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setembro 30, 2026
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Candidatos contratam próprias empresas e negócios de familiares para campanhas

Por · setembro 30, 2026
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Candidatos nas eleições de 2026 contrataram empresas das quais são sócios ou que pertencem a parentes para bancar despesas com aeronaves, transporte, marketing, impressão e serviços administrativos. Campanhas registraram ao menos R$ 1,1 milhão em despesas contratadas com empresas próprias, negócios ligados a familiares e parentes contratados diretamente, em casos que envolvem esposa, cunhado, sobrinhos e filhos.
A legislação eleitoral não proíbe, por si só, a contratação de empresa do próprio candidato ou de parentes. A Justiça Eleitoral, porém, exige comprovação dos serviços prestados, transparência e compatibilidade dos valores com os preços de mercado, com maior escrutínio quando as despesas são pagas com recursos públicos.
Dos R$ 1,1 milhão identificados, cerca de 31% foram destinados a empresas das quais os próprios candidatos são sócios, e os outros 69% foram pagos diretamente a parentes ou a negócios ligados a familiares.
As despesas se concentraram em administração e gestão financeira, com 28,5% do total, aeronaves, com 19,9%, e serviços advocatícios, com 18,2%. Outros 10,1% foram destinados a marketing, mídia e publicidade, e 11,6% a pessoal e serviços de terceiros.
Fernanda Lobo de Pinho, advogada eleitoral e membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), ressalta que a fiscalização dos gastos deve ser mais cuidadosa nestes casos.
— O ponto central é verificar se existe uma contratação efetiva, necessária e realizada em condições de mercado ou se a operação pode representar uma forma de fazer com que recursos destinados à campanha retornem, direta ou indiretamente, ao patrimônio econômico do próprio candidato. Esse escrutínio deve ser ainda maior quando a contratação é paga com recursos públicos, como o Fundo Eleitoral ou o Fundo Partidário.
Aluguel de aeronave
Na Bahia, o deputado federal Dal Barreto (União Brasil), candidato à reeleição, contratou por R$ 160 mil a Barreto Participações Societárias, empresa da qual são sócios o próprio parlamentar e sua mulher, Maira Moraes Barreto, para o aluguel de uma aeronave.
A campanha também declarou R$ 70 mil em despesas com combustíveis no Posto Baitinga, em Amargosa (BA). O estabelecimento tem entre os sócios Nilzete Rosa Barreto, mãe do deputado, e faz parte da Rede Dal, ligada à família do parlamentar.
O deputado afirma em nota que o arrendamento da aeronave foi feito com recursos próprios. Até o momento, Dal declarou R$ 105 mil em recursos próprios destinados à campanha. Em relação aos abastecimentos no posto da família, afirma que a contratação foi feita após uma pesquisa de preços.
“Nas eleições de 2018 e 2022, as compras de combustível em postos ligados à família foram escrutinadas pela Justiça Eleitoral, que reconheceu a total licitude das aquisições e pagamento das despesas através do Fundo Eleitoral”, diz a nota.
Também concorrendo à reeleição na Bahia, o deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil) alugou um helicóptero da própria empresa, a Elmasio Representações.
O parlamentar afirma que a contratação segue recomendação da Justiça Eleitoral, em função da proibição de empresas fazerem doações eleitorais.
“O importante é que a origem dos recursos para o pagamento da empresa proprietária da aeronave são da própria conta de pessoa física do Deputado”, diz a assessoria em nota.
Em prestação enviada no dia 2 de setembro, a campanha havia declarado que o aluguel do helicóptero havia custado R$ 100 mil. O valor foi retificado para R$ 59 mil no último relatório financeiro enviado pela campanha. Até o momento, o deputado declarou R$ 90 mil em recursos próprios.
Empresa de marketing
No Rio, Clébio Lopes, o Jacaré (União Brasil), candidato a deputado federal, contratou por R$ 100 mil a 2U Like Comunicação e Marketing, empresa da qual é sócio-administrador, para serviços de marketing e mídia.
Neste caso, o recurso usado veio do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), já que não consta doação de Jacaré para a própria campanha.
A contratação da agência de mídia aconteceu no dia 31 de agosto. Duas semanas depois, em 14 de setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu o registro da candidatura do empresário, que concorria ao cargo de deputado federal pela terceira vez. Na decisão, a Corte considerou provas de uma ação penal na qual Jacaré foi denunciado como um dos líderes de uma organização criminosa envolvida no desvio de verbas públicas e no comando paralelo de prefeituras do interior do estado. Cabe recurso ao TSE.
O candidato afirmou que optou pela contratação da própria empresa pois seria uma alternativa mais barata.
— Nesse período de campanha as agências pedem igual se pede a Deus, qualquer edição, qualquer vídeo para campanha são orçamentos astronômicos. Como eu tenha essa agência há muitos anos, eu reduzo o custo — disse Clébio Jacaré.
Empresa do concunhado de Tarcísio
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição em São Paulo, contratou por R$ 120 mil a IPJ Assessoria Técnica, empresa da qual seu concunhado, Maurício Pozzobon Martins, é sócio, para prestar serviços financeiros à campanha. A empresa foi criada em 2024.
Maurício já havia recebido R$ 40 mil diretamente da campanha de Tarcísio no primeiro turno de 2022 para serviços de administração financeira e integra o Comitê de Auditoria da Desenvolve SP, agência de fomento ligada ao governo paulista.
Em nota, a campanha afirmou que a contratação “está amparada pela experiência profissional e pela inexistência de qualquer impedimento legal”. Afirma ainda que “Maurício Pozzobon Martins não é servidor nem empregado da Desenvolve São Paulo”.
Pozzobon é casado com Fernanda, irmã de Cristiane Ferreira da Silva Freitas, esposa do governador.
Filhos de apresentador
Também em São Paulo, o apresentador de televisão Sikêra Jr. (Republicanos), candidato a deputado federal, fez a contratação direta dos próprios filhos: José Siqueira Barros Neto recebeu R$ 40 mil como assessor pessoal, e Larissa Ludovico Siqueira Barros, outros R$ 40 mil pela administração financeira.
A campanha ainda declarou R$ 10,9 mil em gastos com uma empresa de Larissa pelo uso de um imóvel.
O apresentador deixou a televisão em junho deste ano, após aceitar o convite do governador Tarcísio de Freitas para disputar a eleição.
Por nota, a assessoria do candidato afirmou que “o vínculo familiar, por si só, não configura qualquer irregularidade. As contratações seguiram a legislação eleitoral, tiveram finalidades específicas e todos os valores foram devidamente declarados à Justiça Eleitoral.”
Escritório do sobrinho
No Acre, Mirla Miranda (Republicanos), candidata a deputada federal, contratou por R$ 150 mil o escritório de advocacia de seu sobrinho, Abner Miranda Vasques Torres, para serviços de consultoria e advocacia eleitoral. A empresa foi aberta por Abner em maio do ano passado.
Este é o maior gasto individual declarado até o momento pela campanha de Mirla e representa cerca de 13% do total em despesas contratadas.
Procurada, a candidata não respondeu aos questionamentos.

Candidatos contratam próprias empresas e negócios de familiares para campanhas