A principal competição do profissional de Counter Strike, o StarLadder Major Budapest 2025, começou em 24 de novembro e o Brasil conta com 7 representantes: Legacy, RED Canids, Fluxo, Imperial, MIBR, paiN Gaming e Furia, essa última com uma sequência de vitórias internacionais ao longo desse ano. A equipe liderada por Gabriel Toledo de Alcântara, o FalleN, estreia na quinta-feira (04). Ela conquistou 4 títulos internacionais importantes em 2025 e sonha que o Major seja o quinto.
A sequência de vitórias, como destacou FalleN, cria uma “expectativa de que sempre tem que ser assim”, mas que tem muitos times trabalhando pelo resultado e que a vitória não é fácil.
– É uma questão de balancear, de não deixar subir à cabeça e deixar essa intenção de vencer se tornar uma obrigação de vencer. O time está um pouco cansado de jogar tantas competições. Ainda bem que a gente vai ter um tempinho até a próxima fase do Majors para descansar e treinar – disse o atleta.
Uma equipe brasileira nunca levantou a taça de uma competição Major, que é a principal da categoria por contar com o patrocínio da própria Valve, a dona de Counter-Strike. Em 2016, FalleN conquistou dois Majors: um pela Luminosity Gaming, sob a bandeira canadense, e outro pela SK Gaming, sob a bandeira alemã. A Furia é uma das favoritas da competição e o elenco é composto pelos brasileiros Yuri ‘yuurih’ Santos, Kaike ‘KSCERATO’ Cerato, Gabriel ‘Fallen’ Toldo, que também é o capitão; pelo letão Mareks ‘YEKINDAR’ Gaļinskis e pelo cazaque Danil ‘molodoy’ Golubenko.
Alguma preocupação em relação a esse Major?
Acho que nenhuma. Só não tivemos tanto tempo pra treinar entre campeonatos, mas todos estão bem.
Alguma equipe preocupa vocês?
Acho que as equipes que possuem as maiores chances de vencer esse torneio somos nós, a Mouz, Falcons e a Vitality.
Você consegue rastrear um traço característico de cada país em sua forma de jogar?
Sim, sim. As regiões que são mais afastados acabam não conseguindo ter um intercâmbio tão grande com outras regiões. Elas acabam jogando um ‘meta’ que só elas têm. O próprio CS chinês, por exemplo, eles faziam muita aposta, na defesa, em lugares que ninguém imaginava. Então, você ia jogar contra os caras e meio que não fazia sentido o que eles estavam fazendo, era muito arriscado. Ou dava muito certo, ou muito errado. Com o passar dos anos, depois de jogar com muitos times e em muitos campeonatos, eles perceberam que não estava dando certo e que teriam que se adaptar. Você assiste eles jogando agora e percebe que está muito mais normalizado.
E qual você acha que é o traço característico da Furia?
Antes da minha entrada, quando a Furia tinha o arT como capitão da equipe, eles tinham um estilo de jogo bem diferente dos demais. Eles conseguiram um relativo sucesso alto com esse estilo de jogo, pautado em micro decisões e escolhas que, de um ponto de vista de outra equipe, não faziam muito sentido, mas que, para eles, fazia e eles faziam acontecer.
Para explicar, é como se as outras equipes usassem esse estilo de vez em quando, para surpreender, enquanto a Furia fazia dessa surpresa sua base de jogo. E isso tinha seus lados positivos e negativos, né. Algumas pessoas já sabiam como seria esse estilo de jogo, essa surpresa, e acaba não surpreendendo nada. Eram jogadas arriscadas que já estavam sendo previstas pelos adversários. Em contrapartida, se o adversário não tinha ideia do que ia acontecer, ele acabava sendo atropelado porque era uma coisa que ele não estava acostumado a jogar contra. Essa Furia antes da minha chegada tinha essa pegada diferente e, na minha opinião, ela marcou bastante, ela chegou muito longe e teve um resultado muito bom jogando um CS que só ela jogava.
Como é a interação da equipe fora dos treinos e partidas?
A gente joga alguns outros jogos juntos, às vezes pra descontrair. Você precisa ter essa bagagem fora do jogo também justamente para os momentos difíceis.
Recentemente nós temos jogado o Battlefield novo. Só pra diversão, sem estresse. No geral é bom ter tempo para outras coisas, né. No geral eu busco outras coisas do meu dia a dia. Eu gosto de idiomas, gosto de música, de viajar com minha esposa. Consigo me desconectar do mundo game e voltar um pouco para a família.
E você acha que consegue separar bem o tempo do treino, tempo das competições, tempo pessoal?
Acho que sim. Nossa vida de atlteta de CS é um pouco difícil. Para você se manter alto no rank, precisa jogar muitas competições, viajar muito. Por isso que minha esposa às vezes nos acompanha das viagens. Caso contrário, a gente não tem chance de ficar junto.
Hoje em dia, olhando para sua equipe, você se vê em algum aspecto? Sendo mais experiente, você tem esse momento de troca?
Acho que cada um está em um momento de carreira, de vida também. Tem um garoto de 20 anos e outros três com quase 26 anos também. Às vezes eu até vejo comportamento de um ou de outro, mas eu consigo não ficar falando muito sobre o que eu acho porque eu também já tive essa idade. A cabeça é um pouco diferente, as responsabilidades são um pouco diferentes. Mas não me preocupa, é um grupo muito bom.
Neste ano, o time feminino de CS da Furia foi impedido de participar de uma competição pela regra que impede duas equipes da mesma organização integrem o mesmo campeonato. Como foi internamente, para vocês, esse impedimento?
A gente acaba não tendo muito envolvimento nisso, mas ficamos tristes. É o tipo de regra que serve para evitar um certo tipo de problema, mas que acaba gerando outro. Essa regra foi criada para evitar esses confrontos entre as mesmas equipes, mas as meninas nada tem a ver com isso. Isso acaba até atrapalhando o cenário feminino, por exemplo, porque perde um pouco de interesse das organizações de ter mais equipes (femininas). Tem algumas regras que, às vezes, que seriam bem aplicadas, mas acho que a Valve não se dá muito ao trabalho de fazer esse manuseamento do que é justo.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/y/B/0nA2tuSuyYbIlmpKm1SA/awdmcifhe6j7r6xrv7rlpr.jpg)
Pessoalmente, o que ser um atleta te somou?
Eu tenho vivido uma vida toda competindo e buscando ser uma melhor versão de mim mesmo dentro do servidor, do competitivo. Acho que essa resiliência, essa visão de mundo, de ir dormir toda noite sabendo que eu tentei o meu máximo. Se você não está com a mentalidade no lugar certo, muitas vezes você não chega lá, você desiste antes.
Você acha que essa é a melhor fase da sua carreira?
Eu tive uma outra grande fase em 2016, 2017. Foi a primeira conquista do mundo. Eu digo que aquela ainda foi a melhor e acho que essa tem chance de chegar no mesmo nível se a gente conseguir mais alguns feitos. Foram certa de nove títulos, sendo 2 Majors, né. Eu acho que a gente tá no início de trajetória de alguma coisa que pode chegar perto disso.
Colocando as pesquisas de lado e focando em outros pontos, como vida pessoal, sem dúvidas é um momento muito bom. Eu tenho mais maturidade, estou efetuando outra função também. Estou podendo me desafiar de outra maneira dentro do mesmo esporte. Tenho um grupo de pessoas com quem gosto muito de jogar, dentro de uma organização super fera também. É um momento muito bom, assim. Em termos de resultado, diria que ainda falta um pouco para chegar, né. Mas, em termos de dia a dia, diria que é um dos melhores momentos.
