Duas brasileiras receberam estatutos de vítimas após prestarem queixas de agressões à Polícia de Segurança Pública (PSP) de Portugal.
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X, chefe de cozinha (37 anos), e Y, cinegrafista (35), denunciaram que foram agredidas na madrugada do dia 31 de outubro na calçada de uma boate em Lisboa.
Elas esperavam um carro chamado por aplicativo quando dizem que um homem guiando uma moto subiu na calçada, avançando com o veículo para cima de ambas.
– (…) meio que querendo passar por cima da gente. Quando eu fui falar com ele, foi super agressivo e a gente meio que discutiu. Depois, ele já foi batendo – disse a chefe de cozinha.
Ela e a amiga, segundo seus depoimentos em áudios enviados a um amigo que estava no local, foram atingidas com socos e pelo capacete que o homem carregava em uma das mãos:
– Ele me deu um soco, acho que bateu com o capacete em mim e depois fez o mesmo com a Y.
X. levou ao menos cinco pontos na boca, que, segundo um amigo, serão retirados em até oito dias “Como é autônoma, não pôde parar e teve que continuar trabalhando”, disse o amigo.
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Y. afirmou que não lembra do momento da ação, apenas que esperava o carro e, logo depois, já estava caída no chão com o pé direito quebrado:
– O que eu sei é o que me contaram: X. foi falar com o cara da moto e ele deu com o capacete na boca. Ela disse que fui socorrer e ele me deu um murro. Parece que depois eu comecei a bater nele, não se sabe o que aconteceu e eu fiquei com o pé quebrado.
Y. teve fratura exposta no tornozelo direito e está internada aguardando a cirurgia sem previsão de alta. Segundo um amigo, ficará “meses sem poder apoiar o pé no chão e impossibilitada de trabalhar”.
Seguranças do local foram em direção à cena e, segundo testemunhas que pediram anonimato, foram xenófobos e machistas. Fatos confirmados por X. em áudio.
– Eles falaram que homem tinha que ser respeitado, não só com a gente, mas com outras pessoas. E falaram para a gente voltar para a nossa terra – declarou X.
Uma testemunha, produtora da festa brasileira no local, disse que foi interpelar os seguranças e ouviu que o agressor seria o chefe, mas não estaria de serviço. Ela disse que foi ela que chamou o socorro:
– Os seguranças disseram que ele teve razão, porque estavam sendo violentas (…) xingando ele. Eu disse que xingamento não justifica agressão. Eles responderam: “No meu país é assim, não sei como é no seu país”.
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A testemunha afirmou que “tanto o dono do espaço quanto um dos seguranças repetiram” os ataques xenófobos e a apologia à violência.
A polícia foi chamada ao local, assim como uma ambulância. A produção da festa publicou nota de repúdio.
A boate publicou nota onde afirmou ter sido a “primeira a contatar a PSP” e que o agressor “não faz parte do quadro nem integra a equipe de segurança”, que é terceirizada.
Também informou que os seguranças atuaram para “apaziguar a situação” e evitar mais violência.
Mesmo ressaltando que o incidente aconteceu “no exterior e não teve relação com a atividade da casa”, a boate pôs as imagens de segurança à disposição e disse que vai colaborar com a investigação.
A boate disse que rejeita “de forma categórica qualquer acusação de comportamento machista, xenófobo ou homofóbico” e que a “inclusão e o respeito são princípios inegociáveis”.
Por fim, lamentou o que chamou de “certos comportamentos associados ao consumo excessivo de álcool e substâncias ilícitas” que, segundo a boate, originaram “linguagem ofensiva e imprópria”.
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