Após a derrota sofrida na última luta contra o georgiano Ilia Topuria, na disputa pelo cinturão dos pesos-leves do UFC, o brasileiro Charles do Bronx precisou se ausentar dos treinos por orientação médica e viu nas redes sociais o apoio dos brasileiros como um dos motivadores para que não abandonasse o desejo de segurar o cinturão de melhor do mundo mais uma vez. Tanto que, quando soube do UFC Rio, que ocorrerá no dia 11 de outubro, na Farmasi Arena, ele não pestanejou em levantar a mão para capitanear o evento, mesmo aceitando lutar com um adversário que, pelo contexto, é um risco para a volta ao octógono por conta do estilo de luta. A atitude rendeu uma rápida resposta: em duas horas os ingressos para o evento esgotaram.
— Estou feliz demais com a repercussão do evento. Porque todas as vezes que é um “Fight Night”, não vende tanto assim, a procura é menor, pois não tem os principais lutadores da organização, mas quando entrei com meu nome para estar lutando, deu esse boom gigantesco, vendeu todos os ingressos. A gente está fazendo história, deixando um legado gigantesco e que com certeza, no dia da pesagem, no dia da luta, vai estar lotado de gente, torcendo e vibrando pela gente — diz o lutador ao GLOBO.
O brasileiro já voltou aos treinos pouco mais de dois mês após o nocaute aplicado por Topuria, mas Charles ressalta que não sentiu o impacto da derrota e já virou a pagina.
— Já voltei a treinar normal. Tem muita gente falando: “não mano, sofreu um nocaute, não poderia lutar”, mas eu voltei a minha vida normal. Já faço sparring (treino com luta) faz tempo e me sinto da mesma forma como todas as outras lutas. Estou feliz, focado em tudo que vem acontecendo — diz Charles.
Para a luta no Brasil, muito foi especulado um confronto com Dan Hooker, neozelandês que gosta de confrontos em pé, e que está no top 6 da categoria de Charles, após vencer as últimas três lutas. O casamento teria o brasileiro como favorito, por conta do maior refino técnico na área que Hooker é mais fraco: na luta agarrada, com quedas, movimentações e finalizações.
Mas acabou não acontecendo e quem tomou a vez foi o azerbaijano Rafael Fiziev que, embora esteja abaixo no ranking dos melhores atletas (10º) carrega um estilo de luta que pode colocar o brasileiro em maior dificuldade do que o esperado de Hooker, já que foi campeão mundial no kickboxing amador diversas vezes, além de ter ótima defesa de quedas, para não ter que lutar no chão — ponto mais forte do brasileiro.
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No entanto, Do Bronx deixou claro que está melhorando os pontos em que julga ter errado no nocaute sofrido por Topuria, em junho, entre eles a cabeça fria para seguir o plano de jogo traçado.
— Acho que fugi um pouco da estratégia que a gente tinha, que era movimentar, usar chutes frontais, enquanto tentava as entradas de quedas. Eu acho que plantei um pouco, esperando uma mão (soco) dele para conectar a minha em contra-golpe. Nisso que eu acabei pecando, pelo fato de ser mais curto, acabou conectando primeiro, e por isso que eu acabei perdendo, mas faz parte, o mais importante é voltar pra casa, treinar, se dedicar e esperar a próxima — opina.
Mas admite que continuará com o estilo agressivo que o marcou dentro da companhia.
— O Fizeev é um cara duríssimo, é um cara que se movimenta, joga nas duas bases (de canho e de destro), é um lutador de MMA assim como eu, mas de verdade eu tô muito feliz, eu tô muito focado, eu quero muito essa luta, do outro lado, essa torcida maravilhosampulsionando, então vai ser massa — diz Do Bronx.
E continua: — Todo mundo sabe, sou o cara que só anda pra frente, eu procuro a luta o tempo inteiro, lógico que a gente tem que evoluir, vir com a estratégia que eu não vou errar. Eu sou um cara mais alto, eu sou um cara que tem uma envegadura maior, então vamos trabalhar um pouco disso.
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O ex-campeão do UFC ainda revelou que tem negociadas mais três lutas em 2026, assim como informado pelo Portal Vale Tudo e confirmado pelo GLOBO. O atleta não mencionou os nomes dos futuros adversários. O atleta ainda projeta uma nova chance pelo cinturão ao final desta sequência, mas também deixou em aberto a oportunidade de lutar no inusitado UFC que poderá acontecer na Casa Branca, nos Estados Unidos.
— Se você fala sobre legado, com certeza isso é algo gigante (lutar na Casa Branca), algo que nunca aconteceu seria algo top. Por que não? Vamos esperar, ver o que vai acontecer, as negociações — diz o atleta. E continua: Acho que pelo meu carisma, posso ser convidado. Aí é tudo conversar, adversário, data, o que vai ser, como vai ser… Com certeza, eu gostaria muito de lutar, mas vamos esperar, vamos ver o que vai dar.
O anúncio do evento especial e polêmico foi feito pelo Dana White, chefe do UFC, amigo do presidente americano Donald Trump, anunciou no início do mês a realização do evento de artes marciais mistas na Casa Branca em 4 de julho de 2026, dia do 250º aniversário da independência dos Estados Unidos. Em uma entrevista à rede CBS, White foi perguntado sobre seus planos para este evento e respondeu: “Vai acontecer, isso é certo”.