Os clubes do futebol brasileiro já se organizam para entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal com pedido ao Ministro Luiz Fux para participar do processo relatado por ele que questiona a Medida Provisória que proíbe as bets no país, anunciada pelo presidente Lula na última sexta-feira.
O movimento seria consequência do já feito pelo Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut, que representa os clubes e as federações), no recurso movido pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).
O pedido ao STF será para suspensão da medida provisória editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que proíbe a exploração de apostas de quota fixa no país. Os clubes cogitaram uma ação direta, individual, mas entendem que ela seria menos efetiva. E pretendem agir em bloco. Para resguardar maias os contratos de toda a atividade, não só os individuais.
A ideia é ir na mesma linha do Sinafut, que pleiteia um período de transição de seis meses para a proibição das bets começar a valer. A entidade argumenta que o prazo de 5 de outubro de 2026, quando os sites de apostas serão bloqueados, “recai sobre a reta final das competições nacionais e as decisões estaduais, quando a exposição de marca e a monetização contratual são máximas. Os orçamentos de 2027 e os campeonatos estaduais, que se iniciam em janeiro, estão sendo definidos agora. Uma transição que alcance o encerramento da temporada de 2026 é o mínimo compatível com o planejamento esportivo”, diz o sindicato na ação já movida.
Vices da CBF na diretoria da Sinafut
Com isso, a ofensiva contra a medida provisória passa a ter, oficialmente, bets, clubes, federações e a própria CBF lado a lado. A diretoria do Sinafut conta com dois vice-presidentes da entidade nacional (Ednailson Leite Rozenha, deputado e presidente da Federação Amazonense; e Ricardo Glock, presidente da Federação Paraense), além de Felipe Feijó, presidente da Federação Alagoana e filho de Gustavo Feijó, diretor de seleções da confederação.
A receita oriunda das bets se tornou parte fundamental do futebol brasileiro. Dos 20 times da primeira divisão do Campeonato Brasileiro, 14 têm contratos de patrocínio master com casas de apostas. O mercado movimentará cerca de R$ 1,1 bilhão no futebol brasileiro em 2026, mesmo patamar da última temporada. Os clubes alegam que contam com ela para honrar seus compromissos.
Os organizadores dos campeonatos, como a própria CBF, também estão preocupados com os impactos financeiros, já que as empresas de apostas estão entre as principais patrocinadoras das competições. O Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, maiores competições nacionais, têm seus naming rights comprados pela Betano.
Clubes já articulam ação conjunta no STF pedindo fim da MP que proibiu bets
