Maior e principal feira profissional de vinhos e destilados das Américas, a ProWine São Paulo começa na próxima semana com número recorde de expositores e de participantes. São 2 mil produtores vindo de 43 países. Voltada para negócios, ela é uma ramificação da gigante alemã ProWein. À frente do evento, Malu Sevieri destaca a consolidação da forte participação do Brasil, que tem pela segunda vez o maior número de estandes entre os países participantes, assim como a presença de novos terroirs, como o de Garanhus, em Pernambuco. Revela ainda tendências do mercado de bebidas, como o aumento do consumo de vinhos brancos e de espumantes, além de destilados para releituras de drinques clássicos. Confira abaixo a entrevista exclusiva.
A ProWine São Paulo
Há sete anos, batemos recorde atrás de recorde: número de visitantes, número de expositores. No ano passado, a gente fechou a ProWine São Paulo com números muito bons, passando pela primeira vez de 20 mil visitantes profissionais em três dias. Naquele momento, estávamos mais ou menos com 1.500 produtores de 36 países.
Terminamos o ano muito felizes, muito empolgados, mas sentindo uma demanda maior dos produtores internacionais. Já havia bastante produtor vindo visitar a feira pela primeira vez para ver se viria como expositor. Ao longo deste ano, isso foi se concretizando. Crescemos 9% de 2025 para 2026.
Quando a gente fala de expositores, produtores internacionais, a gente cresceu 40%. Pela primeira vez, vamos passar de 2 mil produtores vindo de 43 países. A maioria é de produtores de vinhos, mas tem de destilados também.
Também primeira vez, teremos dois pavilhões inteiros. É uma edição histórica. Acho que muito disso se deve ao fato de os produtores estarem empolgados com o Brasil. Ainda somos um país que aumenta o consumo. E ainda há essa possibilidade de baixar custos em razão do acordo do Mercosul com a União Europeia.
ProWine: feira será em outubro, em São Paulo
Divulgação / ProWine
O Brasil como produtor
No ano passado, a gente teve pela primeira vez o maior número de produtores do Brasil dentro da feira. Historicamente, nosso maior grupo de produtores variava de ano a ano entre Portugal e Argentina, era sempre uma briga. Em 2025, o número de produtores brasileiros foi o maior número. Foram mais estados participando e mais vinícolas, até porque os grupos cresceram.
Este ano a gente também tem um recorde de número de produtores brasileiros dentro da ProWine São Paulo, o que eu acho que é um reflexo do mercado. Os vinhos brasileiros, ano após ano, ganham mais espaço com o consumidor. Você pode ter mais gente produzindo, mas ele só vem para a feira se ele estiver vendendo. Ninguém participa da feira se não está vendendo. E isso é um reflexo do mercado. As pessoas estão enxergando e provando mais o vinho brasileiro.
O vinho brasileiro mudou muito nos últimos 10 anos. Obviamente, você tem amadurecimento das videiras, amadurecimento dos processos. Você tem uma disseminação muito maior de produção, de como produzir. Tem mais investimento e mais e mais pessoas interessadas. A ProWine é um reflexo do mercado.
Vejo mais marcas de vinho brasileiro quando vou ao supermercado, quando vou à casa de alguém. Meus amigos que não trabalham com vinho, mas sabem que eu faço a ProWine, viajam de férias e vão para o interior. Eles me falam das vinícolas que visitaram e de marcas que nem eu conheço.
Chapada Diamantina e Garanhuns: novos terroirs
A gente tem na feira um grupo de produtores de vinhos da região do Nordeste. Mas a Chapada Diamantina nem está no grupo. Eles já têm estandes próprios, têm corpo próprio.
A vinícola Uvva: na Chapada Diamantina
Divulgação
A gente tem a Uvva, que é o produtor da Chapada, na cidade de Mucugê. Era um investimento de uma família muito tradicional, que já ocupava aquela região há 30 anos. Eles têm uma fazenda que se chama Fazenda Futuro, com mil funcionários, já estavam ali. Eles são plantadores de batata inglesa. A família já tinha um terreno muito grande, na Chapada, e, em algum momento, uma dos sócios pensou em plantar vinho. Achou que teria um bom terroir, por causa das características do solo. Ele sabia da mineralidade do solo, da amplitude térmica. E aí ele começou a fazer testes durante 10 anos, até ter a primeira vinificação comercial. Começaram com os vinhos em 2021, ainda na pandemia, e estão indo super bem.
A Vinícola Mello fica no meio de Garanhuns, em Pernambuco, que não tem um histórico de plantação de nada. Na verdade, é uma região de bacia leiteira. Garanhuns e o entorno representam 44% de toda a bacia leiteira do estado de Pernambuco. E aí você tem alguém que é visionário que pensa que o lugar será bom para plantar uva. E começa o projeto. O solo é completamente diferente, assim como os tipos de uvas plantadas. A Mello está com vinhos maravilhosos também.
Cacho de uva de vinhedo da Mello, em Garanhuns
Divulgação / @mellovinicola
Os dois produtores experimentam muito. Conheço pessoalmente as duas vinícolas, os donos. E é interessante ver como essas produções mudam a dinâmica daquelas cidades. Há 10 anos, quando a Vinícola Uvva começou a se estabelecer como vinícola até o projeto ficar pronto, a cidade mudou. Mudou o perfil das pessoas que vão, o tipo de turista. Abriram restaurantes. Você tem que acompanhar a cultura do vinho com a gastronomia; há pousadas de um nível que a cidade não tinha. Estive em Garanhus em menos de um mês e vi também como a Mello está mudando o entorno. Não havia essa variedade gastronômica que a cidade hoje. Agora existem investimentos hoteleiros diferentes. É impressionante como a cultura do vinho consegue mudar toda da cidade.
Concurso de drinques com cachaça
Temos este ano pela primeira vez um concurso de coquetéis com cachaça. Não é um concurso novo, mas ele vai acontecer dentro da ProWine São Paulo. Será em duas etapas, em dois dias. Vamos ver como vai ser o interesse do público. Temos a parte de spirits, destilados na feira e temos tentado fomentar mais empresas destiladas a estarem com a gente. Eu brinco: cadê esse povo da cachaça que não quer vir para São Paulo?
Ampliação dos destilados
Ampliamos o setor de destilados o setor de destilados na ProWine, temos mais expositores, mas expositores internacionais. Tem muito de uísque que a gente tem o maior produtor de ouzo vindo diretamente da Grécia. Temos saquê, que não é um destilado, é um fermentado, mas que fica nessa parte. Virá o primeiro grupo de tequila do México, uma associação de tequila do México.
Queremos que os produtores brasileiros adotem a ProWine São Paulo como a casa deles. Mesmo não sendo um evento voltado somente para destilados. Quero ver isso acontecendo no futuro.
Outros países na feira
Teremos marcas de champanhe este ano que nunca estiveram no Brasil, estão procurando importador. O espumante é minha bebida favorita. Terei que separar uma hora na feira só para degustar. Na verdade, a gente tem mais produtores da França em geral.
Tenho certeza que o acordo Mercosul – União Europeia tem a ver com isso, é um incentivo, a cerejinha do bolo. A cada ano, as pessoas conhecem mais da ProWine São Paulo. A gente faz um trabalho forte na Europa, temos gente trabalhando em todos os países. Mas quando falo da França especialmente, os dados apontam que, nos últimos dois anos, o consumo de champanhe no Brasil cresceu.
Nos últimos quatro semestres, nos últimos dois anos, a gente tem um crescimento na categoria de luxo e bem na base. A categoria até 150 dólares a caixa está mais estável. O champanhe de alto valor agregado cresce todo ano no Brasil.
A feira teve um crescimento da Europa em geral. Nós estamos crescendo 40% em número de expositores internacionais e europeus. Argentina e Chile, estão do mesmo tamanho que a gente tinha antes. Estados Unidos não olham para o Brasil, temos um ou outro que eu brinco que é um gato pintado.
Já a Espanha, no ano passado, tinha aqui apenas uma região expondo, de Castilha. Este ano, temos cinco: também Rueda, Múrcia, além de vários expositores individuais.
Da Alemanha, teremos dois grupos. Um deles patrocinado pela Secretaria de Agricultura Alemã. Eles estão montando as próprias palestras. Vão ficar o dia inteiro ensinando sobre o Riesling alemão. Vão falar desde o mais seco, vão educar as pessoas. Eles têm essa consciência que não adianta vir para a ProWine São Paulo e falar esse aqui é meu produto, compre meu produto. Se a pessoa não sabe o que é, não vai vender.
A presença de Portugal
Portugal voltou a crescer na feira, a trazer mais produtores. A gente tem quase todas as regiões dentro da ProWine, mas não representadas por elas mesmas, algumas estão sob a ViniPortugal, que é um órgão federal.
Brinco que me dói que o vinho do Douro não está ali, como em outras feiras, em outros lugares. Mas a gente tem a Península de Setúbal, o Dão, Alentejo, Tejo, Lisboa, Vinhos Verdes, Bairrada, Beira Interior. Dá para você passar o dia em Portugal. Você vai conhecer todas as regiões ali.
Visitante passeia por vinhedo em Portugal
Divulgação / ViniPortugal
Tenho o privilégio de ir a Portugal no final do ano e participar do encontro de todas essas regiões e analisar números. Faço isso já há quatro anos. Existe uma mudança. O vinho português no Brasil continua crescendo. Quando ele começou a crescer há dez anos, era só Vinho Verde. As pessoas não tomavam tinto português com tanta frequência, mesmo o branco. Estava conversando outro dia com a presidente da região de Vinhos Verdes, ela falou da queda nas vendas. Mas não é que caíram, é que outras regiões cresceram muito. Hoje, 27% do vinho importado no Brasil é português. E nós, como consumidores, vamos evoluindo também e conhecendo coisa nova.
Os vinhos brancos argentinos
A Argentina está fazendo um trabalho um pouco maior este ano de mostrar os seus vinhos brancos, que são maravilhosos. Acho que faz parte também de uma tendência que é mundial. Temos um pequeno decréscimo no consumo de vinho tinto e um aumento em todos os países de consumo de vinho branco. Do mesmo jeito que quando você fala de um vinho alemão estar carimbado, que ele é um Riesling, as pessoas não sabem que existe produção de Pinot Noir, por exemplo, na Alemanha. Quando você fala de Argentina, está carimbado que é um Malbec. Muitas vezes, o consumo é mais por essa associação. Então, os países precisam começar, e a gente como feira tem esse trabalho de fazer as pessoas terem a percepção dos outros produtos daquela região.
Aumento do consumo de vinho no Brasil
Quando se fala em vinho tranquilo, o tinto ainda representa ali 70% do mercado, depois você vai ter 20% de branco e 7,5% de rosê. Você tem esse crescimento do vinho branco, que a gente já previa e está se consolidando. Ele não está tirando espaço de outro. Tem aumentado o consumo de vinhos, ultrapassamos em junho a barreira dos 3 litros per capita no Brasil por ano. Ainda é muito pouco.
O consumo de vinho rosé gente continua no mesmo patamar. O rosé é aquele que ninguém odeia, mas ninguém ama também. Ano após ano, ele está igual, os números não mentem.
O vinho laranja é um nicho, assim como o natural, de mínima intervenção. Eles ainda estão muito longe do volume vendido nas três categorias principais, que são o tinto, o branco e o rosé.
A venda de espumantes no Brasil
Já quando você faz uma análise de vendas de vinhos incluindo o espumante, vê que ele tem grande peso no Brasil, tanto o nacional quanto o internacional. A categoria de espumante no geral cresce. Obviamente que você tem uma parte grande de moscatel, mas é engraçado que o espumante brasileiro não está vendendo tanto a mais por ano. Onde a gente cresce são nessas outras categorias. Você tem mais champanhe, cava e prosecco entrando no Brasil e sendo comercializados.
Ano passado, mais uma vez, a Freixenet bateu recorde no Brasil. Você tem Salton batendo recorde há três anos seguidos em número de garrafas vendidas. A própria Moët Hennessy bate recorde todos os anos em quantidade de garrafas vendidas, em todas as categorias. Desde a Veuve Clicquot até a Krug, todo ano o grupo vende mais no Brasil. É muito interessante você ver o movimento do espumante no Brasil. O Brasil tem o clima perfeito para tomar espumante, produzido onde for.
Além disso, se você parar para pensar, historicamente, vemos várias celebridades e marcas se associando para fazer esse tipo de produto. No ano passado, na ProWine São Paulo, foi lançado o espumante lá da Maiara & Maraisa, em parceria com a importadora Del Maipo.
Low e no alcohol
Mais produtores, principalmente brasileiros, estão produzindo low ou no álcool, mas quando a gente pega os dados de consumo, eles não crescem tanto assim. E aí existe uma grande discussão no mercado, que é a questão da classificação. A gente está fazendo vinho sem álcool ou a gente está fazendo suco de uva gaseificado?
A gente vê uma diferenciação nessa questão da classificação, quando a gente compara com a Europa. E isso confunde o consumidor. Hoje, a classificação no Brasil é bebida gaseificada, não é vinho. Qual lugar você vai colocar ele na gôndola do mercado? Tem mercado que coloca do lado do vinho, mas teoricamente você não poderia colocar ali. Acho que até para você dar um impulsionamento nessa tendência, é preciso de regulamentação. Isso é um problema que a gente tem no Brasil hoje. Então vejo o no e o low alcohol um pouco parados no Brasil porque estão no limbo: não é uma coisa nem outra.
Consumo de uísque continua crescendo
O uísque ainda está com tudo, o Brasil continua crescendo, enquanto outros destilados estão caindo. Teremos uma masterclass especial este ano só de uísque na ProWine, feita pela Worldwine. Eu estou louca para ir, porque eu não sou uma pessoa que conhece muito de uísque e gostaria de aprender, entender. O uísque continua tendo uma tendência forte.
Vinhos licorosos em alta
E tem uma tendência que eu tenho visto bastante, que são licorosos, no geral. E aí, a gente tem mais vinhos do Porto, um pouco mais de participações de licorosos aparecendo na ProWine. Ainda não conseguir parar para fazer uma análise, se é uma demanda do consumidor.
Canetas emagrecedoras x consumo de bebidas
Se você perguntar se houve redução do consumo de bebidas para mim ou para o meu sócio (na ProWine) Christian Burgos, a gente tem opiniões antagônicas. Christian diz: “Meu Deus, com o Monjaro, as pessoas estão bebendo muito menos”.
Sei que existem estudos que mostram que as pessoas que tomam Monjaro bebem menos, porque você consegue controlar uma compulsão. Teoricamente, você consegue se satisfazer mais rápido. Tenho uma pessoa na família que fez cirurgia bariátrica, que é o mesmo princípio. E ela tem muitos amigos que também são bariátricos. Vejo que elas deixam de comer para beber. Quando a gente está falando de uma compulsão, e seja ela talvez um vício como o cigarro, como a bebida, esse remédio vem para acalmar a pessoa. Haverá uma redução no consumo. Mas estamos falando de pessoas que precisam mesmo de ajuda.
Acho que a questão do vinho é cultural. Quando a gente fala de gastronomia, de estilo de vida, da cultura do vinho, ele pode até beber menos em quantidade, mas ele vai continuar bebendo. Não existe sentar à mesa com o meu pai e não tomar uma taça de vinho. Você não precisa tomar a garrafa, mas você vai continuar tomando uma taça de vinho. Então, acho que existe um susto num primeiro momento, mas existe muito mais, na minha opinião, falar muito e não pensar nisso.
A gente tem que sempre consolidar a cultura do vinho. O vinho caminha com a gastronomia, o turismo, as rotas de turismo. O que isso traz de cultura para as famílias, quando elas voltam, sentar à mesa. É você experimentar o produto de outra forma. Então, eu acho que existe essa ameaça no consumo, mas eu não acho que ela ultrapasse a cultura.
Países produtores em destaque
Se a gente for fazer um destaque na Prowine, seriam a Alemanha e a Espanha, pela variedade de regiões que estão vindo expor, que não estiveram nos outros anos. Obviamente, Portugal ainda é muito maior do que eles, mas, historicamente, já tem uma presença na feira muito consolidada. Esses outros dois países estão vindo com regiões, estilos e uvas diferentes; vão trazer produtores.
Quem é o novo consumidor de vinho?
Normalmente, quando a pessoa começa a beber vinho, começa a pelo vinho branco. É muito difícil uma pessoa que acorda e fala: “Hoje eu vou começar a beber vinho tinto”. O vinho branco é mais fácil para pessoa começar a beber. E a pessoa não vai começar a beber um super vinho seco.
Você tem novos consumidores em todas as categorias. Tem o novo consumidor que é uma pessoa jovem; tem o novo consumidor que é uma pessoa mais velha. O que você tem de diferença nem é o preço, mas o investimento de tempo que essas pessoas têm para se educar. Obviamente pessoas que estão numa fase da vida mais madura têm mais tempo a dedicar a viajar, a conhecer. E à medida que ele vai conhecendo, vai consumindo mais e vira uma bola de neve. E você tem aqueles mais jovens que bebem menos volume e que também estão abertos a conhecer.
Vinícola Góes (SP)
O que eu acho interessante é esse nível de educação mesmo. O que eu vejo e o que a gente vê conversando com os produtores é a curiosidade que as pessoas têm em aprender. E é muito legal ver a variedade de idade. Eu não sei se você já teve a oportunidade de ir num domingo na Vinícola Góes, em São Paulo. É impressionante. Ele recebe, num final de semana, 6 mil pessoas. Eu fui num domingo lá, eu sentei e fiquei uma hora observando quem chega. Para de tudo que você imaginar. É ônibus de gente jovem, ônibus da terceira idade, ônibus que vem de outras cidades.
Enoturismo na vinícola Góes, em São Paulo
Divulgação / Vinícola Góes
Porque lá há vários restaurantes e vários tipos de vinhos. E a Góes faz um vinho de entrada. E é muito interessante você ver essas pessoas descobrindo o mercado do vinho. Tem gente que está ali pelo primeiro contato, faz um mini tour na vinícola, faz uma degustação de três vinhos. O novo consumidor, esse consumidor que eu diria que é de entrada, tem todos os perfis, depende muito também com o tipo do produto que você tem.
As releituras dos drinques
A coquetelaria tem que ser sempre renovada, porque você vai muito ao encontro do que o consumidor está consumindo naquele momento. Eu adoro bebidas. Quando penso em drinque, gosto muito de bebida doce. Mas se você pega uma pessoa muito jovem, ela não gosta dessa concentração do açúcar na bebida.
Óbvio que vão surgir produtores novos. A coquetelaria tem os ingredientes, que são os mesmos, mas ela tem que se reinventar E muitas vezes também para acompanhar essa gastronomia. Na maioria dos dias, as pessoas tentam comer coisas mais leves, escolhas mais saudáveis. E para isso, vão acompanhar com drinks mais leves, menos alcoólicos, mais diluídos.
O legal é você ver os produtores discutindo na ProWine para quais são as finalidades dos produtos deles, quais são os drinques. Temos um parceiro que sempre está ensinando a fazer drinques no nosso Instagram. E ele fala sobre essa releitura e das misturas também, muita coisa que talvez as pessoas não pensavam e não analisavam antes, hoje elas começam a dar mais importância.
O bartender Laércio Zulu
Divulgação / @laerciozulu_
O Laércio Zulu é o nosso parceiro, ele é barman e ele tem o próprio bar. Ele ensina a fazer o drinque, mas com um tipo XYZ de cachaça. Tem que ser aquele tipo, por causa do aroma, da combinação. E aí ele já desenvolve também uma parceria com a marca de cachaça para produzir essa cachaça para ele. O público quer novidades autorais, que façam a pessoa ir até você. Porque na maioria das vezes, em qualquer lugar, você vai encontrar uma boa caipirinha. Mas quem vai fazer a caipirinha com um melaço especial? As pessoas querem essa exclusividade, sentir que elas estão tomando um produto diferente.
Estive em Minas Gerais tem pouco tempo e tomei uma caipirinha de tangerina com rapadura que era sensacional. Eu preciso dessa rapadura e queria comprar. Mas me disseram que aquela rapadura era feita exclusivamente para eles. Não vejo a hora de voltar lá para tomar a caipirinha de novo.
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