A atriz Arlete Salles se identifica bastante com Eulália Eugênia, personagem de seu primeiro monólogo, “Mande notícias do mundo de lá”, em cartaz no Teatro dos Quatro, no Rio de Janeiro. Assim como a personagem, que tem horror à morte, Arlete também não gosta de lidar com as partidas, sempre doloridas, e mais frequentes quando se chega aos 88 anos, como a atriz. No entanto, ela reconhece que, apesar de desafiador, o amadurecimento também traz benesses.
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— Uma coisa boa no envelhecer é a paz. As inquietações desaparecem. As inquietações românticas, sobre a vida, as inseguranças, a preocupação com a opinião dos outros, nada disso existe mais para mim — diz.
Escrito e dirigido por Carlos Jardim, o solo reflete sobre temas como etarismo, finitude e cumplicidade. Na trama, quando a protagonista perde uma amiga de anos, precisa encarar seu pavor da morte para a despedida. Ao encontrar o velório vazio, ela inicia uma longa e derradeira conversa com a falecida, relembrando piadas e implicâncias e refletindo sobre a vida.
Arlete Salles em cena de “Mande notícias do mundo de lá”, seu primeiro solo
Divulgação/Cris Rasec
O texto aborda as principais dificuldades e aflições da velhice, mas sem deixar de lado o humor. Durante a encenação, Arlete chega a dançar e cantar, de funk a “Dancing queen”, do Abba. Para a atriz, essa leveza é essencial, no palco e fora dele.
— Sou uma pessoa animada com a vida, mesmo com a idade que tenho. Sou uma geminiana típica. Tenho muita coragem, graças a Deus, e otimismo. São sentimentos importantes para a gente usufruir desta passagem neste planeta — conta.
Outro segredo para a longevidade é o amor pela profissão:
— Exerço um ofício que amo e sigo em plena fase produtiva. O palco me encanta porque tem um poder incrível de te revigorar, alegrar, rejuvenescer. Considero isso um privilégio, me ajuda muito a vivenciar esse momento.
Após participar do núcleo principal da novela Três Graças como Josefina, mãe da vilã Arminda (Grazi Massafera), a atriz logo emendou no desafio do monólogo, que exigiu uma boa dose de sua coragem característica. Depois da peça, ela ainda não tem certeza do que vem por aí, só sabe que passará pelos palcos ou pelas câmeras.
— Quero continuar trabalhando enquanto eu puder. E se um dia eu não puder mais, vou me recolher e tudo bem também, não vou ser infeliz. A infelicidade é uma miséria que a gente deve ficar distante o quanto puder. A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional — finaliza.
Serviço
Onde: Teatro dos Quatro, Shopping da Gávea.
Quando: Sex e sáb, às 20h. Dom, às 19h. Até 4 de outubro. Estreia sexta (7).
Quanto: R$ 147,37.
Classificação: 14 anos.

