Dez anos depois de ser descoberto pelo público nas telas da Globo, Bruno Montaleone vive o momento mais especial de sua carreira. Aos 29, o ator carioca vem acumulando papéis que ultrapassam fronteiras, literalmente. O mais recente é também o mais aclamado: “Homem com H”, cinebiografia musical de Ney Matogrosso dirigida por Esmir Filho, conta com Montaleone no papel de Marco de Maria, companheiro do artista, e encerrou com aplausos de pé o 27º Festival de Cinema Brasileiro de Paris.
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A crítica não economizou elogios sobre o magnetismo da atuação e a carga afetiva do personagem — uma figura real, complexa, solar, mas que ao mesmo tempo vê sua vida de pernas pro ar ao receber o exame com o resultado positivo para o vírus da AIDS. Foi o tipo de papel que exige mais do que técnica: exige também escuta, entrega e tempo.
Bruno conta: “Eu sabia que o filme tinha um potencial emocional forte porque eu mesmo me emocionei durante as filmagens, especialmente na cena em que o Ney recebe o resultado negativo para HIV, ao lado do Marco, meu personagem. Aquilo me atravessou de um jeito difícil de explicar. E quando vi que o público também sentiu, também chorou com aquela cena, foi muito bonito. Saber que essa emoção viajou junto com o filme, sem legenda que dê conta, foi uma das coisas mais comoventes dessa experiência toda.”
O sucesso da cinebiografia, no entanto, não é um caso isolado. Montaleone vem, há algum tempo, participando de produções brasileiras que ganham o mundo via streaming. Em 2022‑2024, deu vida ao Fabrício em “De Volta aos 15”, série da Netflix que conquistou alcance internacional e gerou mensagens de fãs da América Latina e Europa, confirmando seu impacto global.
Também estrelou “O Lado Bom de Ser Traída”, ao lado de Giovanna Lancellotti, que não só ficou entre os três filmes mais assistidos no Brasil, como também entrou no Top 10 global de filmes de língua não-inglesa da Netflix por diversas semanas — inclusive alcançando a 6ª posição — e registrou mais de 25 milhões de views.
A essa altura, fica difícil chamar tudo isso de coincidência. Bruno virou uma espécie de rosto familiar da nova leva de produções brasileiras que dialogam bem com o público internacional: obras pop, sim, mas com identidade e com performances que fazem por merecer o reconhecimento.
Ele comenta: “É curioso ver o quanto a recepção lá fora muda a nossa própria percepção do que estamos fazendo aqui. Quando um filme como ‘Homem com H’ mexe com plateias que não falam nossa língua, que não viveram aqueles anos, que não conhecem Ney em tamanha profundidade, isso mostra que tem algo ali que toca. É a potência da história, da música, da estética, mas também é o corpo do ator, que precisa carregar tudo isso com verdade. Esse tipo de circulação cultural não é só prestígio; é também um aprendizado. Quando eu atuo em um filme que vai parar numa sala de cinema em Paris, ou numa casa na Costa Rica via Netflix, eu estou participando de uma troca. A gente exporta arte, linguagem, tensão. E volta com um outro olhar. O intercâmbio não é só geográfico. Eu cresço como artista, mas também como sujeito num mundo que está o tempo todo se traduzindo.”