Parlamentares bolsonaristas criticaram a exposição de conversas entre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), após ambos serem indiciados pela Polícia Federal (PF) ontem. Em um relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, ambos foram acusados de coação e obstrução da Justiça em decorrência da atuação do deputado junto ao governo dos Estados Unidos. Nos posts, aliados também atacaram a ordem do ministro Alexandre de Moraes que autorizou a busca e apreensão contra o pastor Silas Malafaia, cumprida por investigadores no momento em que desembarcou no Rio ontem.
Entre os que se manifestaram, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) disse que o pai é alvo de uma “fishing expedition”, em referência à exposição da troca de mensagens entre Bolsonaro e aliados descritos no relatório final da PF. No post, publicado em sua conta no X, ele também afirmou que o ex-presidente é alvo de “um manual de perseguição que faria inveja aos maiores ditadores da história” para “desgastar, sufocar e apagar qualquer voz que confronte a engrenagem”.
Também em crítica à publicização das mensagens encontradas no celular de Bolsonaro, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) disse que “as únicas coisas que não vazam no Brasil” seriam “o celular de Adélio”, homem que esfaqueou o ex-presidente em 2018, “a gravação do aeroporto de Roma”, em referência ao episódio em que Moraes e sua família foram hostilizados, e as gravações do 8/1.
Já o deputado Zé Trovão (PL-SC) disse, em discurso no plenário ontem, que “acabaria com a vida” de Moraes ao criticar a busca e apreensão contra o pastor Silas Malafaia.
— Que dia para se dizer mais uma vez ao Supremo Tribunal Federal. Continuem perseguindo as pessoas. Estão no caminho certo para que, daqui a pouco tempo, este país seja uma desgraça definitiva. Alexandre de Moraes, presta atenção, o seu dia, o seu fim está próximo e nós vamos acabar com a sua vida — disse Zé Trovão.
‘Vamos acabar com a sua vida’, diz deputado bolsonarista para Moares
Em seguida, o parlamentar, no entanto, recuou e disse que não queria “destruir a vida” do magistrado, e sim “acabar com a injustiça que ele comete”. Já o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), manifestou apoio a Malafaia ao dizer que “mesmo com residência fixa, endereço público e pregando semanalmente em suas igrejas por todo o Brasil, ele foi alvo de constrangimento ao lado da esposa”. “Um líder religioso, que nunca se escondeu, sendo tratado como criminoso”, ele comentou.
Do lado governista, a ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, disse que as mensagens expostas pela PF são “a prova definitiva da conspiração dos golpistas contra o Brasil”. “Quanto mais se aprofundam as investigações, mais é revelado sobre os métodos sujos da extrema-direita, sua sede de poder e seu desprezo pela democracia e pela soberania nacional”, ela escreveu.
Além de Gleisi, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT), disse que o inquérito mostrou um “escândalo em família, mas com consequências para o Brasil inteiro” e afirmou que o grupo “tenta chantagear a República”. “Gente que não respeita nem o núcleo familiar, quanto mais a Constituição, as instituições e o povo brasileiro”.
Na publicação, o parlamentar fez referência ao momento em que Eduardo xingou o pai por defender o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), após ele ter sinalizado que tentaria negociar uma saída para o tarifaço junto à embaixada brasileira.
“Eu ia deixar de lado a história do Tarcísio, mas graça aos elogios que você fez a mim no Poder360, estou pensando seriamente em dar mais uma porrada nele, para ver se você aprende. VTNC, SEU INGRATO DO CARALHO”, escreveu Eduardo na conversa
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/7/5/yjdUEKRxCHCMVwWQVw8w/print-bolsonaro-jair.png)
Logo em seguida, na tarde do mesmo dia, Eduardo reclama, aparentemente irônica, que, “se o imaturo do seu filho de 40 anos não puder encontrar com os caras aqui, porque você me joga para baixo, quem vai se fuder é você e vai decretar o resto da minha vida nesta porra aqui”. Ao fim, o deputado pede para que o pai “tenha responsabilidade!”.