Mesmo sendo uma das cidades mais visitadas por brasileiros na Europa, Lisboa nunca para de surpreender. A capital portuguesa — que no mês passado foi eleita a melhor cidade para escapadas na Europa, na etapa continental do World Travel Awards, o “Oscar do Turismo” — está em constante renovação, com novas atrações abertas ou reabertas nos últimos anos.
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Selecionamos cinco programas, entre museus e espaços culturais, que podem ser novidades interessantes até mesmo para quem já esteve mais de uma vez na cidade. Há desde a reabertura de um museu na Baixa Pombalina, no coração de Lisboa, à caixa forte que preserva parte do ouro e das pedras preciosas extraídas do Brasil durante o período colonial. E também endereços “escondidos” na região entre os bairros de Alcântara e Belém, que vem se destacando como um polo artístico às margens do Rio Tejo.
“Onde está o ouro do Brasil?” é o que muita gente pergunta, quase sempre em tom de piada, quando visita Lisboa. Parte da resposta pode ser encontrada no Museu do Tesouro Real, aberto ao público em 2022, numa ala do Palácio Nacional da Ajuda, a antiga sede da monarquia portuguesa. A área de exibição fica dentro de uma caixa-forte de três andares, considerada a mais segura de Portugal. Lá dentro, são apresentadas (a maioria, pela primeira vez) peças que integravam o tesouro da família real portuguesa, assimiladas pelo Estado após a proclamação da república, em 1910.
O ponto de partida é mesmo pelas riquezas retiradas do solo brasileiro, como diamantes e pepitas de ouro — uma delas com impressionantes 20 quilos. E prossegue por setores que mostram joias feitas com metais e pedras preciosas do Brasil e de outras partes do mundo, peças dadas como presente por governos amigos e até itens de uso “doméstico”, como a prataria encomendada para banquetes na corte e os objetos que decoravam as capelas exclusivas dos monarcas. As coroas e os mantos usados por reis como Dom João VI e Dom Pedro IV (o Pedro I no Brasil) também têm destaque especial. O ingresso custa € 11.
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Outro cofre aberto ao público fica no subsolo do antigo Banco Nacional Ultramarino, na Rua Augusta, a principal do bairro da Baixa. É ali que acontecem as exposições temporárias do Museu do Design (Mude), que reabriu em 2024 após oito anos em reforma. Como o nome indica, o museu exibe peças de designers, especialmente portugueses, das mais variadas áreas, como móveis, objetos domésticos e alta costura.
A reforma deu um ar “industrial” às salas de exibição permanente, com paredes descascadas e tetos com fiação aparente, mas preservou a pompa do antigo prédio, que abrigou a instituição financeira responsável, entre outras coisas, por emitir a moeda das antigas colônias portuguesas na África e na Ásia. Uma novidade em relação ao projeto inicial do museu é o novo terraço, com um belo jardim, vista de 360° para a região central de Lisboa e que, em breve, ganhará um restaurante no antigo refeitório exclusivo para os executivos do banco. A entrada custa € 11.
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Aberto ao público em abril de 2025, o Centro Interpretativo Murais de Almada nas Gares Marítimas apresenta ao público, especialmente os visitantes internacionais, a obra do pintor Almada Negreiros, um dos expoentes das artes plásticas lusitanas no século XX, cujos famosos painéis murais contrariou o salazarismo em plena ditadura do Estado Novo português.
Nos anos 1940, Almada Negreiros foi convidado para recriar cenas navais grandiosas, que remetessem ao auge do império marítimo português, nos novos terminais de Alcântara e Rocha do Conde de Óbidos, as principais portas de entrada e saída da cidade naquela época. No entanto, o artista retratou personagens das camadas populares da zona portuária de Lisboa, como marinheiros, lavadeiras e pescadores.
O ponto alto é apreciar os grandes murais nos saguões principais, mas vale a pena percorrer as salas informativas, onde se aprende a história do Porto de Lisboa, os movimentos durante as guerras do século XX e as muitas ondas migratórias que levaram portugueses para diversas partes do mundo nos últimos cem anos. O ingresso custa €5 e vale para os dois prédios.
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A maior coleção de arte particular de Portugal deu origem ao Museu de Arte Contemporânea Armando Martins, inaugurado em março deste ano, e que leva o nome do magnata da construção civil que comprou sua primeira obra de arte há pouco mais de 40 anos, e que hoje reúne cerca de 600 peças, quase todas de artistas portugueses. O projeto inclui ainda um hotel butique com 64 quartos, um restaurante sofisticado e um interessante bar que funciona numa capela dessacralizada. Tudo reunido num antigo palacete do século XVIII, também no bairro de Alcântara.
O museu (ingresso a €15) exibe 215 das cerca das 600 peças da coleção. Há pinturas, vídeos e esculturas para todos os gostos, das bem tradicionais às mais provocantes, tanto na ala do prédio histórico quanto num galpão moderno, construído para abrigar exposições temporárias de outras coleções particulares.
Pavilhão Julião Sarmento
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Não muito distante dali, já chegando a Belém, o Pavilhão Julião Sarmento leva o nome de um dos mais importantes nomes da arte contemporânea portuguesa, morto em 2021. O espaço, aberto em junho, não é dedicado apenas a suas obras — na realidade, atualmente há apenas uma exposta ali —, mas, sim, à sua coleção particular, composta por cerca de 1.200 peças de artistas de todo o mundo, inclusive os brasileiros Cildo Meireles e Adriana Varejão. Parte desses itens, que podem ser tanto pequenas esculturas como grandes instalações, é exibida nos salões de um antigo armazém de alimentos, reformado para abrigar o novo centro cultural. O ingresso custa €5.
Eduardo Maia viajou a convite da TAP e com apoio da Associação Turismo de Lisboa.

