A moda tem lugar cativo para os clássicos. E nesse espaço premium o poá tem posição de destaque. A estampa que desperta sensações, com um quê de nostalgia e outro tanto de ludicidade, circula entre as escolhas recentes de grifes como Valentino, pelas mãos de Alessandro Michele, Moschino, Patou e Vivienne Westwood: a bola, estampada, bordada ou aplicada, está quicando nesta temporada.
O fôlego é de adolescente, mas são muitos quilômetros rodados. “O famoso poá (em francês ‘pois’, que significa ponto) é conhecido como ‘polka dot’, em inglês, por ter surgido como elemento decorativo de vestimentas de danças folclóricas do leste europeu, como a polka”, explica a analista e pesquisadora de moda Paula Acioli. “Foi popularizado a partir de meados do século XIX, no auge da Revolução Industrial, quando as máquinas de costura, surgidas no período, conseguiram bordar círculos perfeitos.”
Ao longo do tempo, a padronagem ganhou inúmeras interpretações, revelando elasticidade. “No século XX, está tanto em looks icônicos da Minnie Mouse, da Disney, quanto no de estrelas do porte de Amy Winehouse. E também é protagonista na arte de Yayoi Kusama”, continua Paula.
A artista japonesa, de 96 anos, assinou uma das collabs mais célebres do universo fashion: com a Louis Vuitton. Com duas edições, em 2012 e 2023, transformou sua paixão (os círculos) em acessórios, como bolsas e sapatos, revestidos de bolinhas de tamanhos diversos.
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O carisma do poá foi renovado ao longo das décadas do século passado. Nos anos 1950 e 1960, a padronagem viveu seu auge, sendo adotada por atrizes que simbolizavam a elegância, como Audrey Hepburn, e a sensualidade quase inocente, caso de Marilyn Monroe. A estampa dava vida a vestidos acinturados e pontilhava o duas-peças e o bombástico biquíni. No Brasil, durante essa mesma fase, o ilustrador e figurinista Alceu Penna (1915-1980) disseminou as bolinhas na coluna “As garotas do Alceu”, publicada na revista “O Cruzeiro”. Nos anos 1980, a princesa Diana foi uma das responsáveis por dar prosseguimento a essa relação, mesclando o poá com ombreiras, símbolo da década.
Para o stylist Patrick Doering, nesta estação, a inovação aparece na mistura de padronagens, sem amarra
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s a regras do passado. “Um poá mais espaçado vem com outro menos, uma peça de fundo branco com bolinha preta é coordenada com outra de base preta com poá branco. Essa é a graça”, observa. Diretora criativa da Fabulous Agilitá, Paula Aziz embarcou na releitura. “ Sou apaixonada pela estampa, que traz toque sofisticado com olhar fashion e divertido”, afirma. Para sair do óbvio, a estilista apostou na variação do tamanho dos círculos e foi além: “Criei o mesmo efeito visual com tachas, pérolas e cristais”, conta. Segundo Patrick, o momento pede a estampa. “Proporciona o que a moda está precisando: um porto seguro.”

