após o segundo turno. Ainda vamos trabalhar dentro das expectativas até lá, que saem das sinalizações — afirma.
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Bolsa renova recorde e dólar tem maior queda semanal desde 2022
