Um turista britânico de 60 anos precisou ser resgatado por helicóptero após desrespeitar sinais de alerta e ultrapassar barreiras de segurança em uma trilha nos Alpes italianos, na região das Dolomitas. Agora, ele enfrenta uma conta salgada de 14,2 mil euros (cerca de R$ 90 mil) para cobrir os custos da operação de resgate.
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De acordo com o Serviço Alpino e Espeleológico de Vêneto (CNSAS, na sigla em italiano), a operação mobilizou dois helicópteros, mais de uma dezena de socorristas especializados e equipes de apoio. O incidente aconteceu na última quinta-feira (31), na área de Cortina e San Vito di Cadore — uma das mais perigosas da região.
Segundo a entidade, o homem partiu de manhã do Passo Tre Croci e acionou o resgate enquanto percorria a via ferrata Berti, informando que pedras estavam caindo. Sem equipamento adequado para fornecer sua localização exata, ele foi orientado a permanecer abrigado até que a visibilidade melhorasse. Quando as nuvens dissiparam, foi localizado no centro de um deslizamento de pedras, a 2.400 metros de altitude.
— O homem passou por pelo menos quatro placas de sinalização e teve que se arrastar por baixo de uma barreira. Outros trilheiros o alertaram para voltar, mas ele seguiu em frente — afirmou Maurizio Dellantonio, chefe do CNSAS, à CNN americana.
O episódio acendeu o alerta entre autoridades locais.
— O que aconteceu merece reflexão — disse Giuseppe Dal Ben, comissário de saúde da região das Dolomitas, à rede americana. — Helicópteros são essenciais para situações críticas. Por isso, não devem ser usados como táxis.
A multa aplicada ao britânico foi superior à de dois belgas resgatados na mesma região uma semana antes. Como cidadãos da União Europeia, eles pagaram bem menos, um reflexo das diferenças burocráticas pós-Brexit.
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A temporada de trilhas nos Alpes tem sido a mais letal do século, com mais de 80 mortes entre 21 de junho e 23 de julho, segundo o CNSAS. Outros cinco ainda estão desaparecidos. O aumento de 20% nas chamadas de resgate fez com que diversas trilhas da região fossem interditadas.
As condições perigosas são atribuídas ao clima extremo: tempestades repentinas têm provocado deslizamentos, inundações e até nevascas fora de época. Vários trilheiros resgatados foram hospitalizados com hipotermia.
O CNSAS reforçou que a medida de interditar trilhas visa proteger tanto os visitantes quanto os próprios socorristas. “A operação foi necessária devido à negligência de trilheiros frente à sinalização existente, que claramente indicava o fechamento da trilha”, declarou o órgão em nota nas redes sociais, junto de imagens de placas com a palavra “fechado” em inglês, italiano e alemão.