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setembro 27, 2026
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Centenas acampam na Puerta del Sol contra a crise da moradia na Espanha

Por · setembro 27, 2026
Centenas acampam na Puerta del Sol contra a crise da moradia na Espanha


Centenas de pessoas passaram a noite de sábado para domingo na central Puerta del Sol, em Madri, para reivindicar proteção para os inquilinos após o despejo de uma idosa de mais de 80 anos, que se tornou símbolo da crise da moradia na Espanha.
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“Todos somos Maricarmen” e “Nem uma Maricarmen a mais” eram algumas das mensagens nas barracas que ocupam grande parte da enorme praça, bem em frente à sede do governo. A maioria dos acampados passou a noite ali depois de uma manifestação que reuniu milhares de pessoas nas ruas de Madri no sábado.
Manifestantes acampam com barracas um dia após um protesto contra os despejos e a crise da moradia , na praça Puerta del Sol, em Madri.
THOMAS COEX/AFP
— Vamos dar a isto [ao acampamento] uma vida para continuar identificando os contratos indefinidos e para que a moradia deixe de ser um bem de mercado e passe a ser um bem de primeira necessidade — disse no domingo um dos organizadores com um megafone aos acampados.
Em 2011, a Puerta del Sol já havia sido ocupada durante três semanas pelo movimento dos Indignados, jovens frustrados pelas más perspectivas econômicas e pela corrupção durante os anos de recessão posteriores à crise financeira de 2008.
Na quarta-feira, as imagens de Maricarmen Abascal, de 87 anos, evacuada em uma maca de seu apartamento madrilenho depois que a polícia forçou a porta, provocaram comoção no país e voltaram a colocar a crise da moradia na Espanha no centro do debate, diante das eleições gerais previstas para 2027.
“Não aguentamos mais. Ou cai o rentismo, ou cai o governo”, afirmou no X o Sindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madri, que convocou a população a se juntar ao acampamento instalado na Puerta del Sol após a manifestação de sábado.
— Foi uma noite tranquila, com muita esperança, passamos o tempo conversando sobre a situação, o que se pode fazer disse Sergio, de 28 anos, funcionário de uma ONG. — Vamos ficar o tempo que for necessário.
Mudar as leis
Maricarmen Abascal, convertida em símbolo da crise da moradia na Espanha, havia pedido aos espanhóis que se juntassem à luta em uma mensagem de vídeo publicada na internet poucas horas antes da manifestação.
— Que o que me aconteceu sirva para que não aconteça a outras pessoas, quero que sirva para que as pessoas lutem e para que sejam mudadas as leis que permitiram meu despejo — declarou Abascal do hospital onde recebe tratamento por esgotamento desde seu despejo.
Maricarmen em entrevista e protestos contra seu despejo
Reprodução / Instagram / @inquilinato_madrid
A idosa foi obrigada a deixar o apartamento onde vivia há 70 anos depois que uma imobiliária comprou o edifício e aumentou o aluguel em 275%, chegando a 2.650 euros, segundo o sindicato.
Em dez anos, o preço médio do metro quadrado de aluguel na Espanha dobrou, alcançando 15,1 euros/m² (17,2 dólares) em agosto, segundo o portal imobiliário Idealista.
Na compra, situa-se agora em 2.355 euros (cerca de 2.682 dólares), um aumento de mais de 50% no mesmo período, segundo dados oficiais.
O presidente do Governo socialista, Pedro Sánchez, que havia se comprometido a transformar a moradia em uma prioridade de seu Executivo, enfrenta uma pressão crescente para agir.
No próximo Conselho de Ministros, seu Governo deverá aprovar um pacote de medidas conhecido como “decreto Maricarmen”, que prevê a renovação automática dos contratos de aluguel e um reforço das restrições aos despejos.
No entanto, não está claro se essas medidas serão aprovadas pelo Parlamento, onde o Governo de Sánchez não dispõe de maioria.

Centenas acampam na Puerta del Sol contra a crise da moradia na Espanha