Após uma longa e angustiante espera, enfim um final feliz. O cão de assistência Teddy desembarcou em Lisboa na madrugada deste sábado (31) e vai reencontrar, após 50 dias de separação, a menina Alice, de 12 anos. Autista e não verbal, ela depende do labrador treinado para manter sua rotina e seu bem-estar emocional. A chegada do animal marca o desfecho de uma saga marcada por entraves burocráticos, negativas da companhia aérea e muita luta da família.
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Para proteger a filha do estresse da espera, Alice não foi ao aeroporto recepcioná-lo. Enquanto ela dormia em casa, a mãe foi quem recepcionou Teddy no Aeroporto Humberto Delgado.
Desde o dia 8 de abril, quando a família embarcou para Portugal por conta de uma oportunidade profissional do pai, o médico Renato Sá, os esforços para levar o cão ao novo lar foram frustrados por três vezes. A companhia aérea TAP chegou a cancelar a passagem do animal 24 horas antes do primeiro voo, alegando que a documentação não seria aceita em território português.
Nas tentativas seguintes, mesmo com ordem judicial e todos os documentos em mãos, a empresa alegou que o cão não poderia embarcar por não estar viajando com a pessoa para quem presta assistência. Somente o treinador do cão, Ricardo Cazarotte e a criança assistida estão autorizados a viajar com Teddy dentro da cabine.
Cazarotte, que foi responsável pelo treinamento de Teddy por um ano e meio, a fim de prevenir crises emocionais graves na menina, saiu de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e se encontrou com Teddy no Aeroporto do Galeão para embarcarem juntos para Portugal. Depois, o treinador retorna para São Paulo. Ele é ex-responsável pelo canil da Polícia Militar de São Paulo e hoje se dedica exclusivamente ao treinamento de cães de assistência.
Na terceira tentativa frustrada, a TAP chegou a conseguir uma liminar que permitia a decolagem do voo sem Teddy e Hayanne, irmã de Alice, que o acompanharia. Para piorar, o Certificado Veterinário Internacional (CVI) venceria antes da chegada do voo à Europa, tornando a viagem inviável.
Diante da repercussão do caso e da pressão pública, o Ministério de Portos e Aeroportos interveio. Na terça-feira (27), o ministro Silvio Costa Filho garantiu pessoalmente ao pai de Alice que a situação seria resolvida. Com o apoio do treinador e de Hayanne, Teddy finalmente embarcou no voo da TAP na tarde de sexta-feira (30), no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro.
Do outro lado do Atlântico, a expectativa era grande. Segundo a família, Alice passou a semana procurando Teddy pela casa, sentindo a ausência do companheiro inseparável. Desde a separação, a menina apresentava sinais de desregulação emocional, uma consequência comum quando pessoas no espectro autista enfrentam mudanças abruptas de rotina.
“A gente que treina sabe a importância desse cão. A falta dele já deve estar desencadeando várias crises. Se você tira o autista da rotina dele, desencadeia agressividade, ansiedade. Meu papel aqui é fazer esse encontro, fazê-la feliz e ele também.”, explicou o treinador ao g1.

