A cantora Clarice Falcão, 36, revelou que possui o mesmo distúrbio neurológico do ator Brad Pitt. Chamada de prosopagnosia, a doença dificulta o reconhecimento de rostos. A declaração foi revelada no programa “Like ou Flop”, apresentado pelo influenciador Victor Meyniel.
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Falcão explicou que possui muita dificuldade com semblantes, mesmo que não tenha problemas relacionados à memória, mas disse que não esquece o rosto de pessoas com quem tem grande convívio.
“Eu não tenho dificuldade com nomes, situações e lembrar de conversas. Mas as feições se embaralham”, declarou.
Brad Pitt afirmou em entrevistas que não consegue reconhecer a face de seus amigos famosos. A atitude faz o artista ter a reputação de metido, distante e egocêntrico. Popularmente conhecida como “cegueira facial”, o distúrbio dificulta o reconhecimento de rostos, inclusive de pessoas próximas.
Indivíduos com a condição não conseguem identificar os traços do rosto de familiares como pais e filhos, de conhecidos, como amigos próximos, e nem de famosos, como atores de televisão. E costumam identificá-los por meio de outras características, como o cabelo, as roupas ou a voz. A confusão se deve pelo fato de que a área cerebral que reconhece as faces, é separada daquela responsável pelo arquivamento de nomes próprios.
Segundo um estudo realizado por pesquisadores da Harvard Medical School (HMS) e do VA Boston Healthcare System, publicado em 2023 na revista Cortex, uma em cada 33 pessoas pode atender aos critérios para cegueira facial em algum nível. O levantamento indica que uma em cada 47 tem a prosopagnosia leve, enquanto uma em cada 108 tem a doença de forma grave.
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De acordo com a Rede D’Or, pessoas com prosopagnosia podem apresentar diferentes níveis de dificuldade. Em casos mais leves, há dificuldade para reconhecer rostos pouco familiares. Já em situações mais graves, o paciente pode não conseguir identificar familiares, amigos próximos e até o próprio rosto no espelho.
A condição pode ser congênita, quando a pessoa nasce com o transtorno, ou adquirida após traumas cerebrais, especialmente na área do cérebro responsável pelo processamento facial, como o lobo occipital ou o giro fusiforme.
A Prosopagnosia não escolhe o indivíduo pela idade, mas é mais frequente em decorrência de lesões no cérebro, como traumas ou AVC, por condições neuropsiquiátricas como doença de Alzheimer, depressão ou esquizofrenia. Além disso, o distúrbio também pode afetar crianças com transtornos de desenvolvimento, como autismo ou síndrome de Asperger.
Sintomas
Além da incapacidade de reconhecer e distinguir rostos de conhecidos ou de pessoas que não se conhece bem, o paciente de cegueira facial, em casos mais graves, não consegue distinguir o próprio rosto.
Ele ainda pode ter dificuldade de descrever características faciais, evita o contato visual com outras pessoas, tem dificuldade de acompanhar filmes e séries, pois não existe o reconhecimento do rosto dos personagens e tem a sensação de desorientação, ou se sentir “perdido” em locais com muita aglomeração. Não consegue manter um relacionamento duradouro, além de existir uma dificuldade de interação social (tanto na vida pessoal, como na profissional).
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O que acaba gerando problemas mais graves como crises do pânico, por ter medo de ter contato com outras pessoas; transtornos de ansiedade social e até mesmo depressão.
Diagnóstico
Por ser pouco conhecido e popularmente atribuído à memória ruim, a doença é dificilmente diagnosticada. Especialistas ressaltam que o distúrbio não tem relação com a inteligência ou a memória em seu sentido amplo. O reconhecimento da Prosopagnosia é feito por um neurologista ou neuropsicólogo. O paciente faz testes no intuito de identificar rostos familiares, famosos e desconhecidos e é instruído a detectar diferenças nas características entre as pessoas.
Em casos mais sérios, o profissional ainda pode realizar exames de imagem como uma ressonância magnética ou tomografia computadorizada para verificar alterações na área do cérebro responsável pelo sistema cognitivo visual.
Especialistas alertam que a condição pode causar dificuldades sociais e emocionais, já que pacientes frequentemente são vistos como desatentos ou pouco simpáticos por não reconhecerem conhecidos em situações do dia a dia.

