Os resultados são incontestes. A expansão das exportações brasileiras de carne bovina aos Estados Unidos gera receitas em divisas na balança comercial, valoriza a arroba do boi gordo, eleva padrões de qualidade dos frigoríficos nacionais e fortalece a imagem da pecuária nacional. Mas a expectativa, conforme admitem empresários e analistas do setor, é que dificuldades com o aumento dos custos de produção, especialmente insumos, fretes e combustíveis, no ciclo atual de baixa pecuária, possam pressionar e elevar os preços para consumidores brasileiros.
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Para os produtores de carne bovina, em 2025, mesmo com as tarifas de mais de 50% impostas pelo governo de Donald Trump, que vigoraram por cerca de três meses, o balanço comercial foi realmente muito positivo. As exportações da proteína para os EUA atingiram um total de US$ 1,6 bilhão (358,3 mil toneladas), contra US$ 1,3 bilhão (303,1 mil toneladas) registradas em 2024, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
— Os EUA ganharam muita relevância em nossa pauta de exportação, e chegaram a representar mais de 12% do total exportado pelo Brasil no ano passado — diz Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, que reúne 47 empresas do setor no país.
Em 2026, os números mostram que o Brasil continua em um patamar elevado de exportação para os EUA. Nos primeiros quatro meses do ano, o país exportou US$ 814,6 milhões — alta de 36,8% em relação ao período em 2025.
— Esse desempenho se deve principalmente ao momento do ciclo pecuário americano — explica Perosa. — Os EUA estão com o menor nível de rebanho dos últimos 80 anos, o que reduz a oferta interna e aumenta a necessidade de importação. Independentemente da questão tarifária, existe uma demanda estrutural por carne bovina no mercado americano que precisa ser atendida.
Os produtores de carne do estado do Mato Grosso, segundo colocado entre os maiores exportadores brasileiros para os EUA, festejam recordes sucessivos de vendas.
— De janeiro a março, o total exportado pelo estado foi de 23,02 mil toneladas [US$ 105,8 milhões], com o preço médio chegando a R$ 4,2 mil por tonelada, o segundo maior valor da série histórica — diz Rodrigo Silva, coordenador de inteligência de mercado do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária. — Isso vem sendo sustentado pela verticalização da produção e por um aumento considerável da produtividade, mesmo numa área menor de pastagem.
Segundo os exportadores, a tendência é que a exportação brasileira para o mercado americano continue elevada ao longo deste ano. Apesar da redução do ritmo de crescimento do volume embarcado em março, a expectativa é de maiores aumentos nas receitas, refletindo uma valorização dos preços em dólares da carne brasileira no mercado internacional, avalia Paulo Mustefaga, presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos, que representa frigoríficos e sindicatos da indústria de carne no país.
— É possível que as exportações tenham crescimento significativo em 2026, em torno de 30%, em volume, mas em valor pode ser acima de 50%.
O avanço das exportações brasileiras de carne, de maneira geral, tem impacto no mercado doméstico.
— Mas falta de carne não vai ocorrer — confia Mustefaga. — Estamos num ano de ciclo de baixa pecuária, com redução de oferta, os preços dos insumos sobem bastante, então, os preços devem aumentar para o consumidor doméstico.
Para Ronaldo Felix, sócio da consultoria Saygo Comex, a maior preocupação para governo e indústria está em manter o avanço comercial e a competitividade externa sem que isso comprometa o acesso da população à proteína animal historicamente mais consumida no país.
— Diversificação de mercados compradores, ganhos de produtividade no campo e atenção ao ciclo pecuário são os instrumentos mais consistentes para que produtores capturem o prêmio externo sem que o consumidor brasileiro pague a conta.

