Milhares de moradores de Oleshky, cidade ucraniana ocupada pela Rússia na região de Kherson, estariam enfrentando uma grave crise humanitária após meses sem entregas regulares de alimentos e medicamentos. Segundo o jornal alemão Bild, entre 2 mil e 4 mil pessoas permanecem na cidade, que está isolada pelo exército russo, estradas minadas e sob ataques de drones e artilharia.
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Oleshky fica na margem leste do rio Dnipro, a cerca de quatro quilômetros de Kherson. Antes da guerra, a cidade tinha aproximadamente 24 mil habitantes. Agora, segundo autoridades ucranianas, os moradores enfrentam escassez de alimentos, medicamentos, água e eletricidade, enquanto as possibilidades de deixar a região se tornaram cada vez mais perigosas.
A última entrega de alimentos considerada bem-sucedida teria ocorrido em 26 de maio, de acordo com a publicação. Desde então, a situação teria se deteriorado a ponto de moradores recorrerem a alimentos improvisados e vasculharem porões destruídos em busca de comida.
Durante o verão europeu, muitas famílias conseguiram sobreviver com alimentos de suas próprias hortas, mas a chegada do outono deve trazer mais fome para a região.
Na última semana, a 34ª Brigada de Fuzileiros Navais da Ucrânia publicou um vídeo para mostrar a situação da cidade e pedir apelo internacional.
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Cadáveres permanecem nas ruas
A situação também afetaria o tratamento dado às pessoas que morrem na cidade. Segundo relatos citados pelas fontes do Bild e do site britânico Daily Mail, os mortos não estariam sendo enterrados regularmente. O necrotério local foi atingido por bombardeios, e corpos permaneceriam em porões ou nas ruas. Testemunhas afirmam que alguns cadáveres estariam sendo devorados por cães.
De acordo com o Daily Mail, o hospital de Oleshky também enfrenta condições precárias. A unidade estaria sem suprimentos médicos básicos, água encanada e fornecimento regular de energia. Apenas quatro médicos, todos idosos e antigos integrantes da equipe, continuariam trabalhando no local.
Sem equipamentos e medicamentos suficientes, a equipe consegue apenas realizar procedimentos emergenciais. As ambulâncias também não circulam pela cidade há anos devido aos riscos relacionados aos ataques de drones.
Tentativas de fuga ocorrem por estradas minadas
Com as entregas de alimentos interrompidas, alguns moradores passaram a tentar deixar Oleshky por conta própria. Uma das rotas utilizadas leva em direção ao vilarejo de Radensk, por estradas que estariam contaminadas por minas terrestres.
Stefan Vorontsov, coordenador de voluntários da organização Humanity, disse que há alguns meses ainda era possível realizar a saída de civis em veículos. Agora, segundo ele, a única alternativa seria percorrer parte do caminho a pé.
A caminhada até Radensk pode levar entre cinco e seis horas, sob risco de ataques de drones. Depois de chegar ao vilarejo, os moradores podem ser recolhidos por voluntários e encaminhados para locais mais seguros.
Uma família teria conseguido deixar a região cerca de uma semana antes dos relatos. Outros moradores, porém, permanecem na cidade por terem filhos, netos ou parentes com mobilidade reduzida. Segundo o Bild, soldados que fazem o bloqueio chegaram a falar para os moradores voltarem para a cidade e “morrerem lá”.
As autoridades ucranianas haviam preparado uma operação de evacuação humanitária e elaborado uma lista de civis que precisariam deixar Oleshky. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) também teria demonstrado disposição para participar, enquanto as forças ucranianas se preparavam para garantir um cessar-fogo durante a operação.
Crise se agrava com a chegada do inverno
O problema não estaria restrito à alimentação. Desde a destruição da barragem de Kakhovka, em 2023, o hospital local depende de geradores para obter eletricidade, mas até o combustível se tornou cada vez mais difícil de conseguir.
A perspectiva de enfrentar o inverno sem fornecimento regular de comida, medicamentos, energia e transporte preocupa os moradores.
O Museu do Holodomor da Ucrânia também se manifestou sobre a situação em 16 de setembro, classificando a fome como um dos problemas mais graves enfrentados por Oleshky e seus arredores e pedindo que a comunidade internacional não ignore a crise humanitária.
“A fome está entre os problemas mais graves nessas áreas… A situação piorou significativamente desde o outono de 2025 devido à falta de aquecimento e à interrupção efetiva do fornecimento de alimentos. Segundo Tetiana Hasanenko, chefe da Administração Militar da Cidade de Oleshky, além de jornalistas e voluntários que monitoravam a situação, os moradores precisavam comer faisões, pombos e substitutos alimentares. Em 12 de agosto de 2026, Dmytro Lubinets, Comissário de Direitos Humanos do Parlamento Ucraniano, declarou que o lado ucraniano havia concluído todas as medidas preparatórias necessárias para a evacuação da população civil de Oleshky e dos assentamentos vizinhos, enquanto o lado russo continua impedindo a saída das pessoas”, afirma a nota da instituição, publicada na última quarta (16).
Oleshky permanece na margem leste do Dnipro, área ocupada pelas forças russas que também é utilizada para lançar ataques contra posições ucranianas do outro lado do rio, incluindo a cidade de Kherson, retomada pela Ucrânia em novembro de 2022.
Cidade ucraniana isolada pela Rússia tem milhares morrendo de fome e cadáveres comidos por cães; vídeo
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