Um cachorro-do-mato e uma fêmea de macaco-prego voltaram à natureza nesta quinta-feira (20), depois de passarem por tratamento e recuperação. Os animais foram soltos no Parque Nacional da Tijuca, após uma ação conjunta do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (SMAC) e da Clínica de Recuperação de Animais Silvestres da Universidade Estácio de Sá (CRAS Unesa).
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O cachorro-do-mato, um macho adulto da espécie Cerdocyon thous, foi atropelado em abril na Estrada das Canoas, em São Conrado. O animal foi encontrado ferido no dia 9 daquele mês, em uma área próxima aos limites do Parque Nacional da Tijuca. Um policial militar que passava pelo local fez o resgate e o levou para o CRAS Unesa, em Vargem Pequena.
O animal sofreu uma fratura na pata dianteira esquerda e ficou sob os cuidados da equipe veterinária, coordenada pelo veterinário Jeferson Pires, até estar recuperado e apto a retornar à mata.
Já a macaca-prego, da espécie Sapajus nigritus, foi resgatada em julho, na Floresta da Tijuca. Ela chegou à clínica com traumatismo craniano e permaneceu em tratamento até a recuperação completa.
Após a avaliação veterinária, a clínica acionou a Patrulha Ambiental da SMAC, responsável por resgates e solturas de animais silvestres na cidade. Como o destino escolhido ficava dentro do Parque Nacional da Tijuca, a Prefeitura solicitou autorização ao ICMBio, responsável pela gestão da unidade de conservação.
Segundo o agente de fiscalização do ICMBio Gleidson Corrêa, o caso também reforça a necessidade de atenção redobrada dos motoristas que circulam no entorno de áreas verdes.
— É uma oportunidade para pedir mais atenção aos motoristas que circulam nas vias próximas a áreas verdes. Respeite o limite de velocidade dessas áreas para diminuir o número de atropelamentos de animais — afirmou.
Ele também alertou para outro cuidado importante: não alimentar animais silvestres encontrados no parque.
— Se os animais se mantêm ariscos, eles ficam longe das pessoas, que é o mais seguro para eles — disse.
Soltura depende de avaliação e autorização
A gerente da Patrulha Ambiental da SMAC, a engenheira agrônoma Mariana Ribeiro, explicou que o retorno dos animais à natureza só acontece depois de uma avaliação que ateste que eles estão em condições de sobreviver fora do ambiente de tratamento.
— Precisamos de um laudo veterinário atestando que eles estão aptos para a soltura. A SMAC e o ICMBio trabalharam em conjunto para providenciar toda a documentação necessária — explicou.
O ICMBio alerta que animais não podem ser simplesmente soltos dentro do Parque Nacional da Tijuca sem avaliação e autorização prévia. A regra vale inclusive para ONGs e instituições de proteção à fauna.
A medida busca evitar a entrada de espécies exóticas ou de animais doentes na unidade de conservação. Também é necessário verificar se o animal mantém comportamento selvagem. Em casos de domesticação, a soltura pode colocar a própria sobrevivência do bicho em risco, sendo indicado o encaminhamento para um Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas).
O instituto também destaca que há diferença entre soltura e reintrodução. A primeira é uma ação pontual para devolver um indivíduo à natureza. Já a reintrodução é uma estratégia de conservação voltada à recuperação de uma espécie que desapareceu de determinada área, buscando também restabelecer suas interações ecológicas.
No Rio, o alerta para atropelamentos é especialmente importante em áreas próximas a grandes fragmentos de Mata Atlântica, como o Alto da Boa Vista, São Conrado e Paineiras. A cidade abriga o Parque Nacional da Tijuca e o Parque Estadual da Pedra Branca, além de outras áreas naturais.
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