O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, trocou no final de outubro o time de advogados, o que vem alimentando especulações de que ele possa também tentar uma negociação para se livrar de uma condenação elevada.
Segundo relatos obtidos pela equipe da coluna, o advogado Cléber Lopes deixou a defesa alegando “conveniência profissional”. Ele foi substituído pela criminalista catarinense Danyelle Galvão.
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A advogada já atuou em algumas delações premiadas, como a do executivo Newton de Lima Azevedo Júnior, de uma das empresas ligadas ao grupo Odebrecht e investigadas na Lava-Jato, e a do advogado Luiz Carlos Claro, um dos alvos da Operação Descarte, uma das maiores investigações no Brasil de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.
Trabalhou, ainda, na defesa de outros alvos da Lava-Jato, como executivos da Camargo Correa, do ex-marqueteiro do PT Valdemir Garreta, e do ex-gerente da área de marketing e comercialização da Petrobras Marcus Antônio Pacheco Alcoforado. Advogou para o ex-marqueteiro de Sérgio Cabral, Renato Pereira, que também acabou fazendo delação premiada, e para as duas campanhas presidenciais de Dilma Rousseff, em 2010 e 2014.
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Questionada pelo blog se a mudança na defesa do “Careca do INSS” se deve a uma disposição de fazer um acordo de delação, Danyelle negou. Disse que só agora teve acesso aos autos e que sua estratégia, pelo menos neste momento, será apresentar às autoridades esclarecimentos e refutar as acusações que pesam contra o seu cliente.
O empresário apontado como um dos líderes do esquema de desvios de recursos das aposentadorias está preso desde setembro no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
As movimentações na defesa do “careca do INSS” ocorreram antes de vir à tona a nova operação da Polícia Federal que levou à prisão do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto na última quinta-feira.
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Os investigadores descobriram que Stefanutto passou a receber uma propina de R$ 250 mil mensais de uma das entidades investigadas pelo esquema de descontos ilegais nas pensões de aposentados depois de assumir o comando do instituto vinculado ao Ministério da Previdência Social.
A Polícia Federal identifica o “Careca do INSS” como o principal articulador na distribuição das supostas propinas. Um relatório sobre suas movimentações financeiras mostra que ele teria movimentado R$ 53 milhões, oriundos de entidades sindicais ou de empresas ligadas a elas.
O empresário declarou à Justiça ter a profissão de “gerente”, com renda mensal de R$ 24.458,23. Segundo a PF, porém, o volume de operações bancárias em seu nome é “muito superior à renda declarada”.
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Conforme revelou o G1, o patrimônio pessoal do empresário saltou de R$ 159 mil para R$ 9,5 milhões no período entre 2021 e 2024, conforme declarações de imposto de renda fornecidas à CPMI que apura fraudes no INSS.
Nesse período ele adquiriu três carros da marca Porsche, fabricante alemã conhecida pelos veículos de luxo.

