Um dos nomes à frente da organização da programação gastronômica da COP30, o chef Saulo Jennings compartilhou preocupação com a situação que envolve a proibição de consumo de açaí e outros ingredientes característicos da culinária paraense, como maniçoba e tucupi, durante o evento. Após a reação do ministro do Turismo, Celso Sabino, ao edital da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) culminar na liberação da oferta do alimento, Jennings publicou nas redes sociais que é preciso “manter a vigilância” para que o produto esteja realmente disponível e divulgou um vídeo com a ex-BBB Alane Dias, natural de Belém, comendo um tacacá.
- Vídeo: A três meses da COP30, Aeroporto Internacional de Belém registra alagamento na área de embarque
- Presidenciáveis: Zema e Ratinho Jr não assinam carta em apoio à COP30 ser realizada em Belém
— O melhor do Pará é o tacacá e a nossa gente. Então, ninguém mexe com a gente — disse Jennings. Já Alane completou: —Nossa culinária é muito única. Não tem quem derrube ela.
Uma postagem publicada em conjunto por Jennings destaca que o “movimento das entidades da sociedade civil conseguiu estancar em tempo recorde esse absurdo”.
“A falta de coerência e de responsabilidade perante a nossa cultura alimentar é incompreensível. Falta de respeito. Que não se repita”, diz o post.
O documento da OEI mencionava o “risco de contaminação por Trypanosoma cruzi (causador da doença de Chagas), se (o açaí) não for pasteurizado”. Paraense, Sabino disse em nota que articulou com a organização e com o secretário-geral da COP para assegurar que o edital fosse republicado com novas regras.
Já a maniçoba, prato com folha da mandioca-brava acompanhada de carnes salgadas e defumadas, e o tucupi, caldo amarelo extraído da mandioca que é a base do tacacá, também inicialmente vetados, contêm “ácido cianídrico”, substância tóxica potencialmente prejudicial à saúde. No caso da maniçoba, para evitar o risco, as folhas da mandioca precisam ser moídas e cozidas por cerca de sete dias, enquanto a preparação do tucupi demanda fermentação e cozimento, que reduzem ou eliminam o ácido cianídrico.
“O Ministério do Turismo destaca que Belém é reconhecida como cidade criativa da Gastronomia pela Unesco e este ano recebeu o prêmio pela publicação Lonely Planet, maior editora de guias de viagem do mundo, como única cidade brasileira entre as 10 melhores gastronomias do mundo”, diz a nota.
A OEI é responsável por fazer as contratações para a conferência, o que ficou estabelecido em um acordo com o governo federal. Na lista de alimentos que, segundo a entidade, trazem alguma forma de risco, estavam ainda maionese, ostras cruas, carnes malpassadas e sucos de fruta in natura.
