A trajetória de muitos alunos que passaram pelas competições do Intercolegial 2025 é marcada por disciplina, superação e oportunidades que transformam sonhos em realidade. Em comum, esses jovens compartilham um incentivo decisivo: as bolsas a atletas. Concedidas por instituições públicas e privadas, elas ajudam a manter estudantes no esporte e na escola, oferecendo suporte financeiro e reforçando a importância da prática esportiva como ferramenta de inclusão e crescimento.
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No tabuleiro do xadrez, Isaac Felipe Marcolino, de 17 anos, morador da Pavuna, descobriu cedo o jogo que hoje define sua rotina. A paixão se acendeu durante a pandemia, quando passou a estudar a modalidade on-line, acessando livros e plataformas de treino. Aluno do Colégio Pedro II desde 2023, ele integra o clube de xadrez da escola — onde também atua como monitor.
— A bolsa do CPII me ajuda com alimentação, transporte e material. O xadrez exige paciência e resiliência. Meu objetivo é ser mestre nacional e, quem sabe, um dia chegar ao título de grande mestre internacional — conta.
Isaac participou do Intercolegial em 2023 e diz que a competição reforçou seu desejo de seguir no esporte, mostrando que o xadrez é também um caminho para desenvolvimento pessoal. No caso do Colégio Pedro II, a concessão da bolsa acontece como forma de reconhecimento pelo envolvimento do aluno com as atividades extracurriculares e pelo desempenho em torneios.
A trajetória de Marcella Fernandes, de 15 anos, aluna do 1º ano do ensino médio no Santa Mônica, também começou de forma inesperada. Em 2018, enquanto acompanhava os pais em uma entrega na Vila Olímpica de Mesquita, na Baixada Fluminense, foi convidada por uma professora para experimentar o handebol. Aceitou o convite, voltou dias depois e nunca mais largou o esporte. Com dedicação e pontualidade nos treinos, foi selecionada, em 2023, para receber uma bolsa atleta na rede privada.
— Meus pais não teriam condições de pagar os estudos. A bolsa mudou minha vida. Quero chegar à seleção brasileira um dia — diz Marcella.
Ela já participou de duas edições do Intercolegial: em 2023 foi vice-campeã pelo sub-14; e em 2024, ficou em terceiro lugar pelo sub-18. Para ela, o esporte vai além da quadra: ensina valores como responsabilidade, união e superação. A jovem deixa um recado aos colegas:
— O caminho é difícil, mas todo esforço vale a pena. É preciso saber conciliar os estudos com o esporte, porque os dois andam lado a lado.
Outra história que exemplifica o papel transformador das bolsas é a de Eric Vieira, de 17 anos. Aluno do colégio J.R. Lages, do grupo pH, em Todos os Santos, ele entrou na escola com o apoio de uma parente que sabia de seu envolvimento com o futebol e o vôlei. O talento esportivo e a dedicação o levaram a conquistar uma bolsa integral de estudos.
—A bolsa foi essencial para mim e para a minha família. Moro com seis pessoas, e não ter que pagar escola fez toda a diferença. O esporte melhorou minha saúde e me deu disciplina— afirma ele, que jogará pelo time de vôlei da escola nesta edição.
Eric treinou futebol em escolinhas e chegou a disputar campeonatos por clubes. Hoje, com os estudos como prioridade, ainda sonha em se tornar jogador profissional, de preferência no Flamengo, seu time do coração. Ele reconhece que o esporte segue sendo uma base importante na sua formação.
—Meu conselho para quem quer seguir no esporte é acreditar em si, manter a fé e nunca perder a humildade. Ter os dois pés no chão é o mais importante — afirma.
Agora, os três atletas se preparam para as competições que vão começar no segundo semestre.
O Intercolegial, ao longo dos anos, tem sido palco não apenas de conquistas esportivas, mas também de encontros que mudam trajetórias.