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Com o tarifaço dos EUA no intercâmbio com outros países, incluindo o Brasil, o tratado com a Efta pode estimular novos acordos com o Mercosul, avaliam interlocutores do governo e do setor privado. Um deles é com a União Europeia, que deve ser assinado em dezembro, na reunião de países do Mercosul, cuja presidência rotativa é brasileira.
A cerimônia de assinatura foi realizada em uma reunião informal entre chanceleres do bloco sul-americano e autoridades da Efta, no Rio. Mas o tratado que cria c zona de livre comércio entre os dois blocos não entra em vigor imediatamente. Os parlamentos dos países envolvidos terão de aprová-lo antes. O prazo é indefinido.
Pelo acordo, a Efta eliminará 100% das tarifas de importação dos setores industrial e pesqueiro no momento em que o acordo passar a valer. Considerados os universos agrícola e industrial, o livre comércio de produtos brasileiros aos mercados da Efta chegará a quase 99% do valor exportado.
Segundo o Itamaraty, como o bloco europeu possui 15 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de US$ 1,3 trilhão, quando completamente ratificado por todos os envolvidos, o tratado criará uma zona de livre comércio com quase 300 milhões de pessoas e uma economia de mais de US$ 4,3 trilhões.
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O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse ao GLOBO que o acordo vai permitir que a indústria brasileira acesse um mercado de 15 milhões de consumidores dos países de alta renda do Efta, que somam um PIB de US$ 1,4 trilhão:
— Após dez anos sem fechar nenhuma parceria dessa natureza, nós concluímos também as parcerias Mercosul-Singapura e Mercosul-União Europeia. É uma sinalização importante em favor do comércio internacional como fator de crescimento econômico e de prosperidade para os povos.
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Para o embaixador da Noruega no Brasil, Odd Magne Ruud, no cenário atual, em que novas barreiras e tarifas estão surgindo no mundo, os dois blocos econômicos só têm a ganhar. Ele diz que, entre os setores de interesse estão os de energia, transporte marítimo, aquicultura e serviços digitais.
Michel Platini, presidente da Associação Brasileira dos Importadores (Abimp), vê no acordo um marco importante, porque reduz barreiras tarifárias e não tarifárias, que encarecem os produtos importados. A alíquota do chocolate suíço, por exemplo, é de 20%.
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Indústrias brasileiras atingidas pela sobretaxa de 50% nos EUA, como as de carne, calçados, equipamentos e móveis veem o tratado com a Efta como uma chance de ampliar exportações. No caso da carne bovina, o Brasil exporta para esses países cinco mil toneladas por ano, pouco perto das 200 mil toneladas para os EUA antes do tarifaço, mas que indica espaço para crescer.
O acordo contempla bens e serviços, investimentos, propriedade intelectual, compras governamentais, concorrência, regras de origem, defesa comercial, medidas sanitárias e fitossanitárias, barreiras técnicas, solução de controvérsias e uma parte dedicada a desenvolvimento sustentável.