A direção do Banco de Brasília (BRB) deve convocar nesta terça-feira uma nova Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de acionistas para aprovar o aumento de capital da instituição. Como o prazo mínimo entre a convocação e a realização é 30 dias nesses casos, a assembleia somente deverá ocorrer a partir do último dia de abril.
A medida é necessária para reforçar o patrimônio e o balanço do banco controlado pelo governo do Distrito Federal, após prejuízo decorrente das operações com o Master.
O plano do BRB era realizar a AGE em 18 de março, mas a reunião de acionistas foi cancelada na véspera. Na ocasião, o banco alegou a necessidade de aprofundar os estudos técnicos “relacionados à estruturação de sua base de capital, incluindo a avaliação econômico-financeira de ativos e a análise de alternativas envolvendo fluxos de recebíveis de titularidade do Distrito Federal”.
A medida foi tomada devido à insegurança jurídica envolvendo a criação de um fundo imobiliário com ativos cedidos pelo governo.
A estratégia era levantar R$ 6,6 bilhões a partir da venda de cotas desses fundos. Diante de incertezas, o controlador pediu ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) um empréstimo de R$ 4 bilhões para capitalizar o BRB, junto a outras medidas complementares.
Prazo vence e balanço não será divulgado
Como o empréstimo ainda está na fase de tratativas entre o controlador e o FGC, o BRB não vai divulgar o balanço de 2025 nesta terça-feira, 31 de março, conforme exige a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Com isso, o banco passará a pagar uma multa diária de R$ 1 mil até a regularização.
O BRB não publicou os balanços do terceiro e quarto trimestres de 2025. Os últimos dados disponíveis são de junho.
A direção do banco afirma que o balanço será divulgado o mais rápido possível. A instituição é pressionada a apresentar também dados parciais do primeiro trimestre de 2026.
Segundo interlocutores, o BRB trabalha na execução do plano de capitalização da instituição entregue ao Banco Central em 6 de fevereiro. O prazo para a conclusão dos trabalhos é de 180 dias.
O plano contempla várias medidas, como linha de financiamento via consórcio de bancos, empréstimo do FGV, fundo imobiliário, dentre outros.
Na próxima semana, a direção do banco pretende enviar ao Banco Central e à Polícia Federal o resultado final da auditoria conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados e pela consultoria Kroll. Os trabalhos apontam indícios de fraude, com prejuízos ligados a operações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Os negócios entre o BRB e Master foram realizados na gestão do ex-presidente Paulo Henrique Costa, indicado por Ibaneis e afastado do cargo por decisão judicial.
Costa foi o responsável pela compra de carteira do Master no volume de R$ 12,2 bilhões e apesar da substituição de ativos com problemas por outros, o BRB terá que provisionar mais de R$ 6 bilhões em riscos de perdas, o que deve levar a um prejuízo no seu balanço de 2025.
Em entrevista ao GLOBO, o presidente do BRB, Nelson de Souza, afirmou que a instituição precisa de um aporte de R$ 8,8 bilhões para se enquadrar nas regras de solvência do setor financeiro.

