BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result
No Result
View All Result
BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result

Casarões do Cosme Velho, como o de Candido Portinari, estão abandonados

BRCOM by BRCOM
abril 15, 2025
in News
0
Antiga casa de cômodos, à venda no Cosme Velho — Foto: Júlia Aguiar / Agência O Globo

Em 1945, Cecília Meireles, numa carta a Henriqueta Lisboa, contou o que a atraiu ao decidir se mudar para o Cosme Velho: “Tenho esperanças de um grande sossego entre montanha e floresta”. Oitenta anos depois, seu casarão — localizado a menos de cem metros da estação do Trem do Corcovado, na rua lateral, a Smith de Vasconcelos — , entre outros que pertenceram a moradores ilustres das letras e da arte, é um dos poucos que recebem algum cuidado e que não tiram a tranquilidade dos vizinhos do bucólico bairro da Zona Sul, embora já tenha sido multado pela prefeitura por mau estado de conservação. Segundo moradores, o neto da escritora costuma ir ao local para fazer manutenção, diferentemente do que acontece com a mansão onde viveram Anna Amelia de Queiroz e Marcos Carneiro de Mendonça (1896-1970) — o conhecido Solar dos Abacaxis — e o casarão que foi de Candido Portinari (1903-1962).

  • Rio Antigo: Vizinhos de casarão na Lapa cuja fachada desabou dizem que imóvel foi invadido e ainda oferece risco
  • Nem grades resistem: proteções de áreas públicas têm sido saqueadas e vão parar em ferros-velhos

Localizado no número 353 da Rua Cosme Velho, a construção de 1.200 metros quadrados que pertenceu a um dos maiores pintores do Brasil está em ruínas. A deterioração é tamanha que tapumes de madeira foram instalados em sua fachada alertando a pedestres sobre o perigo de entrar na propriedade. Mas há também risco para quem caminha na calçada. Vizinhos se preocupam com a situação e temem que uma tragédia como a que aconteceu na Rua Senador Pompeu, no Centro, mês passado, que deixou um morto, faça novas vítimas.

Em agosto do ano passado, o colunista Ancelmo Gois, do GLOBO, revelou que, em 2010, João Candido Portinari, filho do artista, passou a administrar o espaço com o intuito de criar ali um grande museu para exaltar o legado e a vida do pai, que produziu 1.178 obras no local. Sem apoio, o herdeiro não teve condições de restaurar a casa, que está à venda por R$ 2 milhões pela Sergio Castro Imóveis.

— Infelizmente, a procura por casarões precisando de obras está pequena. Temos poucos telefonemas que vão além da primeira visita. A casa tem procura e muitas consultas, mas as pessoas, ao cotar o valor da reforma, acabam desistindo — diz Claudio Castro, diretor da imobiliária.

  • Dos tempos da repressão: MPF pede tombamento dos arquivos de tempos de ditadura abandonados no antigo IML do Rio

Conteúdo:

Toggle
  • Família pediu tombamento
      • Casarões do Cosme Velho, como o de Candido Portinari, estão abandonados

Família pediu tombamento

O bem é parte integrante da Área de Proteção do Ambiente Cultural (Apac) do Cosme Velho e foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) a pedido da família. Em resposta ao GLOBO, o instituto diz que, “de acordo com a legislação vigente, cabe ao proprietário do imóvel realizar a restauração e o cuidado da propriedade”.

Na nota, o instituto também afirma que “vem cobrando ações do proprietário do imóvel, que desde o seu tombamento já apresentava sérios problemas estruturais, como pode ser constatado no processo de proteção e conforme escrito pelo próprio João Candido Portinari”.

Há dois anos, a Viva Cosme Velho, associação de moradores do bairro, mapeou os imóveis e entregou um relatório de diagnóstico de risco a Marcelo Maywald, que tinha um cargo na Superintendência estadual da Zona Sul. À reportagem, Maywald disse ter encaminhado à Defesa Civil municipal o pedido de fiscalização dos quatro imóveis apontados no documento.

Uma construção no número 370, que no século XIX abrigou uma casa de cômodos, e outra no número 362, onde até 2018 funcionou a Panificação Rainha, estão na lista, assim como a antiga casa de Portinari e o Solar dos Abacaxis, todos na Rua Cosme Velho. No documento, são citados os riscos causados por “infiltrações, emboço descolando das fachadas, esquadrias danificadas e telhados podendo ruir devido à grande quantidade de plantas que estão proliferando no local”.

— As calçadas no Cosme Velho são muito estreitas. Qualquer queda de muro, qualquer peça solta pode atingir quem passa pelo local — diz Luciana Falcão, engenheira e moradora do bairro.

Antiga casa de cômodos, à venda no Cosme Velho — Foto: Júlia Aguiar / Agência O Globo

  • Em vez da boemia: Atração turística, Lapa tem pichações de facção, bunker do tráfico e fila para compra de drogas

Em 2023, a casa de Portinari chegou a ser lacrada com uma faixa da Defesa Civil, hoje não mais existente.

Agora, os dois imóveis de 1.200 metros quadrados (nos números 362 e 370 da Rua Cosme Velho) estão à venda e são anunciados como passíveis de alteração de fachada, já que não são tombados. A Remax, imobiliária que os administra, informa que os valores não foram estabelecidos e que os proprietários estão abertos à negociação.

Na contramão do que aconteceu com os casarios mal cuidados por herdeiros e pelo poder público, dois imóveis na Rua Cosme Velho têm nova aparência e novo dono: o Grupo Iter. A empresa responsável pelo Parque Bondinho do Pão de Açúcar pretende transformar em centros culturais os imóveis no número 561, onde funcionava o Museu de Arte Naif, e o solar que pertenceu à atriz Beatriz Veiga, na esquina da Rua Smith de Vasconcelos, cuja obra durou mais de um ano e meio.

  • Água mineral de bueiro: motociclista denuncia que água vendida no sinal no Centro do Rio estava perto de esgoto

Da mesma forma, o Cosme Velho viu ressurgir o icônico Largo do Boticário, um dos recantos mais charmosos da cidade. Seus casarões, que ficaram anos abandonados, foram comprados em 2018 pela rede de hotéis Accor. Depois de um bem-vindo banho de loja, preservando todas as características históricas das edificações, o lugar ganhou uma filial do descolado hostel Jo&Joe.

A aparência dos imóveis reformados contrasta com a do Solar dos Abacaxis, palacete em estilo neoclássico onde nos anos 1940 viveram a poeta Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça e seu marido, Marcos Carneiro de Mendonça, pais da crítica de teatro, professora e escritora Barbara Heliodora. Embora usado como espaço cultural até 2021, o casarão se deteriorou e hoje tem aspecto e fama de mal assombrado.

— Dizem que um piano toca sozinho quando alguém entra aí — conta um estudante que mora no bairro.

Solar dos Abacaxis, no Cosme Velho, já foi palacete e virou lenda entre vizinhos devido à má-conservação — Foto: Júlia Aguiar / Agência O Globo
Solar dos Abacaxis, no Cosme Velho, já foi palacete e virou lenda entre vizinhos devido à má-conservação — Foto: Júlia Aguiar / Agência O Globo

  • Quem é Raphael Vidal: responsável pela revitalização do Largo da Prainha abre também novos bares no Centro do Rio

Na fachada, as esquadrias têm vidros danificados, os muros e o emboço estão deteriorados, e a placa de identificação, pichada. No quintal, entre as folhagens, ainda podem ser vistos fios arrebentados das instalações elétricas que até 2021 iluminavam o local. As rachaduras, as plantas acumuladas e o lixo também indicam que há tempos o local não é visitado. O casarão tem mais de dez proprietários, que divergem sobre seu destino. E ainda que a venda seja concretizada em algum momento, o cenário se distancia ainda mais do que aquele que deu sossego a Cecília Meireles.

— O bairro do Cosme Velho não merece isso. São impasses que a gente não entende. Nós, moradores, também pensamos que para algo ser instalado nesses locais tem que ter um estudo de viabilidade ambiental, de trânsito. Porque a ocupação em cada um destes pontos interfere em todo o resto — diz Antonio Guedes, conselheiro do Viva Cosme Velho, associação de moradores.

Desde 2021, uma comissão da Câmara vistoria imóveis abandonados.

— Isso merece mais atenção do poder público e da sociedade. Nós aprovamos uma lei em 2021 que mirava a recuperação dessa região, com a reconversão desses casarões em propriedades multifamiliares, mas vingou pouco. A ideia é atualizar a legislação, tornando essa recuperação mais atrativa — diz o vereador Pedro Duarte (Novo), da Comissão de Assuntos Urbanos.

Casarões do Cosme Velho, como o de Candido Portinari, estão abandonados

Previous Post

conheça Melanie Hamrick, noiva de Mick Jagger

Next Post

mecanismo de funcionamento ainda é o original

Next Post
Relógio da Glória tem números em algarismos romanos e funciona através de mecanismo de corda — Foto: Divulgação / Hector Santos / Secretaria municipal de Conservação

mecanismo de funcionamento ainda é o original

  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.

No Result
View All Result
  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.