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outubro 16, 2026
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Colonos israelenses espancam fotojornalista do Washington Post durante ataque à colheita de azeitonas na Cisjordânia

Por · outubro 16, 2026


A fotojornalista americana Heidi Levine, que trabalha para o jornal Washington Post, foi espancada por colonos israelenses nesta sexta-feira na Cisjordânia ocupada, enquanto cobria os ataques contra agricultores palestinos durante a colheita de azeitonas. Experiente, com décadas de cobertura no Oriente Médio e em várias guerras, ela estava perto das localidades de Turmus Ayya e Khirbet Abu Falah, nos arredores de Ramallah, quando foi atacada. Os ataques de colonos se repetem todos os anos na época da colheita, mas cresceram nesta temporada, que coincide com a aproximação das eleições israelenses, no fim de outubro, e vêm atingindo também jornalistas que cobrem a região.
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— De repente, vi mais de 50 homens mascarados. Carregavam porretes de madeira e acho que também barras de ferro. Então, de repente, me atacaram — contou Levine a jornalistas, de um leito de hospital em Ramallah, para onde foi levada com a mão esquerda envolta em uma atadura.
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Segundo o relato, o espancamento durou mais de 10 minutos, e os colonos roubaram o passaporte, o celular, a carteira e o equipamento da fotógrafa. Levine, de 64 anos, afirmou que se identificou como jornalista e também como “mãe”, na tentativa de acalmar os agressores, e que o ataque só terminou quando colegas palestinos intervieram para salvá-la.
— Por sorte, eu usava capacete e colete à prova de balas. Se não fosse isso, eu provavelmente nem estaria aqui, porque eles não paravam de me chutar — disse a fotógrafa.
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O Washington Post afirmou que ela estava claramente identificada como jornalista, com um colete com a palavra “Imprensa” na frente e nas costas. Em comunicado, o Exército israelense disse ter intervindo após receber um alerta sobre um “confronto violento” e confirmou que uma “jornalista ficou ferida durante o incidente”. Segundo o Post, a porta-voz internacional do Exército, tenente-coronel Ariella Mazor, afirmou que os soldados tentavam dispersar uma multidão grande e violenta e, de acordo com uma análise inicial, não viram a agressão. O Exército e a polícia israelense abriram investigações separadas.
A embaixada dos Estados Unidos em Israel informou estar ciente das notícias sobre o ataque e não fez outros comentários. Já o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que os fatos “permanecem pouco claros e estão sob investigação”. Em publicação no X, citou versões segundo as quais centenas de “árabes e ativistas de extrema esquerda confrontaram cerca de 40 jovens israelenses” e disse que não permitirá que “incidentes contestados” sejam usados para “demonizar” os moradores judeus da Cisjordânia.
A Associação de Imprensa Estrangeira em Israel classificou o episódio como “o mais recente de uma longa série de ataques violentos de colonos israelenses contra jornalistas e outros civis na Cisjordânia ocupada” e afirmou que seus “repetidos apelos” por medidas contra essa “ilegalidade” vêm sendo ignorados pelas autoridades israelenses.
Escalada na colheita
Nesta sexta, em Abu Falah, ao menos 80 colonos, alguns com armas ou porretes, se reuniram para impedir a colheita e lançaram pedras com estilingues contra os agricultores diante de veículos militares israelenses. Quando parte dos palestinos pegou pedras para se defender, segundo o jornal britânico Guardian, o Exército disparou gás lacrimogêneo na direção deles. O Crescente Vermelho Palestino informou que ao menos seis pessoas ficaram feridas na cidade. Horas antes, perto de Turmus Ayya, colonos queimaram três carros depois de atacar palestinos que colhiam azeitonas.
Palestino observa veículos que, segundo relatos, teriam sido incendiados por colonos israelenses em olivais de propriedade de palestinos, próximos à vila de Turmus Ayya, ao norte da cidade de Ramallah
AHMAD GHARABLI / AFP
Segundo o grupo israelense de direitos humanos Yesh Din, foram ao menos 170 ataques desde 27 de setembro, quando começou a colheita. Autoridades palestinas afirmam que ao menos quatro palestinos foram mortos e mais de 100 ficaram feridos no último mês, além de milhares de árvores terem sido danificadas.
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Este ano, Israel também impôs novas regras à colheita. Os palestinos estão proibidos de entrar, sem autorização militar, em cerca de 8.800 hectares de terras agrícolas na Área C, sob controle militar israelense, um aumento de 30% em relação ao ano anterior. Já a área vetada a cidadãos israelenses para evitar a violência de colonos caiu de cerca de 1.070 hectares em 2025 para 680 hectares em 2026, segundo o grupo israelense Paz Agora. A colheita é uma fonte de renda vital para os palestinos e ganhou ainda mais peso depois que Israel revogou as autorizações de trabalho de muitos moradores da Cisjordânia após o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023.
Netanyahu já condenou a violência em algumas ocasiões e a atribui a cerca de 100 colonos, mas tomou poucas medidas para contê-la. Os assentamentos, porém, se expandiram rapidamente sob seu governo e são considerados ilegais pela ONU e pela maioria dos países.
Jornalistas na mira
Jornalistas palestinos e estrangeiros vêm sendo alvo frequente dos colonos. No último dia 6, o fotógrafo Jaafar Ashtiyeh, de 58 anos, veterano da AFP no território palestino, sofreu contusões na cabeça e no tronco ao ser agredido perto da aldeia de Aqraba, em uma área sob controle civil palestino.
Fotógrafo Jaafar Ashtiyeh, da AFP, é carregado por socorristas palestinos para receber atendimento médico após ter sido agredido por colonos israelenses em Aqraba
JOHN WESSELS / AFP
Ele e outro fotógrafo da agência, John Wessels, estavam no alto de uma colina acompanhando a colheita quando um quadriciclo avançou em alta velocidade na direção deles, e um homem no veículo abriu fogo. Em seguida, outros homens armados cercaram os jornalistas, e dois deles golpearam Ashtiyeh repetidamente com as armas. Um agricultor palestino foi atingido no pé.
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Segundo Wessels, ao menos uma dúzia de soldados israelenses estava a cerca de 500 metros do local e não interveio. A AFP exigiu uma investigação completa sobre o caso. Em julho, colonos também atacaram uma equipe da rede americana CNN perto de Ramallah.
Com AFP

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