O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, reuniu-se neste sábado com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, durante uma visita oficial ao país asiático, com quem Moscou estreitou laços nos últimos anos. O chanceler agradeceu a Kim pelo apoio no esforço de guerra russo no Leste Europeu, e fez um alerta a Coreia do Sul, EUA e Japão contra qualquer ação contra Pyongyang.
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A mais recente viagem de uma autoridade russa de alto escalão à Coreia do Norte é mais um sinal do aprofundamento das relações entre os dois países. Pyongyang enviou milhares de soldados para a região russa de Kursk, para ajudar no esforço de guerra para expulsar as forças de Kiev do território, e forneceu projéteis de artilharia e mísseis ao Exército russo. Há relatos de que Moscou permitiu um maior compartilhamento de tecnologia em troca.
Em imagens divulgadas pelo ministério russo, Kim e Lavrov são vistos se abraçando. Antes, o chanceler se encontrou com a chefe da diplomacia norte-coreana, Choe Son Hui, na cidade de Wonsan, no leste do país, onde foi inaugurada uma zona turística no fim de junho. No encontro, promessas de ajuda contínua — os países assinaram um acordo de defesa mútua no ano passado — e condenações a possíveis interferências externas.
Em uma declaração a repórteres, registrada pela agência de notícias Tass, Lavrov acusou Coreia do Sul, EUA e Japão do que chamou de acúmulo militar em torno da Coreia do Norte.
— Advertimos contra a exploração desses laços para construir alianças contra qualquer um, incluindo a Coreia do Norte e, claro, a Rússia — disse Lavrov.
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Um comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores russo destacou o agradecimento “especial” de Lavrov aos “heroicos” soldados norte-coreanos que ajudaram o Exército russo a expulsar as tropas ucranianas da região fronteiriça de Kursk, invadida em agosto de 2024. Moscou afirmou que havia expulsado as tropas ucranianas da região em abril, e agradeceu, na ocasião, às forças norte-coreanas, reconhecendo assim, pela primeira vez, sua participação direta no conflito.
Questionado sobre a possibilidade de que tropas norte-coreanas sejam enviadas a outras partes da linha de frente, Lavrov respondeu que isso cabe a Pyongyang decidir.
— Partimos do princípio de que a própria República Popular da Coreia determina as formas de aplicação do nosso acordo de parceria estratégica — disse.
Kim tem sido retratado na mídia estatal prestando homenagem diante de caixões cobertos com bandeiras de soldados norte-coreanos mortos ajudando a Rússia a combater a Ucrânia.
A agenda oficial divulgada pelas impressas estatais indicam que o chanceler permanece no país até domingo. (Com AFP)