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outubro 30, 2026
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Caso Porsche: motorista é condenado a 17 anos de prisão

Por · outubro 30, 2026
Caso Porsche: motorista é condenado a 17 anos de prisão


Réu pelo acidente com um Porsche que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, Fernando Sastre, 24 anos, foi condenado a 17 anos um mês e 10 dias na madrugada desta sexta-feira. Nesta quinta, ele admitiu vez ter ingerido bebida alcoólica na noite do acidente, em 2024, em São Paulo. Ele fez a afirmação durante o segundo dia de julgamento, no qual foi acusado de homicídio, nesta quinta-feira. O réu também pediu perdão às vítimas e aos familiares.
— Eu jamais fui indiferente às consequências dos fatos. Eu sofri muito e ainda sofro todos os dias, tenho consciência do que aconteceu e das consequências devastadoras disso. Tenho vergonha e arrependimento todos os dias da minha vida — declarou Fernando.
Além da condenação de Sastre, a namorada dele, Giovana, também vai ter que pagar 10 salários mínimos por não comparecer a audiência no horário previsto na quarta-feira.
A perícia apontou que o veículo andava pela Avenida Salim Farah Maluf, Zona Leste de São Paulo, a mais de 150 km/h. Na denúncia, o Ministério Público (MP) alegou que ele ingeriu álcool em dois estabelecimentos antes de dirigir. Ele não fez, no entanto, o teste do bafômetro após a colisão. Nesta quinta, o réu afirmou que não saiu de casa com a intenção de provocar um acidente e fez um pedido de desculpas às famílias.
— Queria fazer o meu mais sincero pedido de perdão para as vítimas e para as famílias, que mais sofrem, porque ninguém merece passar por isso — disse.
Na sequência, Sastre reconheceu que havia consumido álcool antes de dirigir. É a primeira vez que ele admite ter bebido antes do acidente.
— Expresso meu arrependimento, minha vergonha, eu confesso que no dia dos fatos eu ingeri bebida alcoólica — afirmou.
Depoimento
Sastre narrou que, em 30 de março de 2024, estava com a então namorada, Giovanna, e combinou de encontrar os amigos Juliana e Marcus Vinicius Machado Rocha, que ficou gravemente ferido no acidente, em um “gastrobar” chamado Porqueteria. Segundo ele, os quatro pediram bebidas e aperitivos. Sastre admitiu que, além da água — que em depoimentos anteriores alegou ter sido a única coisa que tinha bebido — ele também tomou dois drinques no restaurante.
Segundo ele, o grupo permaneceu no estabelecimento até as 23h. No depoimento, ele também tentou justificar declarações da namorada de que Sastre não havia bebido. O réu disse que, apesar de terem sentados juntos no restaurante, ele é Marcus ficaram na calçada em parte do tempo e é possível que ela não o tenha visto beber.
Depois do restaurante, o grupo decidiu ir para a uma casa de pôquer. Sastre disse que Marcus o acompanhou no Porsche, enquanto Giovanna seguiu com Juliana. No local, segundo o réu, ele e Marcus foram para uma mesa de jogo, enquanto as namoradas foram ao buffet. Fernando afirmou que não consumiu álcool na casa de pôquer e que pediu água e água tônica.
Em determinado momento, segundo o réu, Giovanna foi até a mesa e disse que queria ir embora. A namorada insistiu que estava cansada, mas Sastre convidou Marcus e Juliana para jogar sinuca na sua casa. O réu também comentou um vídeo gravado por Juliana na saída da casa de pôquer, no qual aparece discutindo com a Giovana sobre a possibilidade de ir embora.
— Queria dizer que tenho muita vergonha desse vídeo e peço desculpa a todos que eu ofendi com ele, mas é um vídeo que está fora de contexto — declarou.
‘Memória fragmentada’
Ao narrar o trajeto até o acidente, Fernando afirmou que saiu da vaga devagar e percorreu ruas do bairro até chegar à avenida Salim Farah Maluf. Ele afirmou se lembrar de ultrapassar um carro pela faixa da esquerda e de parar em um semáforo. A partir desse momento, porém, disse ter recordações fragmentadas.
— Depois que eu saio desse farol, é uma memória muito fragmentada, não lembro direito o que aconteceu. Lembro de ter visto um carro na minha frente, eu tento frear e desviar, mas, de repente, é um apagão — afirmou. Ela também admitiu a possibilidade de ter tentado “cortar” o carro de Ornaldo.
Sastre afirmou que recobrou a consciência fora do veículo e viu Marcus ferido. Segundo ele, estava em estado de choque e não compreendia o que havia acontecido. Disse que um homem o amparou e explicou que ele havia se envolvido em um acidente e que o socorro já havia sido acionado. Sastre diz que não chegou a ver Ornaldo no local e que sua preocupação imediata foi com o amigo. Também afirmou não se lembrar da sequência exata dos acontecimentos após a colisão.
Sobre a saída do local, Fernando disse que sua mãe chegou depois do resgate das vítimas. Segundo ele, um policial havia autorizado a saída. Sua mãe teria dito que o levaria ao hospital, mas os dois foram para casa. Em casa, relatou ter tomado banho e sentido dores devido a fraturas em duas costelas e três ossos da face. Sua mãe, segundo o depoimento, deu medicamentos pra ele. Ele diz então ter adormecido no sofá.
Sastre afirmou que acordou por volta das 9h e recebeu a notícia de que Ornaldo não havia resistido aos ferimentos e de que Marcus estava passando por uma cirurgia.
— Depois disso, minha vida acabou, eu passei a vegetar até o dia em que fui preso — disse.
Questionado pelo Ministério Público sobre o motivo de ter negado anteriormente o consumo de álcool, Fernando disse que poderia apresentar justificativas, mas que pretendia contar a verdade durante o julgamento.
— Poderia inventar mil desculpas para isso que eu fiz, mas eu estou aqui entregue. Hoje eu quero, sim, dizer a verdade — afirmou.
O réu também declarou acreditar, naquela noite, que estava em condições de dirigir. Segundo ele, se Marcus tivesse percebido que não tinha condições de assumir o volante, teria impedido que ele dirigisse.
— Se o Marcus tivesse visto que eu não estava em condições de dirigir, ele não só não teria entrado no carro, ele teria impedido que eu tivesse dirigido. Na minha cabeça, naquele momento, eu acreditava estar em condições — disse.
O acidente ocorreu na madrugada de 31 de março de 2024, na Zona Leste de São Paulo. O Porsche conduzido por Fernando colidiu com o Renault Sandero dirigido por Ornaldo, que trabalhava como motorista de aplicativo. Ornaldo morreu em decorrência dos ferimentos, e Marcus ficou gravemente ferido.
Problemas no Porsche
Mais cedo, a defesa de Sastre apresentou um laudo de um perito contratado pela família do empresário que aponta supostas falhas no Porsche dirigido pelo jovem na noite da batida. A família da defesa contratou um perito, Alfredo Vieira das Neves Júnior, que identificou, segundo a análise particular, 128 DTCs — códigos de falha registrados pelo veículo — e seis avarias que poderiam ter comprometido o tempo de resposta do carro. Segundo o técnico, 122 falhas antes ao acidente, e seis que ocorreram no momento “pré-impacto”.
Entre os problemas apontados estão uma avaria na câmera dianteira, que teria reduzido a luminosidade captada pelo sistema, e uma possível falha no mecanismo de fixação das rodas, que poderia provocar o travamento do eixo traseiro. A tese da defesa também foi apresentada na véspera pela mãe do empresário, Daniela Cristina de Medeiros Andrade. Em depoimento na quarta-feira, ela questionou a conclusão da montadora que respondeu em ofício de que os defeitos identificados “não comprometiam a dirigibilidade do veículo”.
— Me parece muito estranho uma empresa como a Porsche dizer isso. É como dizer que um avião tem problemas na asa, mas pode voar — afirmou.
O GLOBO procurou a Porsche Brasil sobre o laudo e aguarda retorno.

Caso Porsche: motorista é condenado a 17 anos de prisão