Aos 50 anos, Christa Gail Pike está no corredor da morte há quase três décadas e deve ser executada nesta quarta-feira, por injeção letal, no Tennessee, nos Estados Unidos. Ela foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, sua colega em um programa de formação profissional para jovens.
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Na terça-feira, a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou uma última tentativa da defesa de suspender a execução.
Quem é Christa Pike?
Pike nasceu em 10 de março de 1976, em Beckley, West Virginia. Segundo registros biográficos, enfrentou problemas neurológicos e episódios convulsivos desde bebê. Na adolescência, cresceu em um ambiente familiar instável, sofreu maus-tratos e afirmou ter sido vítima de abuso sexual.
Na juventude, participou do Job Corps, programa de formação profissional voltado a jovens de baixos recursos socioeconômicos. Foi nesse período que conheceu Slemmer.
Em 12 de janeiro de 1995, Slemmer foi atraída para uma área afastada do campus agrícola da Universidade do Tennessee sob o pretexto de que ela e Pike iriam “fazer as pazes”. Pike tinha 18 anos. Segundo a promotoria, Pike acreditava que Slemmer estava tentando “roubar” seu namorado, Tadaryl Shipp. O rapaz tinha 17 anos na época e foi apontado como cúmplice, assim como Shadolla Peterson, amiga de Pike.
Segundo o registro da acusação, Slemmer foi espancada e esfaqueada, e um pentagrama foi gravado em seu peito. Parte de seu crânio foi retirada como “lembrança”. O caso ganhou repercussão nacional depois que o corpo foi encontrado.
Em 1996, Pike foi condenada por assassinato com agravantes e conspiração e recebeu a pena de morte. Shipp foi condenado à prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. Mais tarde, sua pena foi aumentada depois de um novo crime cometido na prisão. Já Peterson cooperou com as investigações e obteve liberdade condicional.
Defesa cita idade, abusos e problemas de saúde mental
Ao longo dos recursos apresentados após a condenação, os advogados de Pike passaram a destacar a idade que ela tinha quando cometeu o crime, o histórico de abusos na infância e seus problemas de saúde mental.
Em um pedido de clemência ao governador do Tennessee, Bill Lee, os advogados escreveram que “ela tinha 18 anos quando cometeu seu crime e sofria de uma doença mental grave”.
Segundo a defesa, Pike sofria de transtorno bipolar e estresse pós-traumático desde a infância, mas os problemas só foram diagnosticados depois que ela já havia sido condenada à morte.
A defesa também afirmou que Pike sofreu estupros repetidos, violência sexual, abandono e traumas. Os advogados escreveram: “Era uma criança que suportou estupros repetidos, violência sexual, abandono e traumas profundos. No momento do crime, carregava consigo as cicatrizes dessa violência, dessa negligência e de uma doença mental não tratada”.
Os advogados argumentam ainda que Pike passou três décadas no corredor da morte, praticamente isolada como a única mulher nessa situação no Tennessee, e sustentam que essas condições poderiam configurar uma forma cruel de encarceramento.
Defesa questiona efeitos da injeção letal
Nesta terça-feira, a Suprema Corte rejeitou o pedido de última hora para suspender a execução.
A defesa havia alegado que os problemas de saúde mental de Pike e uma doença sanguínea poderiam fazer com que a injeção letal provocasse “sofrimento desnecessário”.
Um grupo de especialistas em direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) também pediu ao governo dos Estados Unidos e às autoridades do Tennessee que interrompessemm “imediatamente” a execução e comutassem a sentença de morte.
Os especialistas afirmaram: “A execução de Pike marcaria o culminar de uma trajetória de intenso sofrimento físico e psicológico, caracterizada por abusos na infância e por quase três décadas de isolamento no corredor da morte”.
Execução está prevista para esta quarta-feira
A execução está marcada para as 10h no horário local (12h no horário de Brasília) no centro penitenciário de segurança máxima Riverbend, em Nashville. O procedimento será realizado por injeção letal.
Segundo o Centro de Informação sobre a Pena de Morte, Pike será a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos. A mesma organização informa que 18 mulheres foram executadas nos Estados Unidos desde 1976.
O governador do estado, Bill Lee, afirmou que não intervirá para impedir a execução.
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