O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) anunciou nesta segunda-feira que não será candidato ao governo de Minas Gerais, encerrando a tentativa de reverter a decisão de seu partido de retirá-lo da disputa. O recuo amplia o impasse para a montagem do palanque de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo maior colégio eleitoral do país, onde o presidenciável ainda tenta consolidar uma candidatura capaz de reunir seu campo político.
A decisão ocorre depois de dias de tensão entre Cleitinho e a direção nacional do Republicanos. Na semana passada, o partido anunciou que não apoiaria sua candidatura ao governo e passou a trabalhar por uma composição em torno do ex-secretário da Casa Civil Marcelo Aro (PP), numa articulação que envolve também dirigentes do PL e da federação União Progressista.
Cleitinho reagiu inicialmente ao veto. Em uma entrevista coletiva em Divinópolis, afirmou que manteria a candidatura mesmo sem o aval da legenda, anunciou o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão como vice e acusou adversários de espalharem que ele teria desistido da disputa.
— Sou candidato a governador junto com o Falcão como vice. Tem quase 50% da população mineira que quer que eu venha candidato a governador — afirmou na ocasião.
A ofensiva, porém, não mudou a posição do Republicanos. Cleitinho se reuniu posteriormente com o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, em São Paulo, num encontro marcado por cobranças sobre a forma como conduziu sua pré-candidatura. Dirigentes criticaram especialmente a decisão do senador de anunciar publicamente que concorreria depois de o partido já ter comunicado que não daria legenda para a disputa.
Apesar do desgaste, Marcos Pereira aceitou manter uma nova rodada de conversas, o que ainda deixava aberta uma possibilidade de reavaliação. A resistência dentro do comando partidário, no entanto, permaneceu elevada, e Cleitinho decidiu agora abandonar definitivamente o projeto de concorrer ao Palácio Tiradentes.
O recuo coloca novamente Marcelo Aro no centro das negociações para a montagem de um palanque de direita em Minas. Ex-secretário da Casa Civil do governo estadual, ele vinha sendo preparado para disputar o Senado, mas perdeu espaço na chapa após mudanças na composição das candidaturas e passou a ser incentivado por dirigentes de PP, Republicanos e PL a concorrer ao governo.
Aro já sinalizou que não criaria obstáculos para que Flávio fizesse campanha em seu palanque, o que o transformou em uma alternativa para o PL diante da crise com Cleitinho. A construção, porém, ainda precisa superar resistências e acomodar os diferentes grupos que disputam espaço na chapa mineira.
Para Flávio, a desistência ocorre num momento especialmente delicado. A dois dias do fim das convenções, sua campanha tenta simultaneamente destravar alianças nacionais e organizar palanques nos principais colégios eleitorais. Minas vinha sendo tratada como uma prioridade justamente pelo peso do estado na disputa presidencial.
Até a semana passada, parte do próprio PL mineiro ainda defendia Cleitinho como o nome mais competitivo para enfrentar o grupo governista. A direção nacional, por outro lado, já havia avançado nas conversas com Aro. Com o recuo do senador, o desafio passa a ser transformar essa articulação em um acordo definitivo e evitar que Flávio chegue ao início oficial da campanha sem um palanque consolidado no estado.

