Em meio ao deserto rochoso e empoeirado de Xinjiang, no extremo oeste da China, um novo complexo de infraestrutura começa a se formar com gigantescos data centers movidos a energia solar e eólica. Repleto de turbinas e painéis solares espalhados até onde a vista alcança, o cenário pode parecer improvável e isolado.
Mas é nele que o governo chinês deposita parte de sua aposta para liderar a corrida global da inteligência artificial.
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Segundo documentos obtidos pela Bloomberg, o governo chinês aprovou, no fim do ano passado, 39 projetos de data centers em Xinjiang e na vizinha província de Qinghai. Juntos, eles detalham planos para utilizar mais de 115 mil chips da Nvidia, semicondutores avançados cuja exportação à China é restrita pelos Estados Unidos.
A escala é comparável à de grandes operações nos EUA, como as que treinam modelos como o ChatGPT ou o Gemini.
O movimento ocorre em um momento de tensões crescentes entre Washington e Pequim. Desde que o governo Biden impôs os primeiros controles à exportação de chips de IA, os EUA têm apertado o cerco.
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Na semana passada, a Bloomberg soube dos planos do governo Trump de restringir ainda mais as remessas de chips de IA para a Tailândia e a Malásia, como parte de um esforço para evitar desvios à China. O receio é de que a potência asiática utilize essa tecnologia em suas forças armadas de próxima geração.
Apesar das restrições, os planos chineses avançam. Em Xinjiang, muitos dos projetos se concentram em Yiwu, um condado remoto e montanhoso, a cerca de sete horas de viagem de Pequim. Foi ali que o repórter James Mayger, da Bloomberg, localizou grandes complexos em construção com base nas coordenadas dos documentos oficiais.
Entre os projetos mais ambiciosos está o da Nyocor, empresa de energia renovável controlada parcialmente pelo Estado. Ela pretende instalar 625 servidores em seu data center e, para isso, planeja adquirir 2 mil chips H100 da Nvidia, cada um avaliado em cerca de US$ 20 mil.
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O poder computacional será vendido à Infinigence AI, uma startup chinesa que já levantou US$ 140 milhões desde sua fundação em 2023.
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A escolha por Xinjiang pode parecer equivocada pela sua distância, mas não é casual. Além de terrenos baratos e clima frio, ideais para manter os servidores refrigerados, a região é um polo de energia verde, o que se alinha ao discurso do governo chinês de promover um crescimento tecnológico sustentável.
Espalhadas pelo deserto, há instalações que concentram luz solar em torres com sódio fundido para gerar eletricidade, visíveis a até 30 quilômetros de distância.