Pular para o conteúdo
News

Brasil, Europa, Canadá e Quênia lançam iniciativa por reforma do sistema multilateral antes de Assembleia da ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, neste domingo, um manifesto conjunto com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, o presidente do Quênia, William Ruto, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, em defesa do multilateralismo e da reforma das instituições internacionais. O documento foi publicado pelo Financial Times às vésperas da abertura […]

ONU vota nesta sexta resolução para adotar novo mapa-múndi que mostra tamanho real da África


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, neste domingo, um manifesto conjunto com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, o presidente do Quênia, William Ruto, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, em defesa do multilateralismo e da reforma das instituições internacionais. O documento foi publicado pelo Financial Times às vésperas da abertura da semana de alto nível da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
Entenda: Extrema direita vence nova eleição estadual na Alemanha e amplia pressão sobre Merz
Susy Aponte: quem era a jornalista e candidata a governadora assassinada a tiros durante ato de campanha no Peru
Os quatro líderes também anunciaram a criação dos “Parceiros para o Multilateralismo, o Direito Internacional, a Paz e a Prosperidade” (P4M, na sigla em inglês). A iniciativa pretende reunir países de diferentes regiões em torno do fortalecimento da cooperação internacional, sem substituir a estrutura existente da ONU. Uma cúpula do grupo está prevista para esta segunda-feira, dia 21, em Nova York.
No manifesto, os líderes afirmam que o mundo vive um paradoxo: ao mesmo tempo em que as economias e as sociedades estão cada vez mais interdependentes, a ordem internacional se tornou mais fragmentada e polarizada. Eles citam o comércio global, que chegou a US$ 35 trilhões no ano passado, e a expansão do acesso à internet, que chegou a três quartos da população mundial, como exemplos dessa interdependência.
O documento também aponta o aumento dos conflitos armados e dos gastos militares. Segundo os dados apresentados pelos signatários, 2025 registrou 65 conflitos armados entre Estados em 35 países, o maior número desde 1946, enquanto os gastos militares globais chegaram a US$ 2,9 trilhões.
Reforma da ONU
A proposta prevê apoio a reformas na ONU e em outras instituições multilaterais para torná-las mais representativas, legítimas, eficazes e confiáveis. O grupo também pretende ampliar a cooperação entre organizações regionais.
Os signatários citam desafios que, segundo eles, exigem respostas coordenadas, como mudanças climáticas, inteligência artificial, novas pandemias, instabilidade financeira, guerras e interrupções nas cadeias globais de abastecimento.
— A P4M apoiará a reforma da ONU e de outras instituições multilaterais para torná-las mais representativas, legítimas, eficazes e confiáveis. A iniciativa busca fortalecer a cooperação entre organizações regionais, contribuir para a paz e a segurança, aprimorar a governança econômica global e desenvolver abordagens comuns para desafios emergentes, da inteligência artificial e das mudanças climáticas à segurança sanitária e à transformação digital — aponta o texto.

A iniciativa é apresentada como uma plataforma flexível e aberta, e não como um novo bloco internacional. Segundo o manifesto, o objetivo é reunir países que possam ter divergências em diferentes temas, mas que compartilhem princípios previstos na Carta das Nações Unidas e no direito internacional.
— A questão não é saber se o multilateralismo pode sobreviver, mas como ele deve evoluir para atender às realidades de nosso tempo — diz o manifesto.
A Assembleia Geral da ONU começa a semana de debates de alto nível nesta terça-feira, dia 22. A 81ª sessão tem como tema “Restaurar a confiança, gerir a transformação: umas Nações Unidas para benefício de todos”. Lula está entre os chefes de Estado que participarão dos encontros em Nova York, e fará o discurso de abertura do evento.
Ao final do manifesto, os quatro líderes convocam outros governos a aderirem à iniciativa e defendem a renovação da cooperação internacional diante das mudanças na ordem global.

Brasil, Europa, Canadá e Quênia lançam iniciativa por reforma do sistema multilateral antes de Assembleia da ONU

Autor

BRCOM