A Casas Bahia demitu cerca de 3 mil funcionários e fechou quase 300 lojas neste mês, informou a empresa na petição inicial que trata do pedido de recuperação judicial. O processo foi protocolcado na noite de domingo no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. O grupo tem dívida de R$ 17,3 bilhões.
Recorde: Inadimplência já atinge 9,1 milhões de empresas no país com R$ 232 bi de dívidas em atraso
Endividado? Ferramenta do GLOBO ajuda a organizar suas contas; confira
Os cortes e o enxugamento dos pontos de venda fazem parte da reestruturação da empresa, com o objetivo de reduzir custos operacionais. Os 3 mil funcionários representam 10% do total de empregados que o grupo tinha no fim de junho, segundo dados do balanço financeiro do segundo trimestre, divulgado na madrugada de domingo, após dois adiamentos. A companhia tinha 30.117 colaboradores naquele mês.
“A viabilidade econômica do Grupo Casas Bahia é cristalina, e está sendo endereçada a partir de diversas frentes de reestruturação – dentre elas, redução de custos operacionais a partir da demissão de cerca de 3.000 (três mil) funcionários e o fechamento de quase 300 (trezentas) lojas no presente mês de agosto, além do ajuizamento deste pedido de recuperação judicial como forma de equalizar seu relevante passivo”, diz a companhia na petição.
Posição da EY : Auditor cita ‘incerteza relevante sobre continuidade operacional’ da Casas Bahia
Ao pedir proteção judicial, a empresa busca proteção contra cobrança de dívida de credores. Se aprovada, a cobrança e o pagamento de débitos ficam suspensos por 180 dias, período que pode ser prorrogado por mais 180 dias.
A ideia é que a empresa tenha tempo para se reestrututar e pagar os credores mais adiante. Enquanto isso, as operações da empresa continuam, com vendas de produtos e serviços.
Despedida nas redes sociais
Alguns funcionários demitidos se despediram da empresa e dos colegas nas redes sociais. Caroline Silva, da filial 1089, de Caraguatatuba (SP), postou uma foto do comunicado da dispensa e de seu antigo crachá.
Initial plugin text
Alexandra Batista, que trabalhava havia seis anos na filial 1752, no Shopping Jardins, em Aracaju (SE), publicou um vídeo em que aparece chorando ao encontrar a antiga farda da empresa no varal de casa.
“Foi uma experiência incrível de aprendizado, conhecimento. Agora é só muita tristeza”, afirmou. Em outro trecho, disse sentir uma “sensação de impotência, de tristeza, de falta” e que não sabia explicar o sentimento. “Parece que a ficha está caindo agora” .
Prejuízo de R$ 10 bi
De acordo com a Casas Bahia, a decisão de pedir recuperação judicial foi tomada diante da “deterioração das condições econômico-financeiras” da empresa. O grupo cita, entre os fatores que agravaram a situação, as taxas de juros elevadas, a restrição de crédito, o aumento dos custos financeiros e a pressão sobre o consumo e o capital de giro.
O pedido ocorre um dia após a divulgação do balanço do segundo trimestre, que expôs a crise por que passa a companhia. Ela registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho, resultado negativo 18 vezes superior aos R$ 555 milhões registrados no mesmo período de 2025.
A companhia já havia pedido recuperação extrajudicial — solução negociada diretamente com os maiores credores, sem intermediação da Justiça — em 2024, mas não conseguiu se reerguer.

