O rapper Marcelo D2 queria esperar mais um pouco para celebrar o icônico “A procura da batida perfeita” (em 2027, o disco completa 25 anos). Mas, provocado pelo empresário Peck Mecenas (“Só ele para me convencer”, brinca, falando sério), ele se junta a um grupo de artistas que revisitam álbuns históricos no palco da 4ª edição do Clássicos do Brasil, na Marina da Glória, neste e no próximo fim de semana.
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— Ele me convenceu falando da importância da música enquanto história. Ela é nossa parceira na vida em momentos alegres, tristes… e esse disco foi especial para mim, assim como foi para muita gente também — conta D2. — Quando o ouvi pela primeira vez, pensei: “Fodeu, a gente não vai tocar em lugar nenhum” (risos). Mas estava errado. Ele estourou e acabou tocando em todas as rádios porque era aberto: tinha pop rock, rap, samba, raiz, inovação…
No palco, aos pouco mais de 30 minutos de “A procura” (trabalho que, segundo D2, “limpou sua barra com a galera mais conservadora” que o estigmatizava como “maconheiro rebelde”) vão se somar outras músicas:
— A ideia é contar a história de como cheguei até “A procura”, então pode ter até Planet Hemp nessa caminhada.
Sábado, além de D2, que encerra a noite, também tem Gabriel, O Pensador com “Quebra-cabeça” (1997), de hits como “Cachimbo da paz” e “Até quando”; Nação Zumbi com “Da lama ao caos” e Cidade Negra com “Sobre todas as forças” (ambos de 1994).
— Esse disco é um divisor de águas para o Cidade Negra. Com ele, entramos no “mainstream” e ganhamos prêmios —comenta o guitarrista Bino (Alexandre Menezes), animado em revisitar o trabalho que também marcou a chegada à banda de Toni Garrido, que em 2026 roda o país com a banda na turnê “De agora em diante”.
Para Toni, esse reencontro do grupo é “como um manifesto de resistência, renovação e conexão com os fãs” que caminham com eles há mais de 30 anos:
— Vamos trazer as raízes do reggae com um olhar para o futuro, com releituras emocionantes.
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Grande pilar do manguebeat na Recife dos anos 1990, a Nação Zumbi (capitaneada por Chico Science até sua morte, aos 30 anos, em 1997) celebra a atemporalidade do trabalho de estreia do grupo, que segue arrebatando plateias Brasil afora.
— Muitos dos gritos contidos nesse disco, do problema social e da discrepância de um país onde a fome é um elemento preocupante, ainda se fazem presentes, né? Acho que pouquíssima coisa mudou — comenta o vocalista Jorge Du Peixe, que volta a se apresentar no domingo, mas dessa vez com os Los Sebosos Postizos.
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Formado por integrantes da Nação, o grupo dedicado a reinterpretar a obra de Jorge Ben Jor faz show em celebração ao icônico “A tábua de esmeralda” (1974) — o sexto na lista dos “100 maiores discos da música brasileira” feita pela Rolling Stone em 2007.
— O Brasil sem Jorge Ben talvez não tivesse tido a Tropicália e nem o manguebeat. Ele é uma síntese do Brasil — sentencia o vocalista que, com esse mesmo show (que é “uma honra e um desafio”), lotou o Circo Voador em maio.
No mesmo dia, Xande de Pilares também sobe ao palco para reverenciar o repertório de outro gigante: Caetano Veloso. Lançado em 2023, “Xande canta Caetano” foi eleito um dos 50 melhores álbuns nacionais daquele ano pela APCA. No ano seguinte, ganhou o Grammy Latino de “Melhor álbum de samba/pagode”.
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— Esse show tem me ensinado muita coisa. Com ele, amadureci e comecei a me aceitar como o artista e o cantor que nunca quis ser. Esse projeto me deu força e me fez acreditar que é possível — destaca Xande, elogiado pelas interpretações emocionantes de “Força estranha”, “O amor” e mais clássicos.
Lenine e Marcos Suzano com o inovador “Olho de peixe” (1993) e O Grande Encontro de Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo completam a programação do dia.
— Como há uma grande demanda de festivais hoje, temos que trazer novas experiências para o público — afirma Peck, também responsável pelo Enel Festival de Inverno Rio e pelo 90’s Festival, entre outros eventos. — É uma oportunidade para essa nova geração antenada com a música brasileira de assistir a shows que estrearam quando eles não eram nem nascidos.
O empresário também revela estar “buscando alguns encontros no palco”:
—O Gabriel participou do álbum do Cidade Negra. Estou tentando fazer com que ele cante com eles. O D2 também tem uma relação com a Nação Zumbi, assim como o Lenine tem com O Grande Encontro…
No segundo final de semana, o sábado (18) é todo do rock: Plebe Rude toca na íntegra “O concreto já rachou”, enquanto Ira! e Capital Inicial revivem seus projetos acústicos, assim como Humberto Gessinger, com “Acústico Engenheiros do Hawaii”. No domingo (19), a noite dedicada ao reggae leva ao palco Ponto de Equilíbrio, Armandinho, Maneva e Edson Gomes.
Depois de estrear em Recife, o festival deve rodar outras cidades — a próxima parada, se depender de Peck, será a Bahia. Com exclusividade, ele contou à reportagem as primeiras atrações já confirmadas para a edição carioca de 2026. Na abertura, Alceu Valença, Ney Matogrosso e Nando Reis. Em um dia todo dedicado ao “rock romântico”, Roupa Nova, Fábio Jr. e Paulo Ricardo.
- 19h. Gabriel, O Pensador
- 21h. Cidade Negra
- 23h. Nação Zumbi
- 1h. Marcelo D2
- 17h. Los Sebosos Postizos
- 18h30. Lenine & Suzano
- 20h. O Grande Encontro
- 21h30. Xande Canta Caetano
- 19h. Plebe Rude
- 20h30. Ira!
- 22h. Humberto Gessinger
- 23h30. Capital Inicial
- 17h. Ponto de Equilíbrio
- 18h30. Armandinho
- 20h. Maneva
- 21h30. Edson Gomes
Onde: Marina da Glória. Quando: Sáb, às 17h. Dom, às 15h. Até dia 19. Quanto: de R$ 140 (4ºlote, pista) a R$ 260 (4ºlote, lounge), com 1 brinquedo ou livro infantil. Dom: criança de até 12 anos não paga. Online, via Bilheteria Digital. Classificação: 18 anos.

