O assunto deixou de aparecer apenas em consultórios e passou a fazer parte das conversas sobre corpo, saúde e envelhecimento. Entre celebridades, o uso de medicamentos da classe dos GLP-1 para controle do peso vem ganhando espaço, com relatos que vão de resultados positivos a efeitos colaterais e questionamentos sobre a pressão estética. Agora, Chrissy Metz, conhecida por “This Is Us” e “The Hunting Wives”, entrou nessa conversa ao revelar que decidiu recorrer ao tratamento aos 45 anos.
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Em entrevista à “People”, a atriz contou que passou anos resistente à ideia de usar esse tipo de medicamento, mas mudou de decisão diante de dificuldades relacionadas ao peso, à perimenopausa e também de um histórico familiar de obesidade. Segundo Chrissy, a medicação reduziu o chamado “food noise”, expressão usada para descrever pensamentos recorrentes sobre comida. Ela também relatou melhora na mobilidade e nas dores nas articulações.
Chrissy Metz revela motivo inesperado para começar tratamento contra o excesso de peso
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A experiência da atriz ajuda a ilustrar por que os GLP-1 ganharam tanto espaço no debate sobre emagrecimento. O que antes era associado principalmente ao tratamento do diabetes passou a ser discutido também como uma ferramenta para o controle crônico do peso em pessoas que atendem a determinados critérios médicos. Nos Estados Unidos, medicamentos como semaglutida e tirzepatida têm indicações aprovadas para esse fim em situações específicas.
Para a nutróloga Mariana Comério, o caso também chama atenção para uma mudança na maneira como o tema é percebido. “Esses medicamentos podem ajudar a reduzir o apetite e aumentar a sensação de saciedade, mas precisam fazer parte de um tratamento. A indicação depende de avaliação clínica, histórico de saúde, composição corporal, exames e objetivos do paciente. Não é uma medicação que deve ser utilizada simplesmente porque uma celebridade está usando”, afirma.
Por que a perimenopausa aparece nessa conversa?
No relato de Chrissy, a decisão aconteceu em um momento de mudanças no corpo. A perimenopausa é a fase de transição que antecede a menopausa e pode vir acompanhada de alterações no sono, na distribuição de gordura, na composição corporal e na própria percepção do corpo. O ganho de peso pode ocorrer nesse período, embora a experiência varie bastante entre as mulheres.
“A perimenopausa pode trazer mudanças importantes na composição corporal e tornar o controle do peso mais desafiador para algumas mulheres. Existe uma combinação de fatores hormonais, metabólicos, comportamentais e relacionados ao sono. Por isso, não devemos resumir o ganho de peso dessa fase a uma questão de falta de disciplina”, explica a especialista.
É justamente nesse ponto que a história da atriz se distancia da ideia de uma simples busca por emagrecimento. Metz afirmou que não estabeleceu uma meta específica de peso e que vem combinando o tratamento com treinamento de força e outros cuidados. A atividade física também é apontada como importante durante a transição para a menopausa, inclusive para ajudar a preservar a composição corporal.
Afinal, como esses medicamentos agem?
Apesar de terem se tornado conhecidos nas conversas sobre perda de peso, os GLP-1 não funcionam como um simples “inibidor de apetite”. A classe atua em mecanismos ligados à saciedade, à ingestão de alimentos e ao controle da glicemia. Dependendo do medicamento e da indicação, há usos aprovados para diabetes tipo 2 ou para o controle crônico do peso.
Na prática, isso significa que a experiência de uma pessoa não necessariamente será igual à de outra. A resposta ao tratamento, os efeitos adversos e a própria indicação dependem de fatores individuais.
“A decisão de utilizar um GLP-1 precisa ser individualizada e acompanhada por profissional habilitado. É necessário avaliar indicação, dose, efeitos adversos, composição da alimentação, massa muscular e evolução clínica. O objetivo não deve ser simplesmente atingir um determinado padrão corporal, mas melhorar saúde e qualidade de vida”, destaca Mariana.
O que o histórico familiar tem a ver com isso
Chrissy Metz também citou a presença de obesidade na família como um dos elementos considerados antes de iniciar o tratamento. A genética pode participar da predisposição ao excesso de peso, mas não explica sozinha o desenvolvimento da obesidade.
“Obesidade é uma condição multifatorial. A genética tem influência, mas também precisamos considerar ambiente, alimentação, sono, atividade física, saúde metabólica, medicamentos e aspectos psicológicos. Ter familiares com obesidade aumenta a atenção necessária, mas não significa que o indivíduo esteja destinado a desenvolver a doença”, esclarece a nutróloga.
Chrissy Metz conta por que decidiu usar medicamento para perder peso
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Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que pessoas com histórias semelhantes podem ter respostas diferentes no controle do peso. No caso de Chrissy, a medicação faz parte de uma estratégia mais ampla. A atriz também contou que treina com um profissional e vem priorizando força e bem-estar, sem concentrar o processo apenas no número da balança.
Para Mariana, esse cuidado é importante porque emagrecer não significa apenas reduzir o peso.
“Quando existe perda de peso, nosso objetivo não deve ser simplesmente fazer o número da balança cair. Precisamos preservar massa muscular, garantir ingestão adequada de proteínas e micronutrientes e manter atividade física, principalmente exercícios de força. O medicamento pode ser uma ferramenta, mas não substitui todo o restante do tratamento”, orienta.
A presença dos GLP-1 entre famosos ajuda a explicar por que o assunto ganhou tanto espaço nas conversas sobre corpo e emagrecimento. Os relatos, porém, partem de situações distintas. No caso da atriz, a decisão veio em meio às mudanças da perimenopausa, ao histórico familiar e à busca por mais disposição e mobilidade.
É justamente essa diferença que precisa ser considerada quando o assunto sai das redes e chega à vida real. A indicação depende das condições de cada paciente, assim como o acompanhamento e a resposta ao longo do processo. O que aparece como uma tendência entre celebridades, na prática, envolve escolhas que precisam levar em conta a história e as necessidades de cada pessoa.

