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Câmara dos EUA se prepara para votar projeto para divulgação de documentos do caso Epstein após mudança de posição de Trump

BRCOM by BRCOM
novembro 18, 2025
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Donald Trump esteve em festas com Jeffrey Epstein — Foto: Reprodução de cena/Netflix

A Câmara de Deputados dos EUA deve votar nesta terça-feira um projeto de lei para obrigar a liberação dos arquivos do processo contra o bilionário Jeffrey Epstein, que cometeu suicídio na cadeia em 2019, quando era acusado de abuso sexual de menores e de chefiar uma rede de tráfico de pessoas — em um caso que implicou líderes políticos e personalidades dos dois lados do Atlântico, e que alimenta até hoje uma série de teorias sobre supostos encobrimentos e colaborações de figuras influentes da elite americana. A medida chega à fase de votação após uma mudança brusca de posição do presidente americano, Donald Trump, que após se opor à divulgação dos documentos por meses, sinalizou aos parlamentares republicanos no fim de semana que assinaria a publicação.

  • Em reviravolta: Trump diz apoiar votação da Câmara para liberar arquivos de Epstein
  • Caso Epstein: Após divulgação de e-mails, Trump critica democratas e pede investigação federal contra Clinton

A investigação sobre Epstein, um financista que frequentou círculos de elite na Flórida e em Nova York por décadas, deixou para trás uma trilha de escândalos ligados a uma rede de menores de idade que foram abusadas sexualmente por ele e alguns de seus convidados, em muitos casos personalidades. O sigilo sobre os arquivos, que citam nominalmente as vítimas, foi apontado por muitos republicanos e democratas como uma forma de não esclarecer quem seriam os colaboradores ou clientes de Epstein — apenas Ghislaine Maxwell, apontada como aliciadora do esquema, cumpre pena atualmente.

A pressão para a liberação dos documentos foi retomada na semana passada, quando deputados do Partido Democrata liberaram alguns e-mails em que Epstein citava diretamente Trump. Em um deles, o magnata afirmou que o republicano “sabia das meninas” e que passou horas com uma delas em uma de suas propriedades. Deputados republicanos então divulgaram 20 mil páginas de documentos, nos quais novos diálogos do bilionário foram expostos, incluindo mensagens com Larry Summers, ex-assessor econômico de Barack Obama e que presidiu a Universidade de Harvard, e mensagens que revelaram que o ex-presidente democrata Bill Clinton frequentou o círculo do financista nas décadas de 1990 e 2000.

Em meio à repercussão provocada pela divulgação dos novos e-mails, as vítimas de Epstein enviaram uma carta a congressistas americanos na sexta-feira, pedindo a liberação e argumentando que não se tratava de um tema partidário. Enquanto isso, Trump denunciava os pedidos de divulgação como uma farsa criada pelos democratas — e exercia pressão nos bastidores para a não aprovação.

O presidente enviou assessores para avisar os republicanos de que apoiar a iniciativa seria visto como um “ato hostil”. Ligou pessoalmente para aqueles que ousaram fazê-lo e até enviou a procuradora-geral e o diretor do FBI para se encontrarem com uma parlamentar na Sala de Situação da Casa Branca, em uma tentativa de mudar a posição dela.

Embora tenha prometido durante a campanha presidencial que iria revelar tudo sobre a investigação que ainda não estava em conhecimento público, chegando a insinuar o envolvimento de adversários, Trump criou expectativas maiores do que aquilo entregue pelas divulgações que autorizou — o que serviu de combustível para teorias de cunho conspiratório — muitas delas populares entre integrantes do seu movimentos, o “Faça a América Grande de Novo” (MAGA, na sigla em inglês).

Após a divulgação de documentos no começo do ano, sem grandes revelações, o Departamento de Justiça sob Trump divulgou um memorando não assinado em julho, informando que sua revisão dos arquivos “não revelou nenhuma ‘lista de clientes’ incriminatória”, e que não encontrou “evidências críveis” de que Epstein tenha chantageado indivíduos proeminentes como parte de suas ações”. A revelação causou mal estar com a base aliada.

Donald Trump esteve em festas com Jeffrey Epstein — Foto: Reprodução de cena/Netflix

Entre o fim da semana passada e o fim de semana, a mudança de posição do presidente em apoiar a medida ocorreu após conversas particulares com republicanos, que o alertaram de que teriam de votar pela divulgação por causa da pressão de seus eleitores. Nessas conversas, segundo uma pessoa informada sobre elas ouvida em anonimato pelo New York Times, Trump reconheceu que a votação era inevitável, e que, se precisassem apoiar a medida, deveriam fazê-lo.

Ele ouviu também republicanos dizendo que sua oposição fazia parecer que ele tinha algo a esconder. O reposicionamento, então, veio via redes sociais.

“Os republicanos da Câmara deveriam votar pela divulgação dos arquivos de Epstein, porque não temos nada a esconder”, escreveu Trump na Truth Social, abrindo caminho para a aprovação da medida. “O Comitê de Supervisão da Câmara pode ter tudo o que lhe é legalmente permitido, NÃO ME IMPORTO!”.

Na segunda-feira, Trump afirmou que assinaria o projeto de lei se ele chegasse à sua mesa, em uma nova sinalização. A expectativa é de que o projeto seja aprovado por unanimidade — sobretudo porque, em meio à pressão popular — ninguém quer parecer estar ajudando a encobrir um possível criminoso sexual.

Não está claro se a aprovação resultará em uma divulgação geral. O governo ainda pode reter parte dos documentos, incluindo por razões já mencionadas pela procuradora- geral Pam Bondi, que citou que alguns documentos permanecem em sigilo por conter imagens de vítimas, vídeos baixados de abuso sexual infantil ilegal ou materiais alvo de ordens judiciais de sigilo.

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  • Tensão com a base republicana
      • Câmara dos EUA se prepara para votar projeto para divulgação de documentos do caso Epstein após mudança de posição de Trump

Tensão com a base republicana

Nos primeiros 10 meses de sua presidência, Trump controlou a narrativa e pressionou o Congresso a fazer praticamente tudo o que queria, quase sem resistência. Mas, à medida que os republicanos se preparam para as eleições de meio de mandato e alguns começam a planejar um futuro pós-Trump, o episódio Epstein é uma rara ocasião em que ele perdeu o controle.

A medida que deve ser votada nesta terça, por exemplo foi proposta por meio de uma manobra bipartidária, conhecida como petição de desarquivamento. Os deputados Thomas Massie, republicano do Kentucky, e Ro Khanna, democrata da Califórnia, conseguiram contornar a liderança republicana na Câmara para propor a medida.

A legislação proposta por eles exige que o Departamento de Justiça torne públicos certos registros relacionados às investigações sobre Epstein e Ghislaine Maxwell.

Especificamente, o Departamento deve divulgar publicamente “todos os registros, documentos, comunicações e materiais de investigação não classificados”, incluindo “registros relacionados à detenção e morte de Epstein; registros de voo de aeronaves de propriedade ou usadas por Epstein; indivíduos mencionados em conexão com as atividades criminosas de Epstein, acordos civis, imunidade ou acordos de delação premiada; acordos de imunidade, acordos sigilosos ou acordos de delação premiada de Epstein ou seus associados; entidades com ligações com as redes de tráfico ou financeiras de Epstein; e comunicações internas do Departamento de Justiça referentes a decisões de investigar ou acusar Epstein ou seus associados”.

A legislação também exige que o Departamento de Justiça, em até 15 dias após a entrega dos documentos, forneça ao Congresso uma lista de todas as categorias de registros divulgados e retidos, todas as redações feitas e seus fundamentos legais, e “todos os funcionários do governo e pessoas politicamente expostas mencionados ou citados nos materiais divulgados”. (Com AFP, Bloomberg e NYT)

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